segunda-feira, 29 de março de 2021

VERATRUM.

    

      Estou triste, muito triste com as crianças de hoje em dia e não me perguntem se a culpa é dos pais, da escola, da Internet ou de todo mundo.  Na minha época os pais criavam seus filhos do jeito que eu crio os meus e mesmo que os tempos não sejam os mesmos eu achava que nada havia mudado.  A gente falava para onde ia e a que horas a gente voltava. Hoje elas dizem que estão saindo e vão sem dizer nada além disso. Eu não sei se ficaram mais inteligentes, do que éramos, ou se brincam com a cara da gente.  Elas nos cegam com suas mentiras e o fazem tão bem feito que nem desconfiar do que fazem nós somos capazes.  Os filhos de um amigo, que moram com os pais em um prédio perto do meu, mas passam a maior parte do tempo na minha casa, me pregaram uma peça e não se trata de um dos meninos, mas da irmã mais nova, a coqueluche da família. Foi como se eu tivesse levado um murro no estômago quando tive a péssima ideia de alugar uma dessas cabines onde se paga para ver as garotas tirando a roupa e se exibir para os clientes do outro lado do vidro. Muitos não resistem e relaxam só em olhá-las. Relaxar não foi o motivo que me levou até lá e se fui não foi por outra razão se não conhecer a novidade do bairro em Copacabana.  A mocinha que tirava a roupa na minha frente não tinha mais de 15 anos e mesmo sabendo que para trabalhar num lugar como aquele precisasse, no mínimo, ter 18, eu não podia acreditar naquela verdade. Quanto a garota, era linda, e o pior é que eu a conhecia,  mas nunca reparei nos detalhes. Talvez por isso não quisesse acreditar que a filha de uma família de princípios se prestasse aquele papel.  Ela, e os irmãos, não saíam lá de casa e era para ela que os pais faziam as vontades. Portanto, por dinheiro não era.  Assim que deixei a cabine liguei para os pais perguntando por ela. Disseram que fora com a tia para a casa dela onde passaria mais um fim de semana. Eu fui àquela cabine para conhecer o lugar de que tanto falavam e não para relaxar como os outros e muito menos para ficar do jeito que me encontrava, frustrado e triste.  Como falar com o pai que a filha  tem uma borboleta tatuada nas partes íntimas e atrás uma rosa vermelha?  Como dizer que a menina criada  com tanto amor se mostrava para qualquer um em troca de migalhas, e que tia é essa que a instigava a fazer o que faz com tanta desenvoltura se nem sinal de constrangimento ela dava?
Ontem eu fui ter com eles, mas não ia tocar no assunto até que a menina, assim que  me viu, correu ao meu encontro me dando um abraço e beijando o meu rosto. Olhou para mim, perguntou pelas crianças e ao se soltar dos meus braços pediu-me, num sussurro, que não contasse aos seus pais.  Aquela era a certeza, que eu não tinha, que os clientes eram vistos por elas.  No momento me senti, não caindo do cavalo, mas de um prédio de 30 andares.

32 comentários:

  1. Un recuerdo, impostado o real la mar de interesante. Los hijos hoy los cría una pantalla, me temo. Esa chica, abriendo los ojos a la belleza adolescente, qué ternura produce.

    Un abrazo, y feliz semana

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  2. Si no hubiera clientes, no habría personas vendiendo su cuerpo a otros cuerpos o a la vista de otros. Los niños no son el problema.

    Deberías decírselo a sus padres, si quieres ayudarla.

    Saludos.

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  3. Não conhecia! Beijinhos! <3

    www.pimentamaisdoce.blogspot.com

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  4. Palhaço Poeta,
    Eu tinha mesma dúvida
    que o texto aponta agora
    a certeza: os clientes são
    vistos!
    Adorei ler e essa é
    uma realidade que muitas
    vezes passa a vida sem
    ser descoberta.
    Eu trabalhei em uma loja
    no centro de Niterói/RJ e
    bem em frente a loja há
    uma grande praça e durante
    os dia as meninas não tão meninas
    que passavam o dia "atendendo"
    aos interessados em um 'programa".
    Bem jovem aos 17 anos e bem antes de me
    envolver com arte, trabalhei no comercio
    como balconista/vendedora em varias lojas
    nessa ocasião por bastante tempo trabalhei
    na loja Tele Rio e assim pude observar e conversar
    com algumas "moças" não tão jovens; e pude também encontrar
    algumas na minha viagem diária de ônibus,
    indo para o trabalho: a maioria das que
    conheci saiam de casa para trabalhar como
    diaristas, faxineiras ou outra função
    que permitisse levarem "marmitas" que
    eram aquecidas no bar ao lado da
    loja onde eu trabalhava. Desculpa
    narrar uma história minha dentro
    da sua publicação. Na verdade sua
    publicação me trouxe várias lembranças nessa
    direção...
    Gostei muito de ler.
    Bjins em semana de quarentena no lugar
    onde amo viver e que muito bem você conhece.
    CatiahoAlc.

