sábado, 6 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL!



O verão ainda não chegou, mas o sol que decidiu tirar 
férias e por conta própria passá-la aqui no alto da serra, como este ano está fazendo, me obrigou a comprar um aparelho de ar condicionado de 12 mil btus., para enfrentá-lo. Ontem, por exemplo, o céu escureceu nos dando a impressão de que Santa Bárbara iria se vingar da gente novamente, como em 2011, quando puniu aqueles que mereciam ser punidos e os que nada fizeram para merecer tamanho sofrimento. Felizmente tudo continuou esquentando, sim, mas nada que nos desse a certeza de que os morros desceriam ou que subiria o nível dos rios. Há dias, como já falei aqui, eu e o meu pessoal fomos a Minas Gerais onde vivemos, por poucos dias, eu sei, mas o suficiente para nos fazer lembrar a nossa infância.  Em três dias vivemos tudo o que vive e faz a criançada no curto período da adolescência. E se não fizemos tudo, pelo menos deixamos essa impressão em quem viveu conosco aqueles momentos mágicos, de luz e fantasia.
Agora, nessa tarde de sexta-feira, chove lá fora. Talvez lá fora e aqui dentro do meu peito, porque alguma coisa me diz que a tristeza do natal que este ano demorou a chegar, já bate à nossa porta. Digo isso porque o natal é uma data festejada com bebidas e risos, mas no fundo, a gente só bebe e ri para maquiar a tristeza que nos toma por inteiro. Eu acho que esse ano poucos virão me abraçar, me beijar e comer o meu piru, que dessa vez estará enorme, mesmo sabendo que bebida e o dito cujo eu tenho para todo mundo.
Feliz natal para os que passarão comigo e para os que me levaram à ventura do riso farto e do choro contido, como aconteceu recentemente e que, por motivos que não me dizem respeito, estarão distantes e longe da gente, como diz a minha avó, que também não se fará presente. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

SERÁ?

No começo dos tempos quando o glúten não incidia artificialmente sobre o trigo se 
comia menos pão em relação ao que se come hoje. Por que seria? Por que se bebia vinho se para um gostoso refresco bastavam 30% da uva consumida? Estas perguntas têm respostas que não convencem, mas explicam. Teriam elas o mesmo peso que os livros sagrados quando dizem que fulano ou ciclano falou isso ou aquilo apontando as escrituras como se elas fossem o gravador que registrou e arquivou tais palavras num cartão de memória que resistiu ao avassalador desgaste dos séculos?  O pão já não tem o mesmo gosto  e o vinho o doce do fruto, o suave frescor dos ventos e também não nos deixa sóbrio como eu acho que ficavam na época de Cristo aqueles que o degustavam. Uma pergunta aqui, às escondidas é necessário que se faça; se o vinho não dava barato, por que era bebido? Tantas perguntas eu teria para fazer, mas resolvi parar por aqui, não antes de saber, é claro, o que o pajé põe no cachimbo que tira a dor de dente de quem sofre,  faz sangrar a menstruação de quem se achava prenha e permite o saci de dar rasteira? Que barato é esse, gente? Será que depois dessa viagem a coisa não toma o seu próprio rumo?

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

NUM SÁBADO A TARDE.

A imagem de um garoto de 55 anos caído na grama depois de errar um dos 
muitos chutes que fez ao gol jamais sairá de minha mente. Ele não errou o chute ou errou a bola e muito menos errou o gol por excesso de confiança, de zelo ou por medo da jogada não sair perfeita. Ele errou porque não era um jogador que veio para ganhar um determinado jogo, mas um garoto travesso que rolava e nos fazia rolar de rir com suas peraltices. Éramos, para ser mais preciso, seis irriquietas crianças, naquele momento.  Seis moleques correndo atrás de uma bola. Nada de homem, mulher, menina, velho ou adulto. Éramos como crianças em dia de Cosme e Damião a procurar por doce, e a responsável por tudo isso foi Rebecca, adorável criatura que nos convidou para completar seu time, depois veio o Eduardo como reforço de ultima hora. Agindo dessa maneira muita coisa poderia ter mudado, mas que nada. Até os mais recomendados pareciam principiantes e os que nunca jogaram até  nos ensinavam a lidar com  a bola.
A graça da festa era a felicidade que ela nos provocava e nada de melhor poderíamos acreditar que existisse no mundo naquele instante.  Mesmo sofrendo com os meus erros, com os erros dos outros e com a dor que me tirou de campo, aquele, para mim, foi o melhor que poderia ter acontecido, não só a mim, mas também aos que tomaram a minha contusão como um momento de graça e fingimento. Só eu sei o quanto me doeu e dói ainda essa dor bendita que só não é maior que a felicidade que ela provocou. Picasso ou Miguelângelo, diria o velho palhaço poeta, não se atreveria pintar um quadro com tamanha beleza como os que nós seis pintamos naquele sábado. Muito gelo na contusão, nos pés descalços e nas cervejas que bebemos depois do jogo. Mas como nada é eterno, a noite chegou e trancou atrás de nós o portão do campo. Aí fomos embora pra casa, mas não sem levar conosco na lembrança aquele belíssimo 22 de novembro, uma bela tarde de sábado quando aqueles caras que conosco dividiram o riso e as cervejas nos acharam iguais a eles como nós gostaríamos que todos se achassem. Hoje, certamente, estão perdidos no tempo e na distância e talvez nem mais se lembrem do quanto nos fizeram felizes naquele dia, como eu me sinto ainda.

domingo, 23 de novembro de 2014

NEM EU SEI PORQUE.

       Quando resolvi parar de publicar o que venho escrevendo, o que hoje se tornou livro, que trata de um padre que substituiu o antigo sacerdote na igreja de um povoado onde os costumes e o jeito das moças e consequentemente dos rapazes foram postos à prova, foi que percebi que meus leitores não se importavam com a direção que eu dava ao barco, até pelo contrário,  demonstravam prazer na viagem que eu os levava a fazer qualquer que fosse a direção tomada, desde que estivessem comigo como há muito tempo estamos. Essa atitude deveria enaltecer a minha vaidade, mas no entanto me entristeceu. Não fiquei triste como quem espera a morte no portão de casa, mas triste o suficiente para que a beleza das estrelas não fosse percebida, o perfume das flores não fosse sentido e a beleza das ondas quebrando no rochedo não tivesse vista. Esse tiro, acreditem, aguça os meus sentidos, não pela direção tomada pela bala, mas pelo susto que  o estampido a mim me causa. 
Tem momento e disso eu tenho certeza, que ando de braço com a contradição, mas nem por isso eu sigo os caminhos que me induz.  Sendo assim, pensam que o paradoxo me toma por refém, mas sou eu quem se faz de morto para tirar dele o poder que tem. Nem por isso deixo de sentir o cheiro da indiferença que rola em relação ao que eu disse, mas ao mesmo