terça-feira, 25 de dezembro de 2007

O DEQUE DO LEBLON.

Meu Deus, que vista linda! Como esta praia é bonita...
Juro que não tinha visto um céu tão azul e areia mais branca,
assim. Noto ainda que o verde desse mar se funde e me

confunde na cor do céu. Cara, como ficou bonito o tempo depois
da chuva! Ah, minha Rio de Janeiro querida, como a tua beleza
se destaca das outras cidades. Eu não teria coragem de deixar-
te nem que o sucesso e o meu futuro estivessem num Estado
outro qualquer. Minha cidade amada conte comigo e tu, sempre
que quiseres, me verás pisando o branco de tuas praias e sob os
raios escaldantes do teu sol eu mudarei o colorido de minha pele
numa eterna gratidão. Por tua hospitalidade, teu carinho e o
teu encantamento eu morrerei falando do amor que por ti eu
tenho.
silvioafonso

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

A VIDA...


A imensidão do azul do céu tem o seu tamanho. O brilho vivo
da luz que do sol emana tem o seu sorriso.
A paz da noite estrelada tem a cor do seu olhar.
No sorriso da criança pobre que feliz no portão recebe o pai, tem
a esperança e na chance que o ser humano vê em ser eterno
sente a sua compreensão e a sua fé. Você Teresa é o mundo de
Deus e a vida do seu povo.


A MORTE...


Se a morte me é sombria e triste, não há porque viver feliz.
Por sabermos que mais hoje, mais amanhã, com ela pela mão vamos
seguir o caminho dos mortais eu ja me vejo desse jeito, quase chorando.
Talvez por isso o ser humano seja tão melancólico, por ser o único animal
que sabe que vai morrer.
silvioafnso

AMOR DOS TEMPOS DA VOVÓ...





Contra todas as vontades, inclusive a minha, eu moro na
sua vida.
Contrariando a natureza eu não saio da repartição, nas
sextas-feiras, e vou aos bares com os meus amigos e beboa

noite inteira.Não saio no outro dia com desculpas e volto
para o almoço e durmo a tarde o sono reparador do
trabalhador.
Não saio, cedo, nos domingos para com os colegas do
escritório jogar a minha pelada, deixando o resto do domingo
para a minha casa e o meu amor. Não, eu não sei ser assim,
normal. Eu confesso que sou diferente e talvez você não goste
disso. Talvez você já tenha pensado em reclamar, porque as
suas amigas falam a linguagem que, comigo, você desconhece.

Eu venho correndo nos finais de semana para olhar os seus
olhos e sorrir com o seu sorriso. Pego você e a “nossa filha" e
saio para um sorvete onde falamos do nosso dia e de nossas
coisas. No sábado você desperta com um beijo e de joelhos
eu, de banho tomado e penteado aos pés de sua cama sirvo o
seu café.Volto à cozinha para cuidar do almoço enquanto você

olha pela janela e recebe do sol sorriso de bom-dia.Almoçamos
e conversamos, voltamos à rua ao anoitecer e nos esquecemos
por lá entre um convite e uma visita e na madrugada do
domingo, esquecidos do tempo, falamos da gente, dos amigos e
do futuro.
Nada é diferente no domingo. Pela manhã, lá estou eu, novamente
de joelhos aos pés da cama, com o seu café e antes de beijá-la como
um despertador, eu namoro o seu corpo, o sedoso dos seus cabelos
e a serenidade do seu rosto que sem o artificial dos cremes se faz
meigo e bonito. Desculpe meu amor se eu não posso ser tão igual.
Perdão por eu não ver o tempo passar e com ele passar o jeito
comum e igual dos namorados que eu não sou. Perdoe-me por ter
mentido, quando jurei colher estrelas e num lindo buquê fazer o laço
com o arco-íris. Perdoa quando eu menti que o meu amor era maior
que tudo e no entanto não é nada comparado a doçura do seu olhar.

Perdoe-me e aceite esse amor que de tão simples só poderia mesmo
habitar no coração de um vagabundo como eu.


silvioafonso

terça-feira, 11 de setembro de 2007

COZINHANDO COM AMOR.



Entre o calor das panelas que no fogo dourava os temperos
dando nome e sobrenome aos pratos e os olhares curiosos
dos amigos eu ficava das oito horas à uma da tarde
cozinhando.
Por todos os caminhos que poderiam me levar a hospitalidade
e ao desejo de bem servir eu caminhei. Suei, mas não perdi o
sorriso do amor que em meu rosto brilhou quando conheci
você.
Você, tal qual reflexo de um andante nas areias do deserto sob
o sol desse meu Deus, não se afastava ou me confundia. Mesa
posta, arrumada e bonita, almoçamos depois da prece. O sabor,
talvez um dos melhores. A cor, quem sabe sem igual? Mas
ninguém se dispôs a dizer do sacrifício, se é que teve. Dos
momentos perdidos, se é que se perderam ou do sorriso que
me lambuzava a cara, que de fato lambuzou para dizer o porquê
dos "hum" que escapavam entre uma garfada e outra.
Nós, eu e o meu amor, nos entreolhamos e num sorriso de
entendimento cúmplice nos abraçamos e beijamos, pra depois
comer.

silvioafonso

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

COISA DE ESTUDANTE.


Cheguei preocupado não sabia com o quê. Cansado não estava,
mas ansioso com certeza. Lembrei de uma ausência que
convive comigo faz tempo. Sentei-me e recordei do quanto
aquela presença me fazia bem. Olhos grandes como a esperança,
verdes como a grandeza do mar e calmo como um céu de
primavera. Pensando nos momentos bons que com ela eu passava
esqueci do tempo e a saudade ficou forte. Levantei e fui ao banho,
comi alguma coisa e peguei um livro, queria ler as páginas que
faltavam, mas nada, nada adiantou e eu me vi catando as coisas e
correndo para o carro, tocando pra estrada em busca dessa
lembrança que mexe comigo e me faz tão bem, me atiça à vida
como um colegial em busca do crescimento pessoal e da cultura.
Eu não disse nada e ela, atônita, nada falou. Olhares penetrantes e
beijos que se eternizaram no futuro de agora relembrando o
passado que não se fizera, ainda. Nos deixamos ficar abraçados
e sobre o ombro um do outro deixamos os queixos repousarem.
Com os olhos fechados viajamos a mais longa das viagens sem
vontade de voltar, jamais, dos sonhos que sonhamos sem dormir em
meio aos vendedores que apregoavam os seus produtos, as crianças
que voltavam da escola e os passantes, apressados, que iam ou
voltavam do trabalho. Momentos lindos de amor e de loucura,
quando, sem pensar, busco o amor que está em mim, mas que
divido e troco com quem gosta e se deixa gostar tanto assim.

silvioafonso

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

DELÍRIO, SONHO OU FANTASIA?



