sexta-feira, 12 de abril de 2019

CADA LOUCO COM SUA MALUQUICE

                                   
    A gente dá crédito quando a coisa é divulgada por quem estudou muito ou domina a matéria. Com base nesse princípio ninguém pensa em bater de frente com quem garante que as personagens da bíblia disseram isso ou aquilo.  É o caso dos males que dizem fazer a maconha.  Desde quando eu me entendo por gente que ouço dizer que a maconha vicia e aquele que a usa é capaz de roubar, fazer mal as pessoas e as coisas e até matar ou morrer com o efeito que dá.  Hoje, através deste espaço, eu ponho a cara à tapas e não foi preciso ter coragem para dizer que maconha não vicia, e que, as pessoas que a fumam não tentam contra a integridade dos outros a não ser aquelas que já nascem com o dom de fazer o mal.  Entre os amigos que tenho alguns já fizeram ou fazem uso do fumo, mas nenhum, pelo menos que eu saiba, fez algo de errado ou teria se tornado dependente da coisa.  Um deles, por acaso, fumava desde os tempos de criança.  Fumava quando acordava, fumava depois do café e das principais refeições.  Não saía de casa sem dar "um tapa" e também nos intervalos do que fosse fazer.  Esse elemento fez uso do "entorpecente" por vários e vários anos e nunca, eu disse nunca, se viciou.  Gente, um cara fumando do jeito que esse meu amigo fumou ou fuma e não ficou viciado é sinal de quê? De que a  erva fumada em caráter recreativo não vicia ninguém e para ser mais justo vamos deixar de usar a palavra "entorpecente" para designá-la.  Os tais amigos me disseram que depois dos baseados não sentiam nada.   Eu só não perguntei o que esse "nada" queria dizer já que poderia estar se referindo aos movimentos das pernas, dos braços e do raciocínio, mas nada falei para que não me apontassem  como discriminador.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

RAMSÉS TERCEIRO


    
       Quando a gente foi saltar de paraquedas numa cidadezinha da Índia, meu amigo Mutreta fez questão de cair com a gente dentro do avião que pilotava. Saltamos antes da queda,  só ele não conseguiu.  Morreu fazendo aquilo que mais gostava; pilotar um aparelho que lutou tanto para conseguir.  Da pista até a zona de lançamento ia uma boa distância e a gente se perdeu na nuvem de poeira no deserto do Thar. Mutreta, coitado, jazia na areia escaldante enquanto cada um de nós, a seu jeito, buscava chegar a cidade ali perto.  Caminhei duas horas com o sol na cabeça rachando meus lábios e inchando meus olhos, até que embaixo de uma palmeira notei que alguém esperava por mim.  Infelizmente era um velho andarilho e nada sabia a respeito dos paraquedistas.  E como se fora um velho conhecido começou a dizer que se fala alto, muito alto quando se está brigando.  Também disse que o ódio leva o nosso coração para longe daquele com quem brigamos e quanto mais acirrada for a briga, mais alto se precisa gritar para que o outro coração nos ouça. O contrário também acontece; quanto mais se gosta de uma pessoa mais baixo se fala com ela e quando a amamos falamos muito baixo, tão baixo que se torna necessário adivinhar o que foi dito.  No caso do amor devastador, daqueles que nos leva à loucura, aí não se diz nada, basta se olhar para que tudo seja dito e entendido.
       Tão logo se calou eu disse baixinho o meu nome estendo-lhe a mão pra me despedir, mas  ele ignorou. Fez uma mesura se curvando em minha direção e falou, nem alto e nem baixo; muito prazer,  Ramsés III.