sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

DE FAMÍLIA.

     Eu me comporto como um cara de posses, de bons costumes e muito bem relacionado, daí o meu sucesso com a mulherada.  Agora aqui pra nós; se eu fosse obrigado a falar a verdade me negaria dizer que não tenho onde me deitar pra morrer. Mas enquanto não me obrigam vou curtindo tudo o que tenho direito, como encontrar-me com a gata por quem venho arrastando asa e que, por sorte, também confunde ator com personagem. Eu, pra ser sincero, não gostaria de ofendê-la com as mentiras que sustentam minha pose e muito menos com a verdade que me fraqueja as pernas.  Se Deus, esse ser misericordioso, virasse de costas por uns instantes eu a convenceria das minhas mentiras só para levá-la aos meus aposentos ou ela, quem sabe, me levar aos dela. O primeiro passo foi dado ou não aceitava o convite pra conversar. Vagando em pensamentos quase não a percebo sentar-se ao meu lado.
- Débora, me chamo Débora  disse esticando a mão.
- Paulo  menti apertando a mão dela.
 Ajeitou-se no banco e cruzou as pernas. Uma cumpridona como a outra que de tão bem torneadas pintaram de vermelho o meu rosto.
- Sou toda ouvido, pode falar.
Afastei do meu ombro o demônio que me atentava e falei sobre a vida dos nobres como se falasse de mim e quando perguntei pela dela contou-me, na maior simplicidade,  dos namorados que teve e do pai insistindo que trabalhasse. Não escondeu a vontade que tinha de sair de casa, mas não sem antes completar os estudos.  Falava com certa tristeza, como criança justificando uma arte e eu a ouvir como surfista a espera da onda.  Calamos por alguns segundos para gargalhar das bobagens que falamos logo depois e não fosse o sorveteiro e o calor que fazia e estávamos rindo até agora.
- Adoro passas ao rum.
- Já eu coco com goiabada.
A cobertura escorreu e só não sujou a blusinha porque eu a lambi e o fiz com tamanha avidez que até me surpreendi com a velocidade com que enfiei minha língua naquela boca de passas ao rum. Meti  meu linguão com tanta vontade que arrepiei os pelos do corpo dela se não os tinha raspado. Com os olhos na minha boca deixou-se lamber até o fundo da casquinha. Duas horas depois não mais se lembrava do gosto que tinha. Chupava o que não tinha gosto nenhum. Não era gelado, porém mole muito menos.  E chupou como se nada disso fosse verdade. Quer dizer, se derreteu com aquilo atochado na sua garganta ali, agarradinha a mim, seu fiel sorveteiro. Em suma: nem por toda verdade  do mundo a garota, pelo menos naquele momento, largaria mão do prazer que a mentira lhe deu.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

SÓ OLHAR...

