sexta-feira, 25 de outubro de 2019

PLANO "B"

     Quando a gente é novo tudo é fácil e possível. A gente tem força, coragem e beleza, pois o viço da pele é que dá motivo à molecada pra pentelhar as meninas como eu pentelhava.  E assim eu fui namorando, primeiro as bobinhas e quando tomei coragem arrisquei às mais sabidas e até mentia, quando precisava pra conquistá-las.  Eu não ligava se descobriam que faltei com a verdade, principalmente por ter conseguido acariciar os peitinhos ou encochado a garota num canto escurinho da rua. Coisa que poucas gostavam, mas eu adorava.  Lembro de quando mostrava o que eu tinha dentro das calças e uma ou outra fazia cara de nojo.  Nem todas queriam olhar ou  meter a mão no negócio, mesmo que morressem de curiosidade.  Eu insistia até que cedessem.  Em contra partida tinha os peitinhos, mas em momento  nenhum os ofereciam pra eu bolinar, muito menos esfregar na cara ou colocar na boca como queria que fizessem com o que eu lhes mostrava. Por conta disso fiquei algumas vezes sem ter com quem sair. Nesse caso eu procurava a Paulinha só pra não ficar vendo tevê com meus pais.   Paulinha era fora de série. Uma colega de escola que fazia qualquer coisa pra estar comigo, mas só quando eu não tinha ninguém saía com ela.  E não era por não ter os atributo das gostosa ou não ser um tesão de mulher que eu não queria sair, mas porque qualquer uma me estimulava sexualmente mais do que ela, só isso. A gente não saía pra teatro, pra cinema, pra praia ou qualquer lugar que não fosse o meu quarto ou o dela e quando acontecia ela me agradecia por tê-la procurado.  Pobre Paulinha que curtia os meus atrevimentos ou fingia pra não ser descartada.  Tudo o que eu queria Paulinha me dava até porque tinha passado por mãos mais irresponsáveis que as minhas.  Paulinha era tão maravilhosa que nem se  importava de me fazer companhia quando eu não tinha nada melhor. Sempre que a procurava ela estava às ordens.  Tratava-se de uma garota direita, mesmo assim a levava a lugares  que só um cara maluco como eu seria capaz.  Mas era gostoso o que a gente fazia. Mas essa facilidade tirava um pouco do meu tesão, mas a gente acabava fazendo assim mesmo.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

CONSELHEIRO

    

     Preste bem atenção no que eu vou falar pra vocês, disse mamãe às minhas irmãs, porque, disse ela, eu sei que uma de vocês arrasta asa para um cara que não está nem aí pra pra compromisso sério e safadeza com filha minha eu não vou admitir, por isso encareço a vocês que não se humilhem por cafajeste nenhum, mesmo achando que estão apaixonadas. Não se desvalorizem ou vão comer na mão de quem não gosta de ninguém além de si mesmo. Se não for pra gostar de quem merece o amor de vocês e a boa criação que lhes demos, esquece ou será refém de sua própria cegueira.  O importante é a gente se convencer que a pessoa pela qual pensamos estar apaixonada não é a  metade da laranja da gente e esquecê-la é o melhor que se pode fazer.  O mesmo acontece com aquele que faz tudo pra conquistar a mulher que nunca olhou na cara dele por mais que tentasse ser visto.  No caso de vocês não é diferente, não seria por ele chegar com uma estrela embaixo do braço ou  chamuscado por tentar pegar o sol pra lhes dar que vocês vão se jogar de joelhos aos seus pés. Jamais se esqueçam que presentes iguais a esse surgirão toda vez que vocês repelirem o demônio  porque homem direito não promete o que não poderá cumprir.  Portanto, minhas filhas, continuou minha mãe, não se renda a ninguém, mesmo que tenha causado taquicardia no seu coração, se essa pessoa não prova que a merece e lembrem-se que as regras do jogo continuam as mesmas e só as peças mudam de posição no tabuleiro da vida.  Não se permitam crucificar na cruz que os cafajestes trazem por trás do sorriso branco e bonito, e concluiu; conselho não tenho coragem de dar a ninguém a não ser a vocês a quem faço questão de abrir-lhes os olhos ou os meus se fecharão sem que as vejam felizes e bem casadas não importando se com homem ou com mulher se assim o quiserem.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

