quinta-feira, 28 de novembro de 2019

OS MELHORES DIAS DA SEMANA..

    



       Eu não trabalho para ganhar dinheiro, mas para não ficar maluco. Aliás, dinheiro eu nem preciso já que tenho refeição na hora certa e roupa limpa a tempo de ser usada.  Não só eu, mas a turma que de uma forma ou de outra leva a vida que eu levo. De manhã, por exemplo, exercito os membros para descansá-los no final do dia enquanto a vizinhança decide o que fazer da sua. Dinheiro, que nunca me encheu os olhos, vai pra conta dos meus filhos que têm tempo, jeito e sabem como aplicá-lo. Do montante eu nada tiraria se pudesse, nem para o aluguel que é responsabilidade de quem me convenceu a vir morar neste lugar. A comida é igual pra todo mundo já que a minha cor não é e nunca foi passaporte pra ter ou  pra fazer o que negro, pobre ou nordestino não possa. Meus pensamentos divergem do pensamento da maioria, talvez por isso prefira produzir a bater com a cabeça. E assim eu vou construindo o que chamam de arte ao passo que artistas são os que admiram e respeitam essas bobagens.  Quando saio, e, se saio, nem sempre é pra tomar uma gelada, mas para olhar o sol, botar a cara no vento para afastar os demônios do pensamento.  Nas manhãs quando me chamam e eu não me levanto, não é a ressaca que me aprisiona no leito, mas a dor do vazio, tipo gosto de sepultura que a bebida deixa na boca da gente. Aí chega um amigo trazendo um sujeito com ele que entende de bebida e de sepultura pra me perguntar o que eu teria comido pra me deixar naquele estado?  – Nada, doutor. Nada que não se possa comer na frente de todo mundo. Ouvindo isso voltavam para o lugar de onde vieram. Todos, cada um no seu quadrado dançando Marília Mendonça. Só eu lapidando o bruto para que achem bem feito ou próximo disso. 
Não sei que horas são no momento, mas sei que é quarta. Quarta-feira. Mais uma no calendário de tantos anos fixado na parede. Poucos se arriscariam no pátio molhado de chuva ou perambulavam nos corredores. Os outros estão como eu, contando os minutos que antecedem a quinta-feira, como fazem nas sextas e nos sábado. Contar o tempo que nos separa daqueles que, quando vêm, aparecem com um sorriso pintado na cara cheios de novidades e a gente escuta tudo dentro da prisão daquele abraço, do qual, nenhum detento em sã consciência,  almeja fugir.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

MINHAS MEMÓRIAS...


    Prometo, prometo e não cumpro, mas dessa vez eu garanto que é sério. Que vou parar de me engrandecer com o sucesso que eu tinha até pouco tempo  no trato com o sexo oposto. Cansei de achar que falando ajudava às pessoas, não a todas, mas àquelas que se negam acreditar que poucos são os maridos que têm a pegada que tem os amantes.  A maioria arrisca ter a mulher infeliz ou buscando outros caminhos. É preciso parar de pular etapas, esquecer de si e ajudar a parceira. Os amantes se preocupam com isso ou não proporcionavam prazer que nem nos melhores contos se acha. O companheiro ou o marido precisa acreditar no seu taco ou parar com esse negócio de "farinha pouca, meu pirão primeiro". Gozar enquanto a companheira, que achava que viria estrela, fica olhando pro lustre é sacanagem. É claro que falo das preliminares que é e sempre será o prato principal desse banquete. Eu sei que sustentar uma ereção até que a mulher, com quem transamos a vida inteira, esteja pronta a ser penetrada não é muito fácil. Mas que se dane. Se der ruim ela  até te ajuda se for necessário. A cumplicidade é tudo, portanto arrisquem-se que elas agradecem. As preliminares, segundo me contam, são a cereja do bolo e até entre pessoas do mesmo sexo. O pior é que os machos alfa como eu, (desculpem, mas não tive como não confessar) tomam  para si essa responsabilidade e se entregam de corpo e alma até que o sino que tocam na companheira acorde a cidade. Então ela, tal qual serpente às portas da morte, contorcer-se-á aos seus pés.  
E como eu prometi agora vou me calar. Não por  falta de assunto, mas para não perder os amigos que vibravam quando eu dizia que não dormia sozinho e que jamais repetia a mesma mulher. Também achavam interessante me ouvir falar que saía com uma durante o dia e passava o resto da noite com outra. Por isso eu morava sozinho e para que não pensassem que eu as traía e consequentemente levasse bola nas costas como nunca levei (eu acho). Hoje não faço mais essas coisas. Faz tempo que deixei de sair com várias mulheres e dormir cada dia com uma também já não faço. É claro que deixei de fazer não por deixar de gostar da fruta, mas pra não levar um não pelas fuças. Estas medidas devem ser tomadas na chegada da idade porque a natureza é inconsequente. Ela conserva a libido, mas tira a rigidez do nervo. Se é que me faço entender. Meu avô me dizia que com o tempo os cachorros perdem a visão e os dentes, mas o faro, jamais. Acho que ele quis dizer que a natureza que mantém o tesão do homem é a mesma que deixa de avisar que a festa acabou. Dito isto fecho a boca, mas não o livro que conta minhas memórias ou o descaramento de inventá-las.











terça-feira, 19 de novembro de 2019

PRIMEIROS PASSOS.