       
       Eu penso que todo mundo sabe que menino acorda do mesmo jeito que noivo em noite de núpcias. Pois é. Acordam com a lança em riste tal qual gladiador lutando por sua vida. Hoje, talvez dos meus amigos eu seja o mais jovem dos velhos que somos. Pois acreditem que ainda acordo como eles acordavam quando eram pequenos ou seja; com a agulha da bússola apontado o norte e sempre que tem gente  em casa na hora de me levantar eu fecho os olhos bem apertados e penso na morte da minha mãe. Gente, só de pensar que minha mãe pudesse morrer a agulha da bússola,  por mais imantada que seja, se transforma em linguiça de porta de venda.  Minha mãezinha que me perdoe tocar no assunto, mas como  contar essa história sem falar que menino macho acorda de piru duro do jeito que sem querer eu contei? Só com ele pendurado como linguiça de porta de venda diriam vocês ao passo que mamãe daria na minha cara.
No carnaval daquele ano a garotada resolveu sair no bloco do sujo.  Bloco de sujos é um amontoado de menino vestido de menina e elas vestidas de menino.  No dia do desfile eu não teria acordado se a turma não me chamasse. As meninas me viram deixar o quarto esfregando os olhos e qual não foi seu espanto me vendo naquele estado? Os garotos que esperavam no portão porque mamãe os queria lá fora souberam do caso, mas nada disseram. Pelo menos naquele momento. As mais sabidinhas já tinham visto, mas tocar, só as mais saidinhas enquanto as bobinhas, bem essas só algum tempo depois. Mas, voltando ao momento em que se descabelavam diante da imagem que, sem querer, permiti que tivessem. Foi quando mamãe berrou e eu nem precisei pensar na morte dela pra me recompor, pois um segundo depois eu já estava como o Toninho, o Edinho e o Sérgio neguinho estavam lá fora; molinho molinho. Daquele momento em diante passaram a me olhar com outros olhos: os meninos com um tiquinho de respeito e um montão assim de inveja, enquanto as meninas...
Dizem as más línguas que umas caíram da cama com o sonho que tiveram e que os moleques não dormiram na noite em questão.
Ah, o desfile do bloco foi um sucesso. Pelo menos pra mim.

sábado, 22 de fevereiro de 2020

TEM GENTE NOVA NO PEDAÇO

      
    É muito difícil morar em apartamento, como disse no texto anterior.  Antes era um cachorro e uma criança que corria atrás dele gritando à um metro e meio acima da minha cabeça e isso a qualquer hora e a todo momento. Durante o dia, tudo bem.  Mas na hora do meu descanso é que o bicho pegava. Enfim, como diz o ditado: não tem mal que dure pra sempre e nem bem que nunca se acabe e graças a esta certeza eis que os vizinhos indesejáveis resolveram deixar o lugar. Ajuntaram as tralhas em um caminhão de mudança e partiram pra enlouquecer outro infeliz. Um mês inteiro de silêncio e sossego pra minha cabeça.  O apartamento foi limpo, pintado e alugado aos atuais moradores.  Marido e mulher sem filho e bicho pra cuidar, como me disse o porteiro.  Quem mora em apartamento tem por hábito tentar adivinhar quem são seus vizinhos e é através do barulho que a coisa acontece.  Esses, por exemplo, são uma incógnita porque o cara bate a porta, que me acorda, às 6 da manhã. Pega o carro e só volta às 8 da noite, enquanto a mulher, coitada, começa a gemer tão logo sai o marido.  Na parte da manhã, até a hora do almoço é que eu acho que tentam matá-la por estrangulamento tais os gritos que vêm lá de cima.  Á tarde é a dor de dente que leva umas duas horas para passar, ao que eu me pergunto: por que não ir ao dentista para cuidar do incômodo?   Á noite ela chora, resmunga feito criança, mas já não sei se por causa do dente ou por outras torturas que venha o marido a fazer. Agora, se alguém ama alguém a ponto de morar junto, por que não livrá-lo do sofrimento da dor? – Me pergunto.  
Ontem o porteiro me apresentou à pobre mulher. Jesus do céu como é feia! Eu até tive pena da criatura. Feia e sofredora.  Tudo junto.  Mas aqui entre nós: o que Deus deu de feiura recompensou com um corpo bem feito, seios pequenos e durinhos e muito bem torneados.  Cinturinha fina, um par de pernas de causar inveja à Cláudia Raia e uma bunda não sei de quem. Fora a doçura com que nos trata.  Aparentemente não sofria de mal que a fizesse chorar, gemer e gritar como eu ouvia e mesmo com gente em casa com ela, pelo menos voz de homem ou de mulher rouca eu escuto quando coloco a boca do copo na parede e o fundo na minha orelha. Mas deve ser gente que vai socorrê-la, claro. No elevador trocamos algumas palavras entre as quais o número do celular que ela fez questão de dizer e eu de não decorar.  Gente, do jeito que sofre essa mulher o papo não é outro senão sobre doença e esse é o tipo de conversa que não quero ter. 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

VIAJAR É PRECISO.

