segunda-feira, 31 de maio de 2021

OH, TESÃO!

 

   
    Eu gosto muito de mulher, muito mesmo, mas tem quem gosta mais. Altair, por exemplo. Altair foi meu colega na quinta série e gostava muito. Muito mais do que eu. A prova é que ele, quando via uma colega saindo do banheiro entrava atrás para ver o que ela havia feito lá dentro.  Muitas vezes lhe perguntei por que fazia aquele tipo de coisa, mas ele sorria e saía sem responder.  Na última vez que toquei no assunto ele, de saco cheio comigo, mandou-me sentar ao seu lado e falou.  Disse que as garotas da sala só pensavam sacanagem e toda vez que iam ao banheiro era para secar a  umidade das partes íntimas e não manchar suas saias.  –Por isso eu saio atrás delas. Pego no cesto o papel que usaram e olho se tem algo viscoso, aquela coisa gosmenta e sem cor que sai quando estão com tesão, sabe?  Aí eu cheiro e começo a lamber o papel e dependendo eu até me masturbo e  às vezes mais de uma vez.  Pronto, é isso. Está satisfeito? – Deu um tapinha no meu joelho, recolheu os cadernos e foi se juntar ao resto da turma.  Eu não dormi pensando na tara daquele sujeito e para não dizer que fiquei de braços cruzados decidi pregar-lhe uma peça.  Chamei uma colega num canto e comentei o assunto. Shirley Gouveia era a mais descolada de todas da sala e além de bonita e gostosa também era uma ótima amiga. Combinamos o sinal e no meio da aula pedi para ir ao banheiro.  Entrei no das garotas, fiz umas dobras no papel higiênico onde deixei a marca de um beijo com o batom da minha irmã.  Nele assuei bem o limpei o nariz jogando-o no cesto de lixo.  Ao  voltar a sala fiz um gesto com a cabeça e Shirley Gouveia, dizendo-se apertada, pediu para descer.  Pouco tempo depois a garota voltou  e como era de se esperar  Altair pediu para sair.  Correu ao banheiro feminino onde se trancou por um tempo.  Todos repararam na cara de Altair quando retornou à sala.  Parecia estar com 40 graus de febre de tão vermelha que estava.  Olhei para Shirley que ria olhando para mim.  Eu também ri com ela e foi preciso o professor parar a aula para chamar a nossa atenção.  
Na saída eu perguntei o porquê, dele sair tão pálido e voltar vermelho como um tomate. Altair me olhou de cima a baixo e fazendo cara de nojo me respondeu: – Essa Shirley Gouveia é a mulher mais tesuda que já conheci! Você acredita que a gata estava tão excitada que precisou meio rolo de papel para secar-se? Imagina o tesão que ela tinha quando foi ao banheiro!  Ela estava muito excitada, meu amigo.  Muito excitada, mesmo! – Falou com aquela cara de espanto.  – E o que você fez  para ficar tão vermelho? – Perguntei.  
– Cara, quando vi aquele papel assim, tão molhado, me deu um tesão tão grande que botei o pau para fora  e toquei uma pensando nela.  Para cada lambida era uma que eu tocava e se você quer saber quantas lambidas eu dei naquela coisa gostosa eu não lembro, mas tocar, toquei bem umas três.  
Eu ri muito, mas ri tanto que acabei engasgando.  Shirley Gouveia também riu muito e pelo que disse teria molhado as calcinhas se as tivesse vestido.