Vibrava, a minha intuição, como um alarme de incêndio e eu corri como ninguém. Viajei três horas sem descanço,
tirei a camisa, sapatos eu os joguei longe e tropecei nas calças.
Esqueci das meias e corri pro quarto. Ela estava ali deitada,
nua por saber-se só, parecia dormir. Tive ímpetos de me atirar por sobre aquele
corpo lindo, mas a tempo, travei o meu desejo para olhar...
Namorar... Lamber com os meus olhos todas aquelas sinuosas curvas, mas eu não
resisti ao volume que as suas coxas não deixavam esconder.
Delirando eu me sentei ao lado dela e sem perder nenhum detalhe eu acariciei
seu rosto, desci pelo pescoço e deixei ali um beijo.
Corri a mão pelos seus ombros e estacionei no seio. Seio liso e quente,
aveludado como a pele de um anjo, macio como os lábios da cabocla e eu o
engoli. Lambi um e a um enquanto os meus carinhos buscavam pelos relevos que as suas coxas espremiam.
Ali eu descansei a minha boca. Permaneci na confluência das duas pernas na
altura da virilha e eu as separei. Nem um gesto, um movimento ela fez, sequer.
Desgarrei uma coxa da outra e entre elas eu depositei
a minha boca. Tive febre e ardiam em chamas os meus lábios.
Fogo que eu passei para o lugar que eu lambia. Esfregava nela
devagar os meus loucos desejos. Abri o seu pecado e mordisquei o botão
dos sonhos dela, que não resistiu. Abriu-se em duas, arreganhou a
sua vida e deu à luz ao impossível para não abortar o sonho.
Mordi as suas coxas, para me perder no
labirinto do amor maior onde nasceu,
germinou e cresce o conhecimento e as vontades de um corpo
que não vê fronteiras, não tem parâmetros, nem tem limites.
Urros, berros, palavras sem ordem e eu me perdia. Não sabia
meu nome e nem se eu era o homem ou a mulher.
Se eu era um pássaro ou um selvagem animal eu não sabia.
Andei em círculo, voltava aos pontos de partida e de chegada
Mamei seu sexo e esqueci meus sonhos,
deitei entre os seus seios e dormi nas coxas dela para despertar em tempo de saber o meu apêndice abocanhado
por uma serpente. Passei a guarda e cravei
o que trazia na metade do meu corpo, um fardo grande, grosso, escomunal do meu vigor na sua alma...
Num grito me liberou rijo como a rocha em
busca da gruta onde abrigou-se, fugiu daquela boca quente e
gulosa e lá entrou sem bater. Entrou sem saber se o espaço estava livre
e num supremo esforço fez-se maior e dividiu o espaço
com os ansêios e os desejos. Deixou na mulher amada, uma puta adorada que eu bati na cara, um riso amarelo,
e no sexo um rosado sem medidas e sem
perdão. Fechou-se em concha, cravou as unhas na palma das
próprias mãos, crispou o cenho e num grito de vitória, de agonia
e quase dor viu o orgasmo explodiu pelo seu corpo e nele
permaneceu por toda a noite e só ao amanhecer lembrou-se do
sonho, enquanto eu sorrindo, virei para o outro lado e novamente
adormeci.

NO CÁLICE E NA ALMA

Busquei e esperei por ti nos bares da cidade. Noites
a dentro eu pensava em ti e bebia. Bebia pensando
nos momentos que tu me davas e dos quais, jamais,
eu esqueci. Finalmente, depois que se ia a madrugada
e chegava o amanhecer eu reparava que tu nunca me
deixaras só. Tu estavas sempre ali, na minha frente,
sorrindo como sorri quem é feliz, linda sem deixar de
olhar nos meus olhos e bebias no meu copo, da minha
bebida que já turvava a minha vista, tirava o meu piso
e me vazia ver-te no fundo do meu cálice vazio que
escapava de minha trêmula mão e como eu, caia ao chão.

silvioafonso

terça-feira, 28 de agosto de 2007

MEU ALIMENTO DE PAIXÃO


Seus seios, seus fartos seios aonde eu encontrei abrigo e ouvido
para os meus anseios e queixumes.
Seus seios. Seus tenros seios como colchão novo me acolheram
e embalaram o sono tão gostoso e bem dormido.
Seus seios...
Seios quentes e sedosos pulsavam no meu rosto num embalo e
me ninavam.
Seios lindos, brancos e viçosos me fartavam de alimento, de

desejo e de paixão.

silvioafonso

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

MEU PAI...