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  5. Estas são histórias triste que se passam com adolescentes em todo o lado. Talvez os pais devessem estar a par e mais atentos ao que acontece com os filhos. Muito bem contada, a sua história.
    Uma boa semana com muita saúde.
    Um beijo.

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  6. Que triste história, Silvio!
    Talvez não tenha culpados, a não ser a demanda que alimenta o monstro, em se tratando de moças tão jovens e ainda sem estrutura emocional para dizer não a certas ofertas, jovenzinhos/as são aventureiros.
    Texto muito bem escrito!
    Abração, boa semana!

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  7. Pois nessa história ninguém está preocupado com a covid!
    Boa semana!

    marisasclosetblog.com

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  8. A minha filha Catarina faz hoje 23 anos.
    E é um doce.
    Abraço

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  9. Não há nada mais valioso do que alguém que sabe guardar um segredo. Não para ser cúmplice de um erro ou algoz do outro. Mas porque a vida da essa oportunidade. Talvez a menina tenha se sentido aliviada não por ter se exibido para um conhecido, e sim por não ser uma refém de si mesma. Admiro a ambos: a menina por não ter medo de explorar a vida e ao fiel amigo da família por ter sido o escolhido para dar a ela chance de indagar-se: se é de fato o que deseja para si e de saber se seguirá com o fascínio pelo abismo do desejo e prazer, pois despir-se para outro ou outros é uma arte que envolve extremo prazer, não é somente tirar as roupas. Não vejo objeto de julgamento nesse seu texto que apresenta uma ficção reflexiva fantástica.

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  10. Mal nós sabemos o que vai por esse mundo afora!...

    Votos de uma feliz e santa Páscoa!
    Bjs.

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  11. Que situação!!
    Mas com tanto cuidado que se cuida dos filhos hoje em dia, não sei porque acontecem episódios destes!?
    Estranho também é os clientes pensarem que não estão sendo vistos e estão!

    Tenha uma boa semana!
    Abraço!

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  12. Boa tarde gostei da visita bjs no coração

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  13. La juventud esta perdida y que lastima de niña tan joven y prostituyéndose...... Saludos amigo Poeta.

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  14. Oi, Silvio!
    Que "sinuca de bico"! Pois então, as vezes nos deparamos com situações semelhantes!
    Gostei muito de ler!
    Abraços!
    Feliz Páscoa!

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  15. Olá Silvio,
    Texto bastante intrigante, tem várias questões envolvidas para se refletir sobre o assunto. Mas enfim, o título também meu deixou intrigada pois não sabia o significado da palavra, até pesquisar e entender... hahaha

    Um abraço!

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  16. Excelente reflexão sobre no fundo o nosso futuro, silvio.
    Abraço

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  17. Olá Silvio, andei muitosumida dos blogs, a vida dá tantas reviravoltas que a menina que foi assediada, já se casou, se divorciou, se casou novamente e ficou viuva e agora vive um novo relacionamento. Isso se falando somente dos que marcaram. Enfim a vida segue e decidi a voltar a escrever. obrigadíssimo por me visitar e desculpe a demora em retornar. Realmente está dificil lidar com a juventude, o filho do meu companheiro vive enclausurado dentro de um quarto jogando um maldito jogo que o transformou quase em um personagem dos mesmos jogos que ele joga. Frio, não conversa, não olha nos olhos, individualista e egoista. Quase um fantasma . É muito triste tudo isso, vivemos em uma época muito obscura. Abraços virtuais.

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  18. Qu historias tan tristes que estremecen. Un abrazo

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  19. ¡Qué horror! así andan los chicos de ahora. Hacen lo que les da la gana, y por eso después ocurren violaciones y embarazos no deseados. Y la culpa la tienen los padres unicamente, porque no controlan a sus hijas, ni tampoco vigilan con que personas se juntan. Yo cuidé siempre a mis hijos, hombres y mujeres, los llevaba a las fiestas y los recogía...y con mayor razón a mis hijas mujeres, siempre estuve detrás de ellas....pero hoy día hay mucho libertinaje entre la juventud, amigo Silvio...es una pena. Pero así está el mundo. Un abrazo.