segunda-feira, 24 de maio de 2021

MEUS AUTORES, MEUS AMORES


    Tenho lido muito nesses tempos de pandemia e como sair eu não devia, deixava que os bons autores me levassem, através de suas histórias, a lugares maravilhosos e até a porta do inferno eu cheguei passar perto.  Foi a leitura que me levou a conhecer os melhores atores e atrizes, políticos ilustres, heróis do passado e reis que sorriam aos pobres ou os mandava prender e até matar como fazem em nosso País. É cada livro melhor do que o outro. Ontem embarquei bem cedo com a rainha em um dos seus aviões e à tarde, com ela ao meu lado, voltamos na carruagem do rei.  Na semana passada um tal de William, não sei de quê, me levou para ver o beijo milagroso com que Rominho teria salvo Juju de morrer. O engraçado da história é que o jovem deixou de se casar com Rosalina, moça rica, desimpedida e gozando de boa saúde para cortejar uma pobretona à beira da morte. Não entendi porque Romeu fez essa escolha, mas de repente, quem me chama atenção?  Os capangas de Luís XVI que surgiam do nada, arrastando a Rainha Toninha, como se fora um saco de batatas até onde estava o maldoso verdugo que lhe cortou a cabeça, como conta a história (Toninha era como os homens e as mulheres que dormiam com Maria Antonieta a tratavam). Depois vê-la perder a cabeça eu, praticamente, me borrei no momento em que o submarino russo, desceu comigo às profundezas do oceano mais gelado do mundo. Talvez me borrasse por conta da energia nuclear que o move, quem sabe?  Dentro daquela coisa apertada eu confesso que sofri enquanto o autor, aquele belo miserável, se mijava de rir do lugar onde estava. Já em outra leitura eu me senti muito sem jeito com o autor me mostrando uma jovem de 14 anos, presumíveis,  com um filho enganchado na cintura revirando o lixo nos fundos de um restaurante em busca de comida.  Duas ou três páginas à frente uns jovens falavam sozinhos enquanto alguns dormiam e outros andavam feitos zumbis no mesmo espaço onde o tráfico os mantinha sob vigília.   Eu preciso urgentemente de um livro que me mostre generais se armando para combater na guerra que mata sem estampido, sem baioneta e clarins tocando para atacar.  Alguém que combata o bom combate. Que cale as baionetas e mantenha no lugar cada pino de cada granada! Também vi, através de um livro grosso sem capa e título sugestivo, um jovem, da minha idade, bebendo para esquecer a mulher que o desprezara. Vi casais abraçados prometendo coisas que eu sempre achei impossíveis de conquistar, como meninos da periferia dando aos pais a felicidade sonhada.  Fui longe até muito longe com esses senhores, talvez até mais  longe do que acreditasse que alguém pudesse ir, só não deu para escrever como eles escrevem e nem me atrever me atreveria.  Talvez eu precisasse entender a língua melhor ao invés de ficar rabiscando mal e porcamente o meu nome. Seria penoso e cansativo, eu sei, mas tentar qualquer coisa que lembrasse as histórias que li nos momentos felizes da minha infância e agora, após ficar velho, não seria possível.

  

segunda-feira, 17 de maio de 2021

MEU HERÓI, MEU BANDIDO

  