Eu me lembro bem, como se fosse hoje, o meu pai deitado
com acabeça escondida entre as mãos e o travesseiro.
Eu, menino e feliz corria e me jogava sobre a cama em cima
dele. Eu ficava sem saber o que fazer com as desculpas que
ele me dava ao dizer terem caído uns ciscos em seus olhos e
com eles vermelhos, me abraçava, beijava o meu rosto e
sorria pra mim.
Hoje eu sei como é difícil esconder o pranto que não quer
cessar. Como é difícil não chorar para não ter que explicar as
lágrimas.
O meu pai chorou por não ter o mínimo necessário pra nos dar
e eu choro por coisas que não sabia existirem no meu peito e
que agora me sufocam e me fazem, tão triste.
"Meu pai!
Saudades enormes de você.
Faço tudo para ser igual, mas vejo-me tão distante dos seus
passos que penso, até, em parar de caminhar".

silvioafonso

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

CAÇA & CAÇADOR



Eu não fui a caça que querias, nem o caçador que eu pretendia,
tão pouco eu pequei na obediência dos mandos teus. Eu não me
curvei como pensei, eu não cedi como devia, mas rendi-me aos
teus desejos. Tu estavas nua do meu Deus e do diabo, não vestias
roupas do pecado e eu me vi boneco inflado, movimento ritmado
bem dotado e tu gemias de dor ou de prazer. Gemias e te mordias
calando o urro animal que vinha das cavernas do prazer. Pensei
que o bicho fosse pegar, mas me antecipei e peguei o bicho. Para
chamar tua atenção eu dei na tua cara mais do que devia. Mordi o
teu pescoço para não ser devorado por tuas prezas e comi os teus
mamilos para alimentar o corpo que tremia e o meu órgão que ardia.
Apertei com os braços, pernas e coxas o teu corpo como envolvem
as sucuris pra fazer morto o predador. Eu te devorei sem pressa e te
comi de frente, por cima e por baixo, pelos lados, e num último
espasmo de fuga, por trás te entregaste.

silvioafonso

DE NIETZSCHE EU SÓ NÃO QUERO A DOR...


Eu não quero me iludir, eu não sou assim.
Deixo a companhia de meus amigos e retorno ao simples
de minha vida.
Não penso como Einstein, Chaplin, Freud, Picasso, Buda,
Marx, Nietzsche, Gandhi, Da Vinci, Darwin, Maquiavel e Jung.
Eu tenho outros sonhos e a filosofia, a política, a ciência, as
artes, a economia, o humanismo, a religião, a psicanálise, a
antropologia e muitos outros segmentos do conhecimento
humano não importam para mim. Como eu disse, eu quero
retornar ao simples. Preciso expiar as minhas faltas e
desenvolver o amadurecimento de minha alma. Penso em cada
amigo e não quero como eles ser o máximo em coisa alguma.
Eu quero não ser nada, mas em todas as coisas, simultaneamente.
Eu os amo e os estudo, mas não tenho a pretensão de melhorar
em uma determinada situação, mas em ser razoável em cada
um dos passos que já dei.
Quero sair, conversar, falar de cada coisa, sem pretender dar aula
de nada. Sem ter comigo a última palavra, mas ser compreendido,
receber um sorriso e ter a minha ausência reclamada.
Enfim eu quero ser eu mesmo, com os defeitos de sempre, os
desejos costumeiros e melhorando em cada causa, mas sem pressa,
paulatinamente, como devagar vai o meu tempo sem mim.

silvioafonso

CÉTICO E CRISTÃO...




Nesta manhã eu despertei dizendo versos de um poeta,
meditei em pensamento de Descartes, de Pascal; num
instante vi brilhar a trilha do meu Deus em meio à vida
que eu levo, na truculenta monotonia de uma era de
cegueira espiritual. Como não haveria de ser eu um mísero
ser triste e só, em meio a um mundo de cujos objetivos não
compartilho, cuja alegria não me diz respeito?
Estou convencido que não sou um artista do sofrimento, não
sou, no sentido da palavra de Nietzsche, um criador de
sofrimento.
Devo admitir aqui uma observação psicológica, embora eu
saiba muito pouco sobre a minha própria existência. E tenho
ótimos motivos para crer na bondosa e severa educação de
meus pais e professores que devotos, fundamentavam a
educação na desobrigação da vontade e do prazer. Caráter e
honradez era a base do ser melhor.
Levantei, banhei o corpo e o alimentei para um novo, mas não
diferente dia de minha vida.

silvioafoso....22/09/2005

DE NIETZSCHE ATÉ A DOR EU SUPORTARIA...


Falar de homens geniais me faz muito bem. Principalmente
quando me refiro ao período demoníaco em que viveram e
criaram obras imorredouras.
Van Gogh, Kierkegaard, Nerval, Strinbdberg, Baudelaire,
Lautréamont, Rimbaud, Dostoiewski e Nietzsche, entre outros.
Destes nomes, três mártires me encantaram, não por terem
vivido, cada um, uma tragédia singular e em dado momento
semelhante; Nietzsche, Rimbaud e Van Gogh. Dos três, dois
morreram loucos e o último em delírio absoluto de muitos dias
provocados imensas dores do mal que os mataria.
A todos eles havia uma vontade enorme de viver, de melhorar

do seu estado doentio. Mas os três perderam este combate que
os abateu em total vigor da existência.

silvioafonso

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

GATO & SAPATO.

Eu não tenho asas e não vivo sem dormir. Não sei do futuro e não posso mudar o que passou. Não sou um misto de nada com coisa alguma. Não sou melhor e nem pior do que aqueles que fizeram da sua vida a passarela do amor. Não beijei a sua boca, eu a engoli. Não sonhei com você, eu dormi na sua alma. Não levei você pra passear, você foi o passeio que me encantou, foi o filme que me fez sorrir e a história que marejou meus olhos. Não sou melhor e nem pior, não nasci pra não morrer e não vivo para deixá-la viver as vidas possíveis. Não sou assim e nem assado,
não tenho futuro, não tenho passado. Não tendo e sendo nada, tudo o que não sou, nada do que eu não fui mexeu com a natureza, mas fiz do mundo um outro mundo, fiz de você a mulher amada e querida por um cara que não existe e só por sua causa eu sou fora do normal. Sou seu não por acaso, sou todo seu de propósito. Quisera não ser diferente, mas precisaria ter, como o gato, sete vidas para dá-las todas pra você.
silvioafonso

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

PÉGASO.


Vou sustentar amarrado nesse tronco o meu coração
alado.
Que se abram as porteiras do infinito, que a relva se
faça viçosa e que o céu esteja limpo e azul.
Eu juro que não deixarei galopar por este prado que não
é meu, esse coração cujo amor voou sem que eu o
conhecesse, mas dói, sem que o tenha conhecido.
silvioafonso

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

CHEIRO DE MAR...