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  20. Um amigo fica sempre na alma, po isso doe a sua ausencia.
    Interesante historia que da para reflexoar.
    Saudade de você, amigo Silvio. Bjs

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  21. No seu tempo e no meu havia regras e nós obedecíamos sem questionar, aliás, acho que desobedecer nem nos passava pela cabeça.
    De há uns tempos a essa parte, é o que se vê e se sabe, infelizmente. Perderam-se valores e autoestima.
    Como sempre, gostei do texto, real ou fictício.

    Beijos e uma Páscoa feliz e com saúde, que é o mais importante neste momento.

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  22. Silvinho, menino "atrevido"-rs. Cadê o comentário ao meu poema?
    Você pode comer chocolate perto de mim e dizer versos ao meu ouvido, mas com a distância de 2 metros por causa da pandemia, que nem eu, nem você temos, por enqto. Já tomou a vacina? Eu ainda não, mas não querooooooooooo Astrazeneca. Tenho de arranjar uma mentira, mas ainda não encontrei uma plausível.
    Bye bye!

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  23. Ah, eu é que "rezava" (eu não rezo há muito. Sei, foi uma maneira de dizer) versos ao pé da sua orelha. Só agora li suas palavras com olhos de ver. Sorry!

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  24. Boa noite, Sílvio!
    Hoje em dia as nossas crianças só querem ser adultas!
    Nem vivem a sua doce infância nem a sua adolescência!
    Infelizmente!
    Mas, passei para lhe desejar uma Páscoa iluminada!
    Um abraço!
    Megy Maia💛😊💛

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  25. Silvio, hoje venho apenas te desejar uma Feliz e Santa Páscoa.
    Beijo, muita saúde.

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  26. obrigada pelo ovo de Páscoa
    estou enviando um saquinho de amêndoas
    que poderá partilhar com os seus familiares e amigos
    e um coelhinho de Páscoa de chocolate
    para oferecer a essa menina
    Bom domingo de Páscoa!

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  27. Oi, Sílvio!

    A propósito de coelhinho, ainda não entendi e já tenho pesquisado, porque associam ele à Páscoa. Coelho é masculino e não dá ovos, que eu saiba. Se for coelha, ah, então entendo.
    Gosto do recheio da barriguinha dele, mas como sou pré diabética, não posso comer doces em excesso. Nessa Páscoa comi 4 amêndoas e a glicemia deu logo sinal. Era uma menina qdo tudo isso começou e já não há retrocesso, bem peço contrário, mas o importante é ir vivendo.

    Aqui a Páscoa está quase findando e eu já almocei e jantei, pke almocei tarde. Comida banal e não pascal. Mais logo tomo meu british tea e fico muito bem alimentada.

    Beijos e um abraço sincero.

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  28. Infelizmente esta é a realidade das "crianças" de hoje em dia. Nós que fomos criados com princípios e uma boa educação, onde obedecíamos a nossos pais e éramos punidos caso contrário, ficamos assombrados com este tipo de comportamento. As crianças grandes daqui chamam nome feio adoidado, fazem bullying e começam as sacanagens bem cedo, tanto que aparecem meninas grávidas de 11,12,13 anos...pra mim esta geração é totalmente perdida. Só Jesus na causa!Fui!

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  29. Oie Silvio, eu jurava que havia comentado nesse post. Mas, comento novamente, afinal, a releitura valeu muito a pena!
    imagino sua tristeza ao vê-la se exibindo publicamente, até porque, a família é amiga e você a viu crescer. Chega um momento em que as pessoas, escolhem um caminho. Algumas vezes por necessidade...
    Enfim creio que o que mais me incomodaria, fosse o fato de não saber como conversar com os pais sobre isso, e a dúvida entre o contar, ou não. talvez eu escolhesse ter uma conversa com a menina. Acho que seria o caminho...
    Adorei! Um tema muito atual, bom para refletir.

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  30. Es para reflexionar seriamente.
    ¿ Qué es lo que que está fallando ?

    SALUDOS

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POR FAVOR, NÃO SAIA DE CASA
(Se possível, fique na sua casinha,
não receba ou faça visitas. Não abrace
ou se deixe abraçar porque se você não
pegar o vírus não me mata e eu não
mato os outros.
((silvioafonso))


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