segunda-feira, 31 de agosto de 2020

DOSE PRA CAVALO (Lado 1).

     

     Acompanhei minha mãe numa viagem à casa da irmã dela. No dia seguinte titia nos levou a uma festa onde um cara, meu Deus, mas que cara bonito, decidiu dar em cima de mim. Ah, se eu não fosse casada... Se eu não fosse casada faria com ele o que as prostitutas fazem com quem paga bem.
 No melhor da festa quiseram ir embora e para evitar qualquer tipo de tentação decidi ir com elas, mas, quem me aparece trazendo um champanhe, duas taças e põe uma na minha mão? O gato. Eu já tinha bebido o bastante, mas não recusei. Brindamos uma, duas e sei lá quantas vezes, mas o suficiente para não me lembrar mais de nada, que dirá se eu era ou não era casada. Deixei que fizesse comigo o que no seu lugar  eu faria com ele. Atrás da casa, para onde fui arrastada, ele fez de mim a princesa que eu sou e a puta que me tornei naquele momento. Sinceramente não sei como me deixei convencer. Bastaram umas doses, uma hora e meia de papo pra tirar meu sossego, minha razão, minhas roupas e fazer de mim o que todo cafajeste deve fazer. Ele, apesar de bonito, era rude, forte e tinha um baita cheiro de macho. Aí eu não resisti e deixei que me acariciasse os  seios, as coxas e passasse aquela mão, aquela mão enorme no meio das minhas coxas. Colocou-me de encontro à parede e abriu minhas pernas. Abaixou e meteu a boca onde ninguém se atreveu, nem mesmo meu marido. Deus, como sonhei com aquilo!   Em retribuição enfiei a metade daquele gigante na minha boca e olha que ele era grande.  Só em filmes de sacanagem eu vi parecido. Meu marido era pinto perto dele. Depois me virou de quatro, afastou minhas pernas e aos poucos forçava a entrada. Eu estava muito excitada, mas custou mesmo assim. Custou, mas entrou. Não a metade, mas todo. Ele empurrava, de vagar.  Beijava meu pescoço, mordia minha orelha, lambia minhas costas e eu, querendo ajudar, controlava tudo com uma das mãos. Talvez para não doer mais do que já estava doendo. Dei vários gemidos até que entrou a metade.  A dor deu lugar ao prazer e ele sumiu todo dentro de mim, até  usei a mão para ter certeza.
Gente, eu consegui!
E ele estocava. No princípio devagar para depois estocar com mais força. Estocava e me chamava de puta, de safada, bandida. Ele e muito menos eu sabia o quanto aquilo me excitava. Eu nunca traí ou pensava trair meu marido, mas já que aconteceu, tudo bem. Naquele momento eu não queria pensar em mais nada além dos orgasmos a que eu tinha direito. E os tive não uma ou duas vezes, mas muitas, muitas vezes. Até desfaleci com aquilo dentro de mim. Depois me carregou para casa e como era tarde  só mamãe nos recebeu. Estava desconfiada, mas não falou nada. O gato foi embora e eu entrei pra dormir. Acordei toda doída e como mamãe resolveu ficar mais dois dias eu corri para os braços daquele animal. Sim, porque entre ele e o cavalo não há diferença nenhuma. 
Quinze dias pra desinchar. Mamãe disse que me entendia e confessou que também ficava inchada quando visitava a irmã. 
- Por que não falou antes, mamãe? – gritei avançando pra ela – se tivesse falado eu não ficava me corroendo com esse remorso a não ser que a senhora não o sentisse quando voltava doída pra casa.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

O IDIOTA.