   Tenho saudade dos parentes que moram longe como dos amigos que nas horas vagas procuram por mim. A presença dessas pessoas muito me honra, mas infelizmente nenhuma  me faz ou me fez mais feliz do que aquela que me segurando no colo esfregava o nariz dela no meu e dizia coisas que jamais entendi. Talvez não entendesse por ela usar uma voz modulada, tipo assim; cadê a coisinha mais linda da mamãe, cadê?, e falava de maneira, sei lá, tipo voz de criança que nem as pessoas com quem convivia há século sabiam dizer.  Imagina eu que não enxergava direito, não tinha noção de cheiro e de cor, ter que adivinhar o que aquela maluca estava dizendo. 
– Hoje sabemos que falar daquele jeito estimula o aprendizado nos bebês. 
O cuidado que ela tinha comigo era perturbador.
– Passou álcool nas mãos?, não?, então não me venha tocar no bebê – dizia.
Eu não sabia o que era vergonha ou teria morrido quando abriu a boca pra dizer aquela besteira. 
No dia que dei o primeiro passo, sem que me segurassem, ela deu uma festa, mas quando eu disse "papai" foi ele que fechou a rua e deu um churrasco pra comemorar.
Aí o tempo passou e eu, enquanto crescia, notei que ela ficava uma arara  quando eu corria dentro da casa, mas quando gritou pra eu calar a boca foi que me dei conta que fechar a rua por conta de eu dizer a primeira palavra não fazia sentido; por que me ensinaram a andar?, e a falar, por que insistiram?  Ah..., como é duro viver em um mundo onde há século ninguém sabe o que quer...
Hoje o casal não aplaude ou se frustra mais com aquilo que digo ou com aquilo que eu faço, não por eu ter decifrado seus códigos, mas por voltar ao ventre da mãe natureza de onde os dois vieram para me ensinar o que se arrependeriam depois.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

TIME DA VIRADA.


      Embrulhei-me com a bandeira do meu time e saí para comemorar. O jogo foi suado e sofrido e nada mais justo naquele momento que eu procurasse um lugar para uma gelada. Escolhi um bar onde vestiam camisa na cor da minha.  Onde falassem do resultado e dos jogadores, mas infelizmente o barulho me levou a beber longe dos abraços, dos risos  e da euforia daquela galera.  Em poucas goladas derrubei a primeira e antes de pensar em chamar  o  garçom eis que o atento rapaz me aparece com outra antes de tê-lo chamado. Abriu a ampola, geladíssima, e com um gesto disfarçado indicou u'a mesa  atrás da minha onde uma bela mulata, um pouquinho fora de forma, erguia o copo pra mim. Ergui o meu em resposta. Um simples gesto que a distinta criatura tomou como  convite pra sentar-se ao meu lado. O garçom também fez o que eu não havia pedido. Deve ser hábito da casa. A mulher,  mais velha do que parecia, pegou a cerveja, abriu um sorriso  desse tamanho, encheu os copos e contou sua vida. Brindamos, não sei se a vitória da urubuzada ou à coragem de sentar-se ao lado de um cara que há muito não sentia o cheiro do pescoço de uma mulher.  
A bebida ou o lugar, talvez o bom papo, quem sabe?, nos prendeu  de tal maneira que nem notamos a hora passar e não fosse o garçom dizer que ia fechar a gente não tinha saído, pelo menos naquele momento. Paguei a conta e já ia me despedindo quando notei que não podia deixá-la naquele estado. Pensei em chamar um táxi, mas desisti.  A moça não tinha como viajar sozinha e por mais cafajeste que os leitores me considerassem  eu, que não abandono quem bebe comigo, me vi obrigado a levá-la pra casa de carro.  Pra minha casa porque a dela eu nunca soube onde fica.  
Como viram não sou um aproveitador como querem certos leitores que nem quando saio para uma cervejinha se dignam livrar minha cara.

sábado, 9 de novembro de 2019

ANJO CONCILIADOR.