      O irmão mais velho da minha mãe conseguiu o que eu achava impossível; ser o herói e o bandido de um garoto de 13 anos a quem presenteara com um binóculo mostrando para onde deveria apontá-lo.  Esse sujeito foi herói ao dar ao sobrinho o que mais desejava naquele momento e bandido quando a mãe percebeu que  apontava aquela coisa em direção ao quarto onde Elsinha se trocava.  Daí a proibi-lo de brincar na rua foi um pulo e nesse castigo o garoto ficou um bom tempo. O interessante é que o tio nada fez para defendê-lo. Elsinha era a filha mais bonita do vizinho e já com 15 anos tinha corpo de botar inveja a qualquer mulher.  Normalmente a mocinha era vista de shortinho apertado e blusinha abotoada na frente, quer dizer, desabotoada para infernizar a vida dos bobalhões como a do  protagonista da história.  No dia de São Cosme e Damião a mãe do menino deu doces em comemoração a data e Elsinha estava lá, com o irmão mais novo no colo.  Meu pai ajudou com as tábuas que serviram de mesa onde mamãe colocava os doces, bolos e refrigerantes.  Ao lado da mesa dois bancos enormes onde a criançada podia se sentar, mas nós, na esperança de Elsinha se curvar em direção ao irmãozinho, escolhíamos estar sempre por perto.  Nessas horas era quando os peitos pareciam querer saltar para fora do cercadinho provocando um huuuu!, na molecada, como a torcida faz quando a bola passa tirando tinta da baliza adversária.   Imagina os meninos, cada um no banheiro de sua casa pensando naquilo que viu, imagina!  Eu não sei, mas talvez fosse isso o que nos mantinha magricelas como éramos na maioria. Tião, um pretinho de 12 anos e que fazia parte da turma, tinha mais peitinho do que minha irmã e todos diziam ser fruto dos pensamentos pecaminosos que tinha.  Eu sabia que não era verdade ou o meu teria ficado desse tamanho, oh!
Na festa de 14 anos titio, que era ferreiro,  me deu de presente uma dobradiça que ele disse se chamar engate,  para o meu patinete.  Com ela o patinete poderia rodar em todas as direções e não só em  frente como vinha fazendo.  Com quinze dias a dobradiça quebrou e titio jurou nunca mais me dar coisa nenhuma como se a culpa fosse minha e não do material que usou.  Não faz mal, eu disse para mim mesmo depois que meu pai encontrou o binóculo e o me deu às escondidas. Quase todos os dias eu via Elsinha trocar de roupa. Ela ficava nua de tudo, antes e após tomar banho.  Eu não diria que ao voltar para casa não voltasse com a mão no bolso, mas que eu voltava, voltava e corria para o banheiro.

segunda-feira, 10 de maio de 2021

VÍCIO

 


     Às vezes eu chamo meu filho de Tião, mesmo Sebastião não sendo seu nome e assim como faço com ele, também faço com os amores que escrevem seus nomes na lousa da minha história. Por isso não se espantem quando falar que alguém que eu amo morreu. Elas morrem toda vez que saem para comprar cigarro e não voltam. No ano passado um amigo me falou para esquecer as mulheres de fumam. O pior é que, ao acender o meu, sempre me aparece uma desavisada pedindo para acender o dela e me pedia olhando dentro dos meus.  – É claro, meu amor. Acendo com o maior prazer. – Respondi puxando a cadeira para  junto da minha, na ocasião. A conversa rendeu  e só na manhã do dia seguinte perguntamos o nome um do outro.  É muito difícil encontrar mulher que não fume hoje em dia, até porque, o vício aproxima e se for para ficar sozinho, que venham fumar ao meu lado que eu assumo o perigo. Hoje, depois de um ano recluso em casa telefonei para Vilma, a moça que deixa minha casa brilhando,  mas quem atendeu foi um homem dizendo ser seu irmão. – Mas a Vilma, por que ela não atende? – perguntei.  – Porque ela morreu –, respondeu-me com a voz embargada. Morreu por conta desse vírus maldito que escolhe a pessoa errada para levar – concluiu soluçando. 
Gente, a Vilma morreu!...  O irmão, por ouvi-la falar no meu nome, já sabia com quem estava falando por isso me prometeu arranjar outra para o lugar dela. E arranjou...
  – Bom dia, Sr. Silvioafonso.  Eu me chamo Alex, quer dizer, Alessandra, mas prefiro que me chame de Alex,  sua nova diarista.  Vilma falava muito no senhor, por isso vou aceitar o serviço que ela vinha fazendo.  
Alex era uma mulata desse tamanho.  Braços da grossura das minhas coxas, barriga chapada e peitos pequenos.  Jesus do Céu, se me der uma porrada me derruba, pensei.  Alex me fez saber que entendia todo da profissão e sem cerimônia nenhuma tirou o casaco, prendeu o cabelo com um elástico, tipo rabo de cavalo, arregaçou as mangas da camisa e caiu dentro.  Eram 10h15, quando iniciou os trabalhos, e às 13h30m me pedia a toalha para tomar banho.  A casa estava um brinco. 
– Posso fumar aqui dentro?  –  perguntou secando o cabelo com a toalha de rosto. – Sim, quer dizer, não. Por favor, fume na varanda porque a fumaça me causa náuseas. Mentira!  Não me causa coisa nenhuma, pelo contrário, me dá  um prazer danado, só não queria sofrer com a tentação. A vontade era de cheirá-la, de fazer o que há muito não faço.  De senti-la à minha volta, nos meus olhos, na minha boca, em mim. Ah! E antes que me crucifiquem eu quero dizer que estou me referindo à fumaça do cigarro e não no que possam pensar.  Alex fumava enquanto eu fazia o café que tomamos sentados um de frente para o outro e na hora de cruzar as pernas, felizmente vestia uma Leggin e ninguém pode ver coisa nenhuma, se é que alguém busca enxergar qualquer coisa quando elas cruzam as pernas.  Naquele momento eu roguei a Deus que a mandasse embora.  Que pegasse o dinheiro que deixei em baixo da  jarra e até se quisesse me beijar a face podia, mas que saísse por onde entrou e só  voltasse caso a chamasse. Mas ela não foi. Pelo menos enquanto o toró, que caia lá fora, não passasse.