   
   Ontem eu fui ao andar de cima reclamar do cachorro que não me deixou dormir. Toquei a campainha, bati à porta e nada. Ninguém pra dar um basta naquilo, e o bicho ali, coitado. Uivando como loba no cio. Depois de muito insistir decidi ir embora. Eu já ia descendo as escadas quando o elevador deu sinal. Era ela. Pelo menos eu achava que fosse, e era.  Chegava de onde eu não fazia o menor juízo.
– Boa noite seu silvioafonso, o senhor por aqui? – Perguntou com ar de quem tomou alguns drinques.
– Sim senhora, eu mesmo. Tentei falar com vocês, mas como ninguém atendia o interfone decidi subir pra ver o que está acontecendo com seu cachorro que late como se estivesse sofrendo e como  eu morro de pena dos bichos, subi pra saber se precisavam de ajuda – menti.
– Entra pra gente conversar.  Já é tarde e os moradores querem dormir.
    "Ufa, eu vim buscar lã e acabo levando a ovelha". – Tudo bem, dona Claudete.  Mas e o seu esposo, não vai reclamar do avançado da hora?
– Claro que não, até porque eu não tenho marido, pelo menos enquanto ele estiver viajando. Entre por favor e fique à vontade enquanto tomo uma ducha. É rapidinho. 
"O cachorro já não latia, mas devia ser cego pra achar que a minha perna estivesse no cio".  Dona Claudete se abaixou pra acabar com a alegria do bicho, mas me excitou muito com os seios vazando pra fora da toalha. Segura a toalha e solta o cachorro ou segura o cachorro e continua me mostrando essa coisas, dona Claudete. – Gaguejei muito, muito nervoso. Ela riu. De fato ela riu, mas eu não. Principalmente quando disse que assim que eu saísse ela ia dormir, mas antes beberia qualquer coisa e se eu não queria acompanhá-la. Um drinque, pelo menos.  "Que susto, pensei que fosse pra dormir com ela". 
 – Claro! Até para o inferno eu iria com a senhora, tive vontade de dizer, mas não disse. Pelo contrário, falei que me sentia honrado em beber com pessoa tão agradável.  E bebemos bastante.
   O cachorro dormia quando o sol bateu na janela. Dona Claudete, que tinha deixado a toalha não se sabe onde, dormia agarrada como não quis que o cachorro ficasse ao passo que eu a mantinha agarradinha como a cadelinha ficaria no cachorro dela se ela deixasse. 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

VELHO É A VELHA!

   
     Meus amigos não falam, mas sabem que me comporto como se tivesse 30 anos. Acontece que só me dei conta disso quando fui ao Maracanã com meus filhos.  Nesse dia uma dessas adoráveis criaturas me fez entender que a vida que eu penso levar não é nada mais que um filme rodando na minha cabeça. Foi quando entendi que na realidade não passo de um velho amontoando tralhas num canto para não esquecer quando for embora.  No dia do jogo notei que um me tratava  como se eu tivesse 5 anos e não como o pai dele, que sou.   A cada depressão do terreno, um meio fio fora dos padrões, uma rua para atravessar,  lá vinha ele segurar no meu braço fingindo que era  pra não se perder.  Hoje eu entendo que era ele cuidando de quem se nega acreditar que precisa.  É um tipo doce e espontâneo de provar seu amor pelo pai, enquanto o outro, mais velho, o faz de maneira diferente: em silêncio.  Da mesma maneira como se sonha um sonho bonito ou se tem lembranças de coisas que agradecemos por não tê-las esquecido: em silêncio.   E é em silêncio que ele me prova a grandeza do seu amor. Fala pouco, mas o suficiente para que entendamos que atitude é mais importante que palavra em demasia.
Falar de filho nunca foi uma boa a não ser na sua presença porque longe é sinal de vaidade e exibicionismo. Eu sei que tem hora que não dá pra segurar e por isso gritamos pra quem tem ouvido para escutar o quanto amamos nossas crianças e o quanto por elas somos amados.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

EU NA CRECHE.

