segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

HOTEL DAS ESTRELAS

    


     Um dos primeiros empregos que eu tive e talvez o que mais tenha mexido com a minha cabeça foi trabalhar de porteiro num hotel nos Arcos da Lapa, no centro do Rio. As instalações não eram de mau gosto, mas luxo não tinha muito.  Talvez para morar não fosse o mais indicado, apesar de algumas pessoas estarem lá há anos.  A maioria só passava uma noite ou duas por diversos motivos.  De vez em quando aparecia uma garota com namorado fugida de casa, mas no dia seguinte chegava o pai e um policial para buscá-la. Os melhores quartos pertenciam as cortesãs, como os autores de livros gostavam de chamar  as prostitutas, e era com elas que eu conversava quando voltavam das festas cheirando a bebida. De vez em quanto um motorista me chamava para ajudá-lo a tirá-las do táxi, mas para puxá-las escada acima até o quarto nunca aparecia ninguém. Até acompanhá-las ao banho já fui convidado, mas naquele estado eu não me arriscaria perder um emprego que, de certa maneira, pagava a faculdade e me ajudava nas despesas com meus pais.
O dono do hotel era um velho de 69 anos casado com uma garota de 30.  Dizem que ela o ameaçou, caso não parasse de dar em cima das hóspedes, até de abandoná-lo a mulher o ameaçou.  Ela não o queria surrado por maridos ou cafetões furiosos. Devo o meu emprego a essa mulher que afastando o marido da portaria me permitiu assumir seu lugar. Eu só fui selecionado porque era discreto e poderia guardar os segredos do velho, como me pediu logo depois. 
O natal chegou cinco meses depois da minha carteira ser assinada e só então eu tive o prazer de conhecer Dona Alice,  a mulher do patrão.  Ela era bonita e muito se parecia com minha tia,  irmã de mamãe.  Só um pouco mais nova. Tinha uma coisa naquela mulher que me secou a boca quando entrou pela porta e mais seca ficou quando ele nos apresentou.  Aquele sorriso largo abriu qualquer coisa dentro do meu coração. Muitos dizem que eu minto com facilidade, mas juro que estou falando a verdade.  Às vésperas do natal o marido me chamou para jantar com eles, mas como já tinha prometido passar com meus pais, agradeci, mas prometi dar uma passadinha na volta para lhes dar um abraço e avisaria quando estivesse saindo. Só que ninguém apareceu para me receber. Talvez pelo avançado da hora já estivessem dormindo.  Na saída vi um carro estacionando na frente do prédio com D. Alice na direção. Tinha levado o marido ao hospital onde tomava soro naquele momento e só voltou por ter visto, no celular do marido, o WhatsApp que eu havia mandado.  Pensei em ir ao hospital para vê-lo, mas ela não permitiu. Puxou-me para dentro para, em nome da nossa amizade, brindar a confiança que o marido tinha no meu trabalho e em mim.  Ás três da madrugada o celular da moça tocou.  Era do hospital avisando que ele estava melhor e esperava por ela.  A gente se vestiu às pressas e cada um seguiu seu caminho. Não estou mentindo, mas aquele foi um dos melhores natais que eu já passei.  Pena que o marido não aguentasse beber o tanto que diziam beber com as mulheres do meu trabalho. 

42 comentários:

  1. Pues es un relato muy bien desarrollado, con esa pareja especial.

    Un abrazo

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  2. Una historia un poco extraña, amigo. Pero supongo que debes tener muchas más anécdotas si trabajaste en un hotel. Te sugiero que revises tu narración, ya que se repite dos y hasta tres veces las últimas estrofas. Un abrazo.