Eu gosto do simples, mas não abro mão do raro.
Gosto de sentar-me na raiz do cajueiro o olhar o sol por
entre as folhas. Ter a mão da mulher amada, suave, em
minha nuca e os seus doces lábios beijando o meu rosto.
Gosto de sussurros sem palavras que arrepiam o corpo e
o cheiro do mar prenunciando a sua vinda.
Prefiro o simples, ao raro livro de gramática aonde eu tenho

que decorar as regras pra mostrar que sei..

silvioafonso

CORAÇÃO E CINTO APERTADOS.


Vou colocar o cinto e baixar a cabeça para ver se não sinto
o baque. Não quero pensar em nada e nem ouvir o que me
disse. Eu preciso me concentrar no que faço e não tenho de
querer, como quero, largar tudo e correr pros seus braços
para brindar no mais movimentado bar dessa cidade a notícia,
linda e querida que você me deu. Digo, ia me dar, porque não
quero ver nem ouvir nada, já que não posso cuidar do meu
coração como descuidei da minha alma.

silvioafonso

SALTO DUPLO



Vim tropeçando nos sapatos pra mostrar a minha cara.
Sem graça, mas com um grande sorriso pintado em minha
cara, faço rir os que vieram à esta festa, que não sei porquê
e para quem, já que eu nada fiz por merecer uma prenda
dessas.
Com sentimento de palhaço num malabarismo confuso das
palavras vim para agradecer a quem deixou às suas coisas
e a sua vida para expressar, à sua maneira, o seu carinho e a
sua felicidade. Obrigado. Muito obrigado, mas não esperem
um twist duplo carpado, porque certamente neste momento
eu quebraria o meu pescoço e ai sim, morreria sorrindo, de
verdade.

silvioafonso.

sábado, 11 de agosto de 2007

O HOMEM NO TEMPO.


Voltei no tempo e colorido me vi bonito.
Trazia na pele o bronze dos atletas e nos olhos o brilho
do alvorecer.
Meu coração batia forte como batem os tambores anunciando
a pajelança.
Todos os dias eram de festa, todas as noites não tinham fim.
Sorri muito, talvez mais do que devesse, mas sorri até que me
faltasse o fôlego e fui feliz, muito feliz.
A mão que segurava a minha, a mão que me guiava a vida
desprendeu-se e me vi sozinho.
Retrocedi no tempo, voltei no vento e nela que eu me encontrara,
dela me vejo perdido agora, sem vontade alguma de ficar, sem
uma lágrima pra chorar, sem vontade de viver...
silvioafonso

O CAIR DA NOITE

Como o sapo eu olho o céu em busca dos meus sonhos.
Já não penso no príncipe que eu não fui. Não pretendo o
beijo da menina ou que me perdoe a natureza por não ter
a beleza pretendida. Olho para o alto e sinto o dia indo
embora levando com ele as cores alegres das imagens
guardadas nos meus olhos. A noite em preto e cinza traz
com ela o cintilar das estrelas e a pretenção do luar.
Num salto volto para dentro de mim e esqueço lá fora o
lindo quadro que pintei.

silvioafonso

CAMPO DE GUERRA E DE PAZ.


Eu sentia que era chegada a hora.
Eu entendia que a felicidade era demais para os meus,
maltratados e curvados ombros desacostumados do
amor.
Abri a janela do meu quarto e desatento, vi fugir da
minha vida o homem que eu fui por pouco tempo, mas
o suficiente pra me fazer sorrir.
Senti o fogo da paixão. Fui poeta, cavalheiro e cafajeste.
Dei na cara do orgasmo na mulher que eu mais amei e
recebi na alma o troco do atrevimento.
Parti por caminhos desconhecidos e deixei com ela, num
beijo, o homem feliz que eu fui para trazer comigo o que
restou da guerra que eu perdi.

silvioafonso

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

SONHANDO NO CATIVEIRO.



Quando o tempo derrubar todas as barreira as palavras
serão ditas deforma direta, sem medo.Os nossos beijos
serão mais quentes, estonteantes e os nossos corpos
gritarão na química, na física e na geografia. Nesse instante
uma lágrima fujona surgirá por uma fresta como um tiro
de partida ou a meta de chegada. Um correrá para o outro,
cairá o pano e os aplausos os despertarão dos sonhos em
que só os palhaços se atrevem. Só então a sentirei minha e
eu, com certeza, absolutamente seu.

silvioafonso

OS FANTASMAS VAGUEIAM NO PASSADO

Quero ver morto e sepultado, esquecido
e sem saudades esse tipo de lembrança
que achei que tive e que por mim passou
num certo instante.
Vejo um rosto choroso por aqui e uma perdida
sombra por ali, mas nada que me faça pensar
nos momentos de tristeza que passei.
Fantasmas tentam contato, mas acordo desse
pesadelo antes mesmo de saber do suas presenças.


silvioafonso

ARDENDO EM FEBRE

Esta saudade assim bem cedo. Tão forte e tão quente
igual a febre. Essa febre que arde e não passa e tomara
que não cure mesmo, se é para o meu coração ficar em
festa como está agora.
Eu quero arrepiar minha pele, molhar a minha roupa,

suando como transpira o estivador.
Tudo por você, pelo amor que lhe dou em troca de nada,

nem dos meus atrevidos sonhos.

silvioafonso

SEUS PÉS...


Teus pés que te levam para lugares nem sempre lembrados.
Teus pés que cansam enquanto o corpo lhes pede mais.
Teus sonhos que levam os pés e a ti para o mundo desconhecido
da fantasia.
E tu que sonhas com um lápis no papel, não como quem sabe de
si, mas como quem se perdeu e se vê confusa num labirinto de rios
e flores, de estrelas e lembranças.
Sonhas sem querer acordar para o lugar triste dos mortais que
também é teu.

silvioafonso
Se você me vê assim é porque já passou por
isso. Mas eu estanquei nesse momento e o meu
dia tem princípio, eu vivo as horas, mas ele não tem
fim. Já que o tempo pra mim não passa eu curtiria
o seu sonho enquanto você dormisse e a dois

viveríamos o resto dos nossos dias, sob intenso amor,
abraços e devaneios.

silvioafonso

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

NO LIMITE...