   
    Eu sei que pela vontade da senhora eu sumia da sua frente, mas quem garante que não foi Deus quem me mandou dar o ombro para senhora chorar? Foi por achar que posso secar seu pranto que me ofereço pra seu escravo, pra seu capacho e o que mais quiser eu me torno.  Muitos rechaçam a felicidade antes de conhecê-la, mas para a senhora não somar nessa fila vou apresentá-la à sua enquanto é tempo. Por isso não vire às costas pro seu marido por não achar graça na cama com ele, mas lute para achar a sua seja com quem for.  Não peço para deixá-lo, mas peço que lute por isso e como sei que qualquer coisa que se deseja é possível, por que não arregaçar as mangas e começar? Portanto levante-se e lute!  Lute porque a luz pertence a quem ultrapassa a sombra.  Depois tudo é mais fácil e bonito; o viço da pele, o brilho nos olhos e o riso ofuscando a inveja.  Nós sabemos que seu marido se casou muito bem, mas também pudera! Escolher entre tantas que passaram por suas mãos é mole.  Duro é a senhora comer pão com mortadela por ter se deitado somente com ele. Só às audaciosas o filé com fritas é servido.  A senhora é u'a mulher muito interessante, tipo assim, aquela que qualquer homem quer ter ao seu lado, mas, infelizmente seu companheiro não pensa desse jeito ou não a privaria do que merece e precisa, e antes que me pergunte o que eu acho que a senhora precisa eu lhe diria; de um orgasmo...  Não estou falando em gozo, tipo aqueles que se consegue sozinho embaixo das cobertas, mas de um orgasmo  de responsa.  Daqueles em que se perde o fôlego e pensa que vai morrer. A senhora jamais teve um desses, mas seu marido teve e muitos. Cabe a senhora se contentar com o que ele lhe dá, pois foi assim que seus pais a educaram. Dê uma chance a si mesma, eu volto a pedir  – e seja feliz  – porque a felicidade não brota no quintal da gente e não será de braços cruzados ou acreditando que migalha é banquete que se vai a lugar algum a não ser pagando pra isso. Trocar a curiosidade pela certeza e o medo pelo prazer é a melhor coisa a fazer no momento e para mostrar que nada vai interferir na relação de vocês eu proponho que nos encontremos numa cidade distante onde possamos conversar despreocupados e até relaxar e rir, se der vontade, de tudo pelo qual passamos. Antecipadamente eu garanto,  não  um momento de loucura e prazer, mas uma vida inteira de cores, música e poesia, porque o amor não é exclusividade do quarto, mas algo que se dá em todos os cômodos da vida.

domingo, 3 de novembro de 2019

DEIXA QUE FALEM...

       

      Eu sei que vão chiar quando souberem que chamei de imbecis aqueles que tiveram a infeliz ideia de obrigar  marido a transar só com suas esposas e elas só com eles mesmo um dos dois sendo ruim de cama.  Cara, isso não existe.  Contradiz a natureza, confunde o ecossistema. Com certeza o pai dessa aberração ejacula antes da mulher ficar pelada, ou, quem sabe, tem pinto pequeno ou sofre de impotência, tipo, borracha mole desde criancinha.  Cara, não há nada mais constrangedor do que alguém se encantar por um espadaúdo dançarino fazendo a dança do acasalamento  e ter de virar-lhe às costas por conta de um traste que ronca a noite inteira ao seu ouvido. Deveria ser lindo caso  fosse livre o amor entre humanos.  Ah, isso seria uma maravilha, pois trocava o bobalhão que vem com aquele papo pra justificar brochada ou no caso de um belo dançarino se exibir melhor pra conquistá-la.  Aí quem sabe não ficasse com os dois, dependendo do consenso e do apetite dela, né mesmo? Não tivessem os anormais essa bendita ideia de só transar depois do casamento a gente saía de manhã  para trocar o óleo e só voltava de madrugada e dependendo  ficava por lá. A pele ficaria mais viçosa, as pessoas mais bonitas e mais felizes até porque nada se compara ao prazer de uma trepada. Eu tenho certeza que órgãos, como a igreja, o judiciário e o poder publico entrariam nessa farra, não só em busca de se relacionar sexualmente com a mulherada como pra legalizar a coisa em troca de prestígio e de alguns caraminguados. A indústria, com certeza, entraria em reboliço.  Principalmente aquelas que fabricassem artigos de limpeza e a dos artigos para lubrificação ao passo que os fabricantes de naftalina e os que lidam contra mofo sofreriam queda na produtividade já que tudo voltaria a ser usado como deveria  tipo; se vovô não dá no coro vovó procura pelo "netinho" ou a netinha se deixa procurar pelo vovô se for o caso. Eu, pra ser sincero, só não sei onde vai dar essa bagaça.  Enquanto isso ficarei olhando a cara dos borracha fraca, daqueles que ejaculam antes da hora, dos caras de pinto pequeno que certamente torcerão o nariz sempre que uma gata me olhar daquele jeito ou as mulheres mal transadas desses brochas me mandaram  zaps convidando pra sair.