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  3. Como sempre uma história engraçada e muito bem contada.
    Cuide-se amigo.
    Abraço, saúde e boa semana

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  4. Que história hehe <3

    www.pimentamaisdoce.blogspot.com

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  5. Não lhe faltou jeito para arrumar o presépio, Sílvio!

    vendo a foto, relembro que li a história desses Arcos da Lapa
    e para portugueses que muito frequento o seu blogue talvez não saibam que se trata da obra de grande porte feita pelos portugueses
    copiado da net,
    Os Arcos da Lapa, também conhecidos como Aqueduto da Carioca, foram construídos no século XVIII, entre os anos de 1725 e 1744. O objetivo da obra era transportar a água da nascente do Rio Carioca até o Largo da Carioca, a fim de abastecer a população da cidade.
    Os primeiros estudos para trazer as águas do Rio Carioca para a cidade remontam a 1602, por determinação do então governador da Capitania do Rio de Janeiro, Martim Correia de Sá (1602-1608). Mas só acabou por ser construído mais tarde, inaugurado em 1750, inspirado no Aqueduto das Águas Livres que se erguia em Lisboa
    aqui a historinha resumida:
    https://www.youtube.com/watch?v=MJe1gD_YcDs

    abraço

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    1. Peço licença ao Palhaço Poeta,
      para aplaudir e gritar: bravo!,
      para esse extraordinário
      comentário tão rico de
      maravilhosas informações.
      Obrigada de verdade.
      CatiahoAlc.

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  6. Palhaço Poeta,
    Se fechei minhas visitas
    do mês de janeiro por aqui
    nada mais justo que começar
    minha leitura do mês de fevereiro
    desse 2021 também por aqui.
    Eita presente de Natal mais
    gostoso! Época boa para
    presentes assim 'especiais'.
    Adorei o expediente de D.Alice,
    muito perspicaz.
    Lá no Espelhando essa semana
    estou falando de Bibliotecas, e
    sei que você sempre teve uma
    ótima relação com elas e que
    ainda hoje a começar pela que
    tem que é bem rica e significativa
    a Vilma e mãe dela sabem bem disso.(rs)
    Bjins de Esperança renovada.
    CatiahoAlc.

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  7. Sempre, nestas histórias, muito bem contadas, um pouco de safadeza, meu Amigo... É o seu jeito...
    Uma boa semana com muita saúde.
    Um beijo.

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  8. Olá Silvio
    Passando para te desejar uma ótima segunda-feira. Abraços.

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  9. Mais uma estória tirada da cartola! Muito bem!! :))
    -
    Tenho ciúmes, confesso ao céu estrelado
    -
    Beijo. Uma excelente semana.

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  10. Olá caro amigo Sílvio!
    Um poeta que faz sorrir minha alma!
    Um beijinho de luz!
    Megy Maia🌺💜🌺

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  11. Uma bela história não sei se é verdadeira ou real , mas eu adoro histórias mesmo inventadas Saúde e proteja-se.

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  12. Outra bela e muito bem narrada aventura, mestre! E confesso que você fez bater uma saudade em mim, quando pensei naqueles velhos hotéis dos Arcos da Lapa! Meu abraço, boa semana.

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  13. Mais uma Estória instigante de um homem galanteador e engatatão, ;)
    .
    Feliz início de semana.
    Cuide-se
    .
    Pensamentos e Devaneios Poéticos
    .

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  14. Olá!

    Sabe, amigo,

    também trabalhei num hotel. Como rececionista.

    Mas o pessoal da noite sabia mais coisas...

    Saudações poéticas!


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  15. Oi Silvio!
    Os dispostos sempre acham um jeito e até o acaso acha um jeito de acontecer, para o bem ou para o mal.
    Esse hotel me fez lembrar dos hotéis aqui no centro de São Paulo, numa região que chamavam de "zona"foi no tempo que trabalhei no Bradesco e muitos eram clientes da agência, nunca tinha pensado nisso, será que alguns eram tipo bordel? A região (Pça Julio Mesquita, Aurora...) era perigosa, uma vez levei um soco muito forte que veio do nada, quase me derrubou e fiquei dias com um zumbido no ouvido.
    Se o natal foi bom, que bom!
    Abração, amigo!