Eu queria ter o poder da luz para entrar
nos mínimos espaços e me fazer presente.
Queria, como a água, escorrer por entre
as pedras e marcar minha presença,
como o choro incha os olhos durante o
pranto.
Eu queria saber a dimensão do seu coração
e o espaço vazio de sua alma.
Eu pretendia me livrar desse anjo mal que
reza no meu quarto, desse amor doentio
que me encerra os dias no manicômio do ciúme.
silvioafonso

terça-feira, 7 de agosto de 2007

ELE VEIO SEM DIZER NADA...

Sinto adormecendo o meu amor...
Percebo que ele abandona o corpo e numa espiral se vai...
Não sei para onde e porque, mas o vejo partindo sozinho.
Não disse nada quando chegou e não perguntarei nada na
sua partida.
Restará e lembrança de sua presença, ficará o doce dos
seus momentos e de sua lembrança eu até chorarei, mas tudo
passará, como eu passava antes de tê-lo em mim.

silvioafonso

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

AS GAIVOTAS BRANCAS...

Você correu, por isso cheguei depois nesta
praia deserta aonde o vento tem cheiro de
mar. Fomos recebidos por um bando de gaivotas
e até as águas nos veio beijando os pés.
Pego em suas mãos e olho nos seus lindos olhos
o sol que se põe atrás de mim no prenúncio do
anoitecer. Giro para ao seu lado ver o fenômeno
da luz na criação das cores. Como que se
despedindo do dia o mar bate mansinho, as
gaivotas voltam pros ninhos e eu como elas
levo você comigo para o aconchego dos meus
desejos.

silvioafonso

AMOR SEM MEDO.


Poucas se atreveram e as que o fizeram se calçaram
num verso ou na poesia que dissesse do amor, da flor
e da fantasia. Clarice Lispector, Cassandra Rios e você.
Todas dão a cara às fotos e aos fuxicos.
Olhos brilhantes sem riso e sem medo.
Português claro, perdido na gramática que permite a

música das cores e das sombras numa liberdade de
encantamento e suspense que narra a força do desejo
e do amor de uma bela e audaciosa mulher que ama e
faz público o seu sentimento com palavras fortes que
machucam, mas cicatrizam.


silvioafonso

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

SÓ PENSO EM VOCÊ...

Tem momento que todas as lembranças me tomam de assalto.
Sinto saudades dos encontros e dos desencontros, dos carinhos,

dos sorrisos e até das lágrimas eu sinto falta. Momentos bons e
maus, porém momentos diferentes.
Eles foram reflexos dos meus atos, de minhas palavras, dos meus
carinhos ou da minha ausência. Eu não sei se eu errei, eu não sei
se acertei, mas a minha sorte não me entendeu.
Eu só sei do resultado; sei que a minha contabilidade não bate, não
fecha. Então eu pego o paletó e vou embora e só volto no balanço
final. Quem sabe eu tenha, ainda, uns dividendos quaisquer?

silvioafonso

O TEMPO E O VENTO...

Eu não faria o que propõem os meus amigos.
Eu tomaria esta obra-prima nos meus braços,
tentaria enfeitiçá-la no doce dos meus beijos e
a jazeria sobre a rocha, nela perpetuando o meu
amor com a pressa das preguiças.

silvioafonso

UM CRAVO NO PEITO


Eu não quero dividir as minhas flores com alguém.
Eu nasci para colhê-las e viver nas suas pétalas e
nos seus perfumes.
Não te enganes com o pequeno jardineiro.
Ele semeia o seu jardim para escolher, entre as mais
bonitas, àquela que mais se parecer contigo. E tu surges
entre tantas outras tão cheirosa e tão bonita.
Perdão senhor se eu a colho assim tão cedo neste orvalho
e a levo para sempre, comigo, na lapela.
silvioafonso

MAR SALGADO COM LÁGRIMAS.

Meu bom Jesus do Monte, quanta alegria eu vejo em seu olhar.
Eu não sentiria saudades dessa praia se tivesse esses olhos a me
procurar e esse lindo corpo para aquecer o meu.
Para que precisaria eu, do sal dessas águas se as minhas lágrimas
já calam a minha boca e tiram o doce dos meus beijos?

silvioafonso

EUROPA OU NA AMÉRICA...


Eu não quero a minha cara metade. A metade não atende
às minhas exigências, eu quero mais. O dobro não me satisfaz.
Eu quero a diferença, se convexo eu quero o côncavo e se feliz
eu quero o choro do desabafo.
Não procuro a parte que me falta, o todo que me complete.

Eu quero mais e se não estiver por perto, por favor, faça se o
mais próximo que puder, porque eu não teria como buscar o
ser perfeito, segundo as minhas necessidades no Alaska ou na
Sibéria.
Eu, egoísta, não penso em ser tudo para o amor que eu busco,

não penso ser o melhor ou o mais bonito, mas quero essas
qualidades na pessoa alvo. Resumido num bonito corpo, numa
bela cabeça e no melhor amor que possa comportar e que eu me
veja feliz para sempre.

silvioafonso

terça-feira, 31 de julho de 2007

ME LEVA COM VOCÊ....

Não demore, pois é chegada a hora. Pegue a minha mão leve-me com você a conhecer os lugares que eu não sei.

Ensina-me andar com os meus próprios pés, porque ultimamente só tenho seguido com os meus pensamentos.

Vivo no escuro do esquecimento e só você é a luz da esperança que me vaza à janela por uma fresta qualquer.

Ilumine então o meu caminho mostrando-me o horizonte, mas por favor, leve-me com você.

VEM, ANDA! ESTOU ESPERANDO POR VOCÊ.