    
    De segunda a sexta-feira não se abre cortina e muito menos janela entre 7h e 17h no meu apartamento. Nesses dias as professoras da creche ao lado do prédio onde moro se juntam pra falar do que rola nas redes sociais enquanto a molecada se farta na areia do parquinho. Tem vez que resolvo arregaçar as cortinas, escancarar as janelas, tirar a camisa que estou vestido pra olhar a petizada jogar areia um no outro, puxar as tranças da coleguinha, pular corda e amarelinha e tudo ao som da doce e agradável gritaria.  Mas isso depois de um balde de Heineken bem gelada pra dar coragem ou nem cortina eu abria, claro. Aí, depois de ter ido para a galera, essa mesma galera, que o dia inteiro ouve nervosa os gritos das crianças, finalmente me descobre na janela do apartamento completamente nu, como acham que eu fico. É risinho daqui, piadinha dali até que eu sumo. Sumo, mas apareço dançando ao som de um bolero que ponho pra tocar. O som não alcança os ouvidos das curiosas porque a algazarra é grande, mas o gingar do meu corpo já dá entender às operárias da educação que um homem alto, boa aparência e dono do próprio nariz está ali, ao alcance de um número de celular que balbuciem ou de um encontro casual na saída do trabalho delas. E tome Heineken gelada para refresco de um e inveja de muitas que, tenho certeza, gostariam de olhar a molecada do mesmo lugar que a vejo. Infelizmente o dever me nega o direito de beber toda hora e por isso as cortinas nem sempre se deixam acariciar pelo vento e muito menos as meninas dos meus olhos vão à janela espiar as outras que só pensam em brincadeira enquanto as mestras, olhando pro meu prédio, só pensam naquilo.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

NO BALANÇO DAS ONDAS.

   
     A vida de marinheiro é ingrata com ele e com sua família. A do Rodrigo, por exemplo, que vive mais tempo embarcado do que com a Alice  com quem se casou jurando que seria o melhor marido do mundo, não seria a exceção. Talvez até fosse, se acreditasse no amor de sua mulher. Disse, certa vez, que ela só se casou por conta da estabilidade e pela liberdade que teria com ele embarcado.  Também me falou que a viu entrar no banheiro com o celular escondido e quando foi conferir percebeu que a esposa se derretia pro homem com quem falava.  Meia hora mais tarde ela saía para um compromisso inadiável de onde voltou tarde da noite.  No dia seguinte Rodrigo se dispôs a segui-la. Disse que ia sair com uns amigos e que telefonaria quando voltasse, até deixou o carro caso ela precisasse.  Alugou um Fiat com vidro escuro e ficou a espera do azar, mas não sem antes ligar avisando que não o esperasse para o jantar.  Não esperou para ver o carro sair da garagem. Com o coração apertado o seguiu até o motel, o mesmo onde cheio de amor a levou muitas vezes.  Esperou do lado de fora até que resolveu invadir o recinto. Muniu-se com um pedaço de pau e gritando palavras de baixo calão à esposa, quebrou todos os vidros do carro da mulher e só fugiu porque a polícia foi chamada.  Chegou a casa bufando e xingando e só sossegou quando a esposa, vindo do quarto, perguntou  o por quê de tudo aquilo.  Só se deu conta do que tinha feito depois que o irmão, a quem a esposa emprestara o carro para levar a namorada ao motel, chegou perguntando se ele estava maluco, se tinha pirado.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

SÁBIAS PALAVRAS.