BANDIDA MEMÓRIA

  
   Quando a mulher diz que não se lembra da pessoa na boate 
que pagou sua conta, que ouviu suas lamúrias sem interferir no 
relato e ainda por cima a levou aos maiores e melhores orgasmos de sua vida, como  teria confessado a uma das amigas, que me contou que a infeliz chegou pensar que fosse morrer de tanto que gozou naquela noite. É difícil acreditar que alguém, como essa senhora, pudesse negar tais fatos diante de provas como essas o que me leva a pensar que a moça sofresse de amnésia ou escolheu a mim para otário. Eu até acredito que também não vá se lembrar de ter sorrido pra mim ao entrar com o namorado na Confeitaria Colombo e sentou-se com ele em u'a mesa perto da minha. Muito menos admitirá que se arrepiou quando toquei minha perna na sua. Isso pra não citar o bilhete que deixou com o garçom para me entregar na saída.  Quando alguém se esquece de fatos relevantes como esses é sinal de que os corriqueiros, como os brindes erguidos olhando pra mim, nada signifiquem, uma vez que  se nega dizer que tivesse me visto na festa onde o branco preponderava e eu estava de preto.   Enquanto me questiono os dardos cruzam em todas e quaisquer direções,  tipo aqueles de ponta melada que um dia acertou em cheio o meu lado esquerdo do peito. Foi lindo vê-la erguer a taça em minha direção, sabendo eu que brindava a minha presença.  Agora só me resta torcer para que os dardos não sejam  adocicados quanto aqueles que me lambuzaram os lábios no momento do beijo, pois só assim deixará de roubar da mão dos infelizes, como eu, o doce que deu.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

QUE DROGA!

  
    O Ricardo foi embora... Quando ele se levantou eu estava  acordado, mas fingi que dormia para deixá-lo mais à vontade, mesmo assim veio até minha cama pra conferir. Depois tomou uma chuveirada, comeu algumas fatias de pão de forma com manteiga,um copo de leite frio e voltou ao meu quarto onde pegou a camisa que o Gabigol me deu de presente depois do jogo do Grêmio.  
Aí partiu sem dizer pra onde ia. 
Eu sei que minha casa não seria sua primeira opção ao escolher um lugar para ficar porque, como diz, eu sou chato e tudo me incomoda, inclusive a toalha molhada que o vira-casaca deixou no meu quarto quando pegou a camisa. Eu sei que só veio por ter sido enxotado da casa dos amigos por suas mulheres como a sua o enxotou da presença dela. E tudo por conta da jogatina, um vício que tirou dele o emprego, os amigos e a mulher por quem morre de amores. Foi por acreditar nesse amor que ela se afasta e o faz acreditando que sozinho possa se conscientizar da besteira que fez até porque perdeu o que tinha de mais precioso só não perdeu a minha amizade. Eu jamais o deixaria sucumbir aos pés de ferro de um baralho de cartas.  Muitas vezes, antes de me atrever em determinadas aventuras, o procurei para me aconselhar como ele muitas outras chorou no meu ombro suas mazelas.  Infelizmente a impetuosidade do vício colocou sua vergonha e sua honra de joelhos. O jogo, pelo que sabemos, não faz mal nenhum além de roubar o tempo e o dinheiro de quem joga. O pior é que ele nunca anda sozinho.  Com ele vem a bebida e o cigarro e em muitos casos as drogas ilícitas que deixam a pessoa tão fora da realidade que até tricolor "veste" a camisa do time dos outros.