 
     –Se o cara daquela barraca não parar de olhar para cá eu vou me aborrecer. Ontem só faltou me comer com os olhos.  Será que nunca viu ninguém de biquini, e se não viu, por que não vai na areia que está assim de mulher mostrando tudo ao invés de ficar, tipo lagarto diante dos ovos?  Se não parar eu vou lá, já disse, e  se duvidar  mando tirá-lo do Camping.  Duvida só pra ver...
Luciana se irritava por qualquer coisa fora do normal. A prima e o namorado, com quem dividia a barraca, morriam de rir com o seu mau humor.
 – O cara. Ah, esse idiota de calças num calor desse? Dizem que é empresário, mas o que adianta se faz tudo pra parecer o babaca que eu acho que é?  Enquanto os amigos correm com as pranchas pra água ele fica como cachorro vigiando osso.  Essas coisas me tiram do sério.  
Luciana, mulata alta, magra e como advogada que se tornaria, reclamava de toda e qualquer extravagância. Só não reclamou quando veio falar com ela.
– Oi, tudo bem, posso falar com você? – Disse estendendo a mão. – Eu não sou bom com o seu idioma,  mas preciso muito falar com você. – Disse num português muito claro para o russo que dizia que era.
– Entra, senta aí – falou Luciana apontando um banco ao lado da porta.  O rapaz era grandalhão, tinha 1,90m de altura e uns 100 quilos mais ou menos, porém manso como a  brisa das manhãs. Ia começar a falar quando foi interrompido.
– Por que não tira essas calças e veste um short? – Luciana quis saber?
– Bem, eu prefiro ficar assim em respeito as pessoas e principalmente a você.  Portanto esqueça as calças e falemos de você...
– Não senhor, agora fiquei curiosa. Por que não pode mostrar as pernas, você usa prótese, tipo perna de pau, é isso? – perguntou abrindo os braços.
– Não, não é nada disso, mas é como se fosse. Posso até mostrar, mas pra ser sincero, eu não gostaria. Mas olha bem, eu só mostro se você insistir, caso contrário esquece.
– Não, eu estou preparada.  Mostra aí, vai! – Disse sorrindo.
– Então tá. Mas não diga que eu não te avisei.  O russo levantou e abaixou as calças até os joelhos.  Luciana quase caiu para trás.  O sujeito parecia um senegalês com aquilo espremido dentro da roupa.   Luciana fingiu que achava aquilo normal, por isso abriu uma cerveja e deu para ele.
– Você não vai beber? – Perguntou ele. – Não, não vou.  Quer dizer, só tem essa. Depois eu bebo – Respondeu meio sem jeito.  – Vem comigo que eu tenho na minha barraca – falou levando Luciana com ele.
Duas horas mais tarde voltou toda feliz.  Nem a prima e muito menos o namorado perguntou qualquer coisa, até porque ninguém ia acreditar que aquela que lutava pelas coisas normais encontraria a felicidade com uma fora de todos os padrões. 

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

FALOU COMIGO?

       

       Ah, pelo amor de Deus, para de duvidar do que digo. Para de achar que todo homem é banana quando não é cafajeste e de chamar de safada quem sai com amigos e volta de pilequinho.  Para! Para porque nem tudo o que dizem os olhos é verdade. Deixa que façamos da vida o que bem entendermos ou pensarei que aquilo que fiz, e faço, é pecado ou não passa de uma grande mentira.  Deixa, mas acredite que dentro da lei e da anuência das minhas personagens tudo o que faço é viável e também prazeroso, e se elas não gritam de felicidade é porque as proíbo. Não quero que as taxem de mentirosas como fazem comigo.  Pare de julgar a mulher que bebe a ponto de rir de si mesma, pois não é por estar em um bar que esteja a procura de homem.  Lembra do Rafinha, aquele que posa pra revista de modas e vive contando vantagem? Pois ele, esse mesmo, encheu a cara e veio cantar a mulher que há horas bebia com a gente.  Acontece que o idiota foi posto a tapas e pontapés pra fora e para seu azar a garota, além de graduada em artes marciais, exerceu, a seu modo, o direito de reprovar o atrevimento do sujeito. Será que essa gente não pensa que tudo é possível até que um NÃO seja dito? Eu trato todo mundo de igual para igual, porém as mulheres, essas eu trato com mais respeito e cuidado. Cara, eu tenho direito de curtir minha vida como todos têm de curtir a sua e a única diferença é que eu trato as mulheres como se fossem de vidro, uma taça fina de cristal. Por isso eu só falo o que me permitem e se não espalham aquilo que eu faço é porque as proíbo.  Não quero que passem por mentirosas ou invejadas por suas amigas.  Eu, cavalheiro que sou, assumo o que faço, quer acreditem quer não. Sou o que Deus fez de mim e a vaidade só não me toma nos braços porque entendo que elas, com quem tenho saído, merecem o carinho e o respeito que lhes dou.  Isso para não expor a intimidade da gente.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