     Maluco beleza foi o cara que disse que de sábio e louco todos temos um pouco. E não é que ele está com o a razão!  Muitas vezes ouvi quem aconselhasse outras pela vida difícil que levam e no entanto ela também vive uma vida conturbada.  Todo mundo ou quase todo mundo gosta de dar bons conselhos quando na verdade vive interrompendo o que dizem ou  completando a frase dos outros. Esse tipo de gente pode aconselhar alguém? E esses que falam de amor como se a vida dos apaixonados fosse um mar de rosas como ele dá a entender que seja a sua, quando na verdade soluça por um amor não correspondido. De sábio e louco todos temos um pouco, sim. É verdade. Mas não é para inverter a ordem das coisas. Primeiro você age como sábio, quer dizer; escuta, escuta e escuta o que o outro tem pra falar. Ouça até que o argumento do coitado se esgote e só então, olha bem. Só quando o silêncio se fizer presente é que você deverá abraçá-lo. Só isso, entendeu?, um abraço e nada mais além do abraço. Acontece que abrimos as portas, sempre, para o louco passar primeiro. Por isso esse furdúncio adoidado que se vê por aí. Cada um sugerindo ao outro o que jamais faria se fosse com ele. Ninguém foge à regra ou não falaria o que acabei de dizer.
Ontem, entre uma cerveja e outra, uma bonita senhora, muito bem vestida e pintada, ergueu um brinde a um de sua mesa. O cara deveria ter ficado muito feliz não fosse o laser dos olhos dela apontar em minha direção.  Risquei um sorriso de agradecimento, paguei a bebida e saí. O manobrista me entregou o carro e o garçom um bilhete.  Se ligo para o celular do bilhete eu me contradigo do que disse acima, ou, caso contrário, travo a engrenagem do giro do mundo.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

MEU PEQUENO PET

    
     Achei estranho Lurdinha me chamar na casa dela se mal essa garota me cumprimenta, principalmente àquela hora da noite. Todo mundo sabe o que eu faço pensando nela quando estou sozinho. Quanto a garota é uma forma de tratar até porque ela tem a idade da minha mãe. A diferença é que mamãe não mora sozinha, tem dois filhos, marido e muito que fazer em casa enquanto ela, pelo que dizem, leva vida de princesa. Tem até quem jura levar vida duvidosa. E por pensar como esses caras é que eu pago 500 Pai Nosso e 500 Ave Maria pelo pecado que me leva cometer. Eu levo mais tempo rezando que pecando, mas é vermelho como um pimentão que eu pago a penitência já que a danada da tentação não me sai da cabeça. 
Estava pronto pra tocar a campainha quando ela me recebeu. Vestia shortinho, camiseta e sandálias de dedo.  Nada provocante. Pegou na minha mão e me arrastou pro quarto dela. Jesus do céu, será mesmo que Deus existe ou sou eu que estou sonhando? Me empurrou se escondendo atrás de mim e com o dedo me apontou umas caixas que pediu pra eu abrir.  – Mas como assim, por que você  não abre?  – Perguntei. Ela, tremendo como se tivesse febre, me pedia para abri-las e foi cheio de coragem que peguei o cabo da vassoura e, de longe, cutuquei o que pudesse ter lá dentro. Depois de muito cutucar saiu uma lagartixinha desse tamanho esfregando os olhos. Parecia que o barulho a tinha despertado de um cochilo. 
– Nada sério Lurdinha. Apenas um filhote de lagartixa que mau nenhum faz a ninguém. Era só isso?  –
Perguntei de novo.   Era sim. Desculpe, mas é que eu morro de medo desses bichos falou me abraçando. Como é que eu posso te pagar por isso?  
 – Ah, não foi nada  – respondi. Deixa pra lá. Qualquer coisa pode me chamar que eu corro pra te ajudar. Sabe que pode contar comigo.
Ela me deu um beijo no rosto e bateu a porta atrás de mim. Em casa fui direto pro banheiro buscar motivo pro padre me mandar rezar.