segunda-feira, 3 de maio de 2021

SAUDADES DE VOCÊ, SABIA?

        


    Faz tempo que mamãe bateu a porta atrás dos calcanhares e desapareceu. Fiquei muito triste, como qualquer filho ficaria, mas para dizer a verdade, nem como estava vestida eu recordo, mas dos beijos, dos abraços e das coisas que me falou antes de fazer o que fez eu me lembro e com riqueza de detalhes.  Eu, como filho, sei o quanto é duro não ter quem sirva o meu prato, lave a minha roupa e cante para eu dormir. É duro. Até para voar eu voava com as asas dela, mas agora... Agora terei que voar com as minhas  como mamãe fez com as dela. Sinto muito a sua falta e agora então... mais do que nunca, principalmente ao lembrar que nem o beijo de despedida eu ganhei.  Não me deu aquele beijo, mas ontem  me beijou mais do que todo o tempo que estivemos juntos. Certamente por não lhe ter dado a importância merecida segundo ela achava. Todos sabem que qualquer filho, no meu lugar, teria sonhado com sua mãe, mas eu não. Eu não sonhei, aliás, ontem eu sonhei com a minha. Talvez não sonhasse antes por ela não ter me falado que ia partir, mesmo sabendo que podia me dar um sinal ou pedir a alguém para cuidar de mim.  Mas não. Mamãe não fez nada disso. Foi duro, muito duro, triste e cruel. Como desprezar um filho e pôr a culpa na morte se a morte não é o fim?!  Para essa viagem, pelo menos, não é. Ela sabe que o filho não dorme longe do colo dela, agarrado ao seu cabelo e próximo ao seu coração, ela sabe.  Ou teria ela esquecido que eu sou o seu menino, o primeiro e o último, se filhos não pode ter mais?  Ontem eu não conversei com ninguém. Estava triste e só pensava em dormir e dormi. E foi dormindo que eu a vi novamente.  E como mamãe fica bonita quando sorri e mais bonita quando me abraça e me beija. Nem aquele vestido com folhas estampadas e o tênis branco que gostava tanto tiravam o encanto que tinha.  Engraçado é continuar questionando uma pessoa que há muito não convive conosco, como questionava tempos atrás.  Penso que nem tão cedo concordarei com a sua partida, mesmo que já não a tenha ao alcance dos beijos que podíamos ter dado mais e não demos.  Meu Deus! Por que essa vontade  tão grande de chorar por quem não me escuta, não me vê e não fala comigo?  Antes, até me ouvia e até falar comigo ela falava, mas acreditar que eu posso esquecê-la é de mais. — Ouviu, mamãe o que eu disse?!, a senhora pode estar certa, como sempre esteve com relação ao que eu sou, mas erra quando pensa que sabe o que eu sinto.  E o pior é que não sabe. Aliás, nunca soube, eu acho.
Descanse em paz, mamãe, aí, onde estás e também aqui, nas minhas lembranças.