Fiquei confuso quando soube que tu estavas pra chegar.
Troquei o meu estado de apreensão e medo pelo da
ansiedade e da alegria. Aí eu esperei e tu não vieste...
Queria tanto a tua presença, mas tu nem ficaste sabendo
que eu te esperava.
Fiquei triste com isso, mas com a tua doce mãe ao meu
lado eu entendi e resolvi esperar o tempo que tu quiseres.
Não desisto, porque não tenho sonhos quiméricos.
Eu desejo e quero que tu sejas o meu filho, dividir entre
nós o melhor que o ser humano pode ser e juntos, sem
posses, verdades e mentiras amar a tua mãe que de tão
bonita e doce, nos ama aos dois como ama a tua irmã.
Obrigado por insinuares a tua presença e desculpe o meu
desejo de ser totalmente teu.

silvioafonso

quinta-feira, 26 de julho de 2007

CONTOS DE PRINCESA.

Chegou cansada, com sono e ainda pensava em
mim...
Meu Jesus amado era tudo o que eu sonhava.
Eu queria ser para a mulher que eu amasse
o que fui para os meus filhos quando meninos;
o homem aranha, o homem mais bonito e deles
o mais forte. Eu queria ser o super-herói, o
melhor amigo e o seu fiel companheiro.
As suas palavras me levam aos remotos
tempos, mas com outra idade e propósito.
Eu a amo e disso não tenho dúvida. Eu a
Quero muito e tenho certeza do que eu preciso,
desde que você continue acreditando no príncipe
encantado que eu sou.


silvioafonso

CASCATEIA O RIO NA MINHA VIDA.


Eu tenho alguns amigos e amigas.
Sou fiel aos princípios da relação, respeitando os não,
mergulhando empenhado nos sim.
Não sou humilde bastante para dividir, mas somo, como
soma o economista. Não tenho a seriedade dos padres,
mas sou alegre como o palhaço. Não digo versos, porém
a minha vida é cheia de música e estrofes.
A natureza é a trilha sonora de minha vida e o vento me
conforta lambendo a minha cara e cerrando os meus olhos.
silvioafonso

sexta-feira, 20 de julho de 2007

AMOR SELVAGEM.


Meu bom Jesus do monte.
Como eu a amo.
Que lirismo, que beleza e que mulher!
Você não transa, você ama.
Você não se rende, você se dá.
Nenhum príncipe transa se você não quiser, mas
transcende na entrega se o desejo é seu.
Você não é mais o meu caso, o meu sonho.
Você é a minha doce e encantadora mulher.
E que se danem os poetas e a natureza.
Eu a conheci e quero agora viver como os animais.
Com instinto e sem maldade e agradecer a Deus
pela permanência do seu cio e a virilidade que me
deu.

silvioafonso

quinta-feira, 19 de julho de 2007



Quero descansar meus livros e osmeus pensamentos.

Esquecer de tudoe só de ti eu quero me lembrar. Preciso
praticar esportes ou ir à uma festa mesmo que sozinho,
mas eu quero ir. Chegam agosto e novembro, mas o
três de julho não aparece.
É a minha chance de sorrir, ver outras pessoas, te abraçar
e beijar. Quero cantar "parabéns pra você", beber coca-cola,
assoprar língua de sogra e até entrar na fila pra pegar um
pedaço de bolo, por sua causa eu quero. Mas eu preciso
sobreviver para tudo isso acontecer. Aí sim, eu poderei
morrer, mas de intenso amor.

silvioafonso

PASSEAR, LER OU DESCANSAR?


Quero descansar meus livros e os meus pensamentos.
Esquecer de tudo e só de ti quero lembrar. Preciso praticar
esportes ou ir à uma festa mesmo que sozinho, mas eu
quero ir.
Chegam novembro e agosto, mas o três de julho não acontece.
É a minha chance de sorrir, ver gente nova, te abraçar e beijar.
Quero cantar "parabéns pra você", beber coca-cola, assoprar
língua-de-sogra e até entrar na fila pra pegar um pedaço de bolo,
por você eu quero. Mas eu preciso sobreviver pra tudo isso.
Só assim eu poderei morrer, mas de amor.

silvioafonso

terça-feira, 17 de julho de 2007

VOCÊ...


Quando a brandura não deixar outra opção para o
amanhecer, tu despertarás em meio os meus braços.
Demasiado talvez seja a tua imagem sempre terna e
encantadora. O impossível entendimento da noite e
das estrelas, do dia e do seu esplendor será possível,
graças ao amor. Quando a lágrima fugir à lembrança
e as estações frias da natureza ficarem mais longe da
lembrança, a saudade responderá com o cansaço de
um velho e eu estarei contigo ouvindo os pássaros
chilreando na amoreira. Desabrocharão as flores,
esvoaçarão as andorinhas, mas eu não teria feito nada
para isto. Eu só acordarei ao teu redor e calado, sem
respirar se possível, para não desfazer o começo da
eterna felicidade.


FALA GUIMARÃES, DIGA ROSAS...

Escrever crônica é algo meio individualista. O artista, na sua importância de criador, não abre mão da determinação do ritmo, que é claramente marcado pela pontuação, principalmente pela vírgula; por isso, faz uso estilístico dela, comandando a leitura mais rápida ou mais lenta. “Certa feita Guimarães Rosa disse não saber porque as pessoas implicam com a vírgula. Às vezes, é ela, ou melhor, o seu excesso, que traduz o que se quer realmente dizer. Ele afirma que já usou a
vírgula entre sujeito e verbo; Lembram? Uma vez, escrevi: (disse ele), "Pois eu, vou-me.” Coisas de gênio, e a ele tudo é permitido.
silvioafonso

segunda-feira, 16 de julho de 2007

LEANDRO GASETA.

Faço o que você pedir, presto-me ao que você quiser.
Sento-me à sua mesa ou guardo o seu lugar na minha.
Participo do muito que lhe sobra ou divido o pouco
que mal dá pra mim.
Eu quero é estar por perto, fazer de qualquer jeito desde
que neste jeito estejamos eu e você.
Fui e sou do seu pai um amigo e desde os tempos idos,
seu, eu sou um crente. Torço pelo sucesso que lhe
bate à porta e exulto no concreto desse ideal.


silvioafonso

INFÂNCIA, MÚSICA E FLOR.