ABUSO DE PODER

     
      Mas não fiz nada, meu senhor, juro por Deus! Eu só parei para atender uma ligação quando alguém pediu pra tirá-la dali e por ser mulher e bonita eu perguntei, sorrindo, pra onde queria ir. Me leva pro inferno, Arthur, só não quero que meu pai me veja com você - teria dito. Aí eu respondi, brincando,  que a levaria pro motel e como não disse nada, levei. Aí tomamos cerveja e "conversamos" numa boa, mas nada que ela não quisesse aconteceu.  Pode acreditar, pergunta a ela! Se eu a obrigasse não ficava me beijado e feito o que faria com esse tal de Arthur, sei lá como se chama o sujeito que achou que eu era.
Parece história de maluco, mas é verdade, podes crer. Ela sabia o que estava fazendo. Acontece que não sou a pessoa com quem achou que estava se encontrando, mas como não me ouvia  eu toquei pro primeiro lugar que me ocorreu. Na saída topamos com o senhor e a polícia me mandando pôr as mãos na cabeça como se eu fosse bandido e até me trancaram na caçamba da viatura como o senhor bem notou.
 Doutor, não obriguei ninguém entrar no meu carro e muito menos ir comigo pro motel, mas não quiseram me ouvir...  Bastava uma palavra e eu teria ido embora, mas como o senhor pode ver ela chora, mas não larga minha cintura. Se eu soubesse de quem era filha, aqui, oh!, que pegava a mulher. Pegava nada.  Fingia até que não gostava da fruta.
Gente, foi um sufoco na delegacia.  O medo era tanto que não "passava nem agulha".  Achei que ia morrer.
A confusão levou a noite toda. Só terminou porque um advogado amigo meu chegou pra soltar um cliente e me soltou também ou estaria morto numa hora dessa,  eu acho.   Estupro de vulnerável  como o pai falou o meu amigo desmentiu, já que ninguém ali era menor, como ficou provado.  Fiquei muito chateado com tudo aquilo, mas não devo me queixar, pois, se me perguntar eu digo que faria tudo de novo. Gente, nunca uma garota fez o que gosto num espaço de tempo tão pequeno. Ainda sinto o doce daqueles beijos e o perfume do corpo dela exalando do meu.  Amanhã, quer toque ou não toque o celular, o meu carro estará subindo a calçada e, quem sabe, um anjo não entra de novo no carro e me leva pro céu de onde tanto gostei?  

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

PALAVRA SÓ DÁ QUEM TEM.


    Há muito não sei da vida dos outros e da minha ninguém tem notícias faz tempo a não ser que me promovam a padre, me contem seus pecados sem a obrigação de levá-los comigo pra sepultura, aí eu conto.  Marthielo, filho de um velho amigo de noitada me procurou pra conversar. – Pô, cara.  Vim levar um papo contigo e me dizes que vais sair...  –  falou meio sem jeito.  
– Tenho um compromisso na Gávea, mas venha comigo pra conhecer a galera.  Meti o sujeito no carro e toquei pra pracinha Santos Dumont, no Baixo Gávea,  onde se toma umas e outras e se fala de  sexo, de droga e de rock in roll.  Não sei se ainda rola essas coisas, mas na época varávamos a madrugada.
– Senta aí, bonitão, bebe com a gente, vai! – Disse a loirinha entregando um copo  pra quem agradeceu com um sorriso, mas não bebeu –  se não bebe pede  um suco, bebe água ou vem comigo que te apresento um cara que tem o que talvez você goste – disse apontando para um gordinho que vinha passando.  Ele sempre tem uns comprimidinhos com ele –  disse com um largo sorriso.
– Não, cara! Tu ta maluca! – Gritou  se levantando...
Depois me arrependi de deixá-la fazer aquilo.  Pensei até que fosse pedir para ir embora, mas não pediu.  Ficou pra justificar as cervejas e a  garrafa de vodca que tomei durante a noite.  Quanto a ele, coitado,  não se afogou no aguaceiro que bebeu não sei por quê.  Às 5h, disse ele, já não entendia o que eu falava e antes que eu dissesse que música alta nos ensurdece ele  me disse que a orquestra deixou de tocar bem antes das duas e às 3 já não tinha mais ninguém na pracinha.  Tomei a direção do carro e tocamos de volta pra casa.  O pai, muitas vezes, me deu provas de sua amizade, mas o filho naquela noite me deu muito mais e como o dia clareara sugeriu que fôssemos tomar café na casa deles  com o que concordei.   O pai, amigo de velhos tempos, ficou feliz em vê-lo comigo (digas com quem andas) enquanto a mãe, pobre mulher, fechou a cara ao me vir com a cria.   “Comigo só anda quem não tem o que perder”  – teria dito ela uma vez.  Sorte que a Rolleiflex do marido jamais me pegou com drogas ilícitas além do rock, do sexo e das bobagens que digo e escrevo quando estou fora de mim.   Tomamos café com tapioca de calabresa com queijo prato que ela fez por saber que eu gosto.  Gente a mãe do Marthielo entende do negócio, pensei.  Comi duas sendo que uma tinha goiabada no lugar da linguiça.  Às 10h o pai se desculpou, pois tinha um batizado para fotografar enquanto a mulher  que displicentemente puxava a alça da blusa para o lugar me apertava para saber aonde levara seu filho e a quais caprichos o submetera.  Fez tanta pergunta que se Marthielo não estivesse ali eu acharia  que ela queria saber se as pernas cumpridas que  tenho podem pular ou preciso passar por baixo da cerca que separa a mulher direita, como ela se acha, da mulher realizada, tipo as que acha que dormem comigo na minha cama,  segundo me contam,  e que tanta  inveja  lhe causam.   Depois  conto mais se me garantirem ficar de boca fechada como fico com a minha.