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  16. Três Estrelas: a do título que é interessante; a da sorte que o presenteou com o emprego e as estrelas que vocês viram na madrugada de natal.

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  17. Sílvio, adoro o teu jeitinho de contar histórias.
    Reais ou inventadas, isso pouco importa, pois são sempre 5 estrelas.
    Beijo, saúde.

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  18. parece ser tido um natal mais ou menos heheheheh bjs saude

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  19. Esse é um retrato da realidade...A mulher trai o marido e o marido trai a mulher...e sigamos o baile, aliás, a vida! Um abraço Silvio!

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  20. Uma bela estória, se real ou inventada pouco importa, pois a narrativa é muito boa mesmo!!
    É muito bom te ler!
    Beijos!

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  21. Sin duda la mejor de las Navidades. Muy lindo texto amigo Silvio. Saludos.

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  22. Olá, caro amigo Silvio! Enviei a partir do Rio de Janeiro uma coletânea, da qual faço parte. Aproveitei que um parente foi visitar outro parente e, o pedi que postasse dai para ser mais rápido. Grande abraço!

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  23. Sempre aplaudo suas postagens, Silvio. Criatividade e humor não lhe faltam. Nem tempero, que usa na medida certa em seus contos. Abraço.

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  24. Silvio, pode ter certeza que assim que essa vacina for geral irei ai pra gente tomar aquela cerva, ok! Abraços!

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  25. Amigo Silvio,
    Eu acredito que porteiro de hotel veja de tudo um pouco, casais brigando, mulheres bonitas circulando, maridos ou namorados enciumados, moradores chegando bêbados, crianças jogando bola no saguão, sem dúvida são muitas histórias pra contar!
    Abraços amigo!

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  26. Caro mestre, suas histórias são deliciosas, os hotéis da Lapa têm essa aura de encantamento, de um momento do Brasil que se perpetuou. Foi um Natal inesquecivel, muito legal. Abração..

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  27. À noite a história é sempre diferente!

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  28. Es como si fuera una agradable charla al lado de una fogata.

    Abrazo

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  29. Que história!
    Sempre gosto das suas histórias
    parabéns.
    cuide-se e bom fds! :D

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  30. Una buena Navidad :))

    Un saludo grande.

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  31. Una bella Navidad contada con mucha ternura entre sus letras.
    Me ha encantado la visita.
    Abrazos desde mi Botxito.

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  32. Escribí un comentario y no aparece.
    Decia que nos ha snarrado una bella Navidad, llena de ternura entre sus letras, amigo.
    Volveré a disfrutar de tus lecturas.
    Abrazos con cariño.

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  33. Hola, Silvio. Por fin puedo pasar por aquí. Disculpa el retraso y es que no llego a todo. Agradezco muchísimo tus visitas y comentarios a mi blog y me satisface que disfrutes de las imágenes y las letras.
    Disfruta de este domingo y besos.

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  34. Foi mesmo um Natal em grande!
    Aqui na minha terra as pessoas costumam dizer que às vezes a desgraça de alguns é o bem dos outros! Foi o caso amigo Sílvio! 🤣

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  35. Una Navidad inolvidable, ha dejado huella en tu corazón.
    Agradezco tus letras en mi espacio, me alegra que no me hayáis olvidado a pesar de que llevaba más de un año sin publicar.
    Seguiremos en contacto.

    Cariños y buen comienzo de semana.
    Kasioles

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  36. Por aqui há jeito para contar histórias...

    Isabel Sá  
    Brilhos da Moda

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  37. Me encanta la arquitectura histórica, sobre todo visitar esos museos de cultura.
    Saludos

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POR FAVOR, NÃO SAIA DE CASA
(Se possível, fique na sua casinha,
não receba ou faça visitas. Não abrace
ou se deixe abraçar porque se você não
pegar o vírus não me mata e eu não
mato os outros.
((silvioafonso))


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