Já não sou dependente das letras ou das canções. Eu vivo
em ritmo de festa, num circo onde a arte se mostra na graça
do mais antigo dos palhaços e no triplo carpado sem rede do
audacioso trapezista. Não preciso da trilha sonora que
encantou a minha infância, pois eu fui feito de música e a minha
alma de dança quando a vejo bailar por entre as flores e as
borboletas. Não quero questionar o tosco ou o polido já que eu
estou entre as nuvens voando num bando de passarinhos.

silvioafonso

quinta-feira, 12 de julho de 2007

MAS ELE NÃO VEIO...


Corri ao teu encontro atendendo ao teu chamado. Levei os
meus ombros para uma emergência qualquer e você chorosa
me falou dos seus medos e anseios.
Sorri sob o doce do seu olhar, mas nada disse. Fiquei ali,
perdido naquele abraço a embalar meu sonho e consolando
o seu.
Que pena que nada aconteceu...
Foi bom não ter sido melhor ou morreríamos naquele abraço
pelo berço que eu não comprei.

silvioafonso.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

MEU PORTUGAL PORTUGUÊS.

Boas lembranças de Portugal.
Que não me tragam as montanhas, os
vinhos e os grelos dos vegetais, mas
não deixem que eu fique sem o privilégio
de ter comigo, nesta terra de santa-cruz
a meiguice do fado e a brejeirice do vira
pra não esquecer da rapariga, linda e bela
com sotaque português.

PALHAÇO NA ALMA E NO CORAÇÃO


Quero errar o passo e do arame cair nos
seus braços. Mas no próximo salto com fé,
do trapézio não erro o twist carpado para
aos seus pés me pôr, engraçado e
apaixonado.

Palavra de palhaço

silvioafonso

DESERTO DE MIM MESMO...










Ela vivia na miragem dos meus dias, no oásis da minha imaginação.
Ela esquecida de suas coisas e de sua gente depositava nos sonhos as suas as fantasias e sem medo vinha ter até a mim; vestido branco, largo e branco como a minha insanidade no limite do meu eu.
Vinha linda desdobrando em riso brando iluminado, braços estendidos paro o abraço e a vida toda aberta para a minha.
Que mal há se existe música em sua vida e se eu não quero saber se o DJ sabe do seu gosto musical? O que eu quero é queimar meus lábios nos seus beijos e colorir meu corpo no sol dos seus desejos, neste deserto de nós dois.
silvioafonso

UM SONHO DE MULHER...

Beijos pra você que me desaperta na madrugada suando o meu corpo, excitando os meus músculos para relaxá-los num espasmo depois.
Acordo cansado, mas sorridente e feliz.

silvioafonso

sábado, 7 de julho de 2007

ELE ESCREVEU PRA ELA.

Eu não quero dias bonitos ou noites maravilhosas. Pare de desejar que eu seja feliz nos meus fins de semana! Eu gostaria que os meus momentos fossem chuvosos, que minhas noites não tivessem estrelas e que o frio me tomasse de surpresa e nu eu quase morresse. Mas seria feliz assim mesmo desde que você estivesse comigo. Eu contaria os pingos da chuva na vidraça e correria pra lhe dizer da minha descoberta. Eu queria ficar na minha vida e viver de qualquer forma. Com você toda mesmice fica diferente. Você não teria como mudar a minha vida, mas mudaria com certeza, a minha forma de vivê-la. Você me disse que anda garimpando coisas e dessa forma fica sabendo mais de mim. Eu me fiz compreensivo e acho que vou falar um pouco mais de mim. Vou falar de coisas que nem para minha mãe eu contei. E se ela ficou sabendo foi através do passarinho verde ou de um anjo, cuja cor eu não fiquei sabendo. Eu namorei u'a mulher, uma garota com os mesmos princípios e a doçura que você me passa. Segura nas palavras e com uma porção de sonho para ser vivido. Oriunda de dois casamentos e três relacionamentos que lhe deram u'a mala de problemas psíquicos, dúvidas e temores.
Eu sem pensar e sem saber fui o seu psicólogo e a fiz vibrar nos dezessete meses que vivemos juntos. Eu dormia mais em minha casa com o meu filho do que com ela, para que a sua liberdade não fosse cerceada. Mas éramos um casal de uma pessoa só. Essa moça sentiu-se mal no princípio de janeiro e faleceu no final daquele mês.Vinte e três dias eu fiquei com ela no hospital e lá vivemos o lado triste da história que vinha sendo a mais sensata já escrita.
Tínhamos os mesmos defeitos e os mesmos desejos. Ela u'a doutora de futuro, mesmo com os seus 42 anos e eu um apaixonado pelas letras a levei de volta às salas de aula e sua vida teve outro propósito. Os seus sonhos, os mais impossíveis e absurdos eram discutidos e ela os vivia. O consenso era a favor do direito de querer e de poder sonhar. Ninguém das minhas relações soube que tudo acabou porque a natureza quis. Mas você chegou e eu nem sei como reagirá o meu organismo se eu fizer amor com você. Talvez eu esteja melhor. Nós usamos a roupa de acordo com o clima e você, certamente me fará melhor. Sou divorciado e a mulher que é mãe dos meus dois filhos, que antes de tudo, era a minha melhor amiga. Hoje continua minha amiga, mas sem abraços, beijos e algo mais íntimo. A sua presença é sentida em minha casa, onde ela está mais do que eu. Eu lavo a nossa, minha e do meu filho, roupa e quando ela está por lá, essas coisas são feitas por ela. A doutora sabia disso e agora é você quem sabe. Eu não me lembro a idade que tenho, mas lembro que os meus filhos têm vinte e seis e o mais velho trinta anos. Por hoje chega. Só disse isso porque as coisas estão indo mais rápidas do que eu achava. E nada é tão gostoso e fácil como diz o conto de fadas. Aliás, eu digo para os que me querem bem: Se você quer um prato raro, uma lagosta no seu almoço, alguém precisa mergulhar fundo nas águas perigosas desse mar e correr os riscos do mergulho. A pérola que adorna o pescoço bonito da mulher nasce na ostra ferida.
silvioafonso.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

INTROSPECTIVO?

Eu não quero olhar para dentro de ninguém muito menos
de mim.
Não quero chorar a dor que teima em doer e nem fazer
reforma em minh’alma. Eu não busco crescer para maior
do que sou e muito menos buscar a luz que eu não vejo
aonde brilha. Eu quero sim, um cantar de passarinho,
sentar a margem do rio e ver o nascer do sol na manhã de

domingo.
Quero notícias suas quando vestir minha melhor roupa e
colocar o meu melhor sorriso.
Quero saber do milagre de sua presença, sentir o seu abraço
e me perder ao seu redor.

silvioafonso

quarta-feira, 4 de julho de 2007

GRAFITEIRO...






Receava grafitar seu muro e pensava que nele, só
os arquétipos tinham os seus porquês e se atreviam.
Tinha medo que a minha arte, na cátedra dos seus
amigos, não passasse de uma pichação sem sentido
e me constrangesse. Mas a minha admiração pelo
lírico, pelo belo e a gramática me prenderam. Sem
o senso do escárnio, atrevi-me a dizer que a minha
humilde observação não tem sentido frente à sua
encantadora presença e tão lindas palavras.
Obrigado por me ouvir, obrigado por me olhar e
assim curvo-me e reverencio a tão encantadora mulher.

silvioafonso

A PORTA DO TEMPO.

O tempo me bate à porta a espera de uma resposta,
portanto é com pressa que eu quero pedir a você que me

ouça.
Que me aceite do jeito que sou, que sorria ao me vir feliz

e que entenda quando me vir chorar.
Que note as capas dos meus livros e a letra das canções que

me embaçam os olhos. Entenda isso, e aceite tudo e eu lhe
presenteio sem que tenha que me dar nada em troca, com
o que de mais puro eu conservo no peito;
O MEU AMOR.

silvioafonso

terça-feira, 3 de julho de 2007

CORRIDA AÉREA







No dia sete, agora, esta corrida acontecerá na suiça. Eu poderei
contar para os meus netos que assisti ao maior espetáculo da

aviação civil. Foi um circo onde o grau de dificuldade lembrava

o trapézio sem rede. Onde a beleza das manobras lembrava a

moça do arame que caminha na corda bamba e os aplausos eram

as crianças que vibravam em cada cambalhota do palhaço.

Não vou esquecer o que tive o privilégio de ver por estarem essas

imagens tatuadas na minha lembrança e no meu coração.


silvioafonso.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

A PORTA DO TEMPO...

O tempo me bate à porta a espera de uma resposta.
É com pressa portanto que eu quero pedir a você que me

ouça.
Que me aceite do jeito que eu sou, que sorria ao me vir feliz e

que entenda quando me vir chorar.
Que veja as capas dos meus livros e a letra das canções que me
embaçam os olhos. Entenda isso, aceite tudo e eu lhe presenteio

sem que tenha que dar nada em troca, com o que de mais puro
eu conservo no peito;
O MEU AMOR.

silvioafonso

POR MERECIMENTO...

O mistério nesta mulher é o prato de entrada. Ela é de
pura cultura, dominando a língua máter na administração
do seu trabalho. Saber jogar com as palavras e criar
momentos raros são o seu repasto. Tem um círculo,
selecionado e quase fechado de amigos e o ingresso no
seu quadro de admiráveis, sem o suborno cultural, não é
possível.
Fui escolhido na seleção da RAINHA e promovido com louvor

a súdito, deixando a minha posição, honrada, de bobo da corte
que sempre fui.

silvioafonso

O TEMPO E A BRISA.

Esqueça o tempo, perca a hora, mas lembra-se do amigo.
O tempo destrói a sua juventude e escraviza a sua alma.
O amigo lhe conforta, diz que o tempo traz a
sabedoria, que suas rugas e os cabelos brancos são o sinal
de tudo isso. Lembra que as horas nada mais são senão o sinal
gráficos do tempo já que os dois existem para regrar a sua vida
e compassar os seus momentos.
Mas esquecer o amigo, cara-pálida, é pior que perder a hora e
envelhecer sem saber de si.


AVE FERIDA...


Não criança linda, você não soube do fim deste pobre pássaro,
que nem asas para cortar têm. Não há minha bela pequena,
neste minúsculo espaço onde vivo, chão bastante para que eu
pudesse correr, alçar vôo e partir.
Quem vive engaiolado em mim sou eu mesmo. Prisioneiro dos
meus pensamentos dos quais não pretendo ganhar a fuga.
Não sou um misto do bem com o mal, sou sim a divisão da soma
dos dois, cujo resultado fez a nossa amizade que já chegou a beirar
do amor.

sílvio afonso.
Detesto afirmar, mas eu falo de mim, do meu coração e um
fundo musical iria muito bem ou melhor, vai muito bem.
Afora isso eu não ouço o eco do meu grito.
Que deserto é esse, onde eu prego e minha voz se confunde

no vento, nos cactos e nas areias?
Para tudo o que eu gosto você me dá a senha. Eu amo esse

presente, mas quero não ter que clicar para saber de você.
Fale comigo, vá à passarela e desfile à minha vaidade, dê um
sorriso ou me traga uma flor. Mostre esse verde olhar, esqueça
dos outros ambiciosos olhares e faça isso só para mim.

silvioafonso

VALENTE AUDAZ...

Sou paraquedista e tive a primeira experiência aos 16 anos,
para só aos 20 servir ao exército e defender a pátria.
15 mil pés me separavam do solo o bandeirante do exército
e em um salto audaz, em queda livre, eu comandava o
equipamento aos 2.500 pés e a conferência do velame
aberto sobre a cabeça, eu fazia.
Queda suave e veloz viagem. Brisa fria acariciando o rosto,
gelando o corpo. Cabelos em desalinho, coração aos pulos e
felicidade estourando o peito. Sorrisos e braços abertos à minha
espera.
Beijos, abraços e tapinhas nas costas. Bilhetinhos colocados em
meu bolso e o recolhimento do nylon e suas linhas eu fazia
para serem, cuidadosamente dobrados para uma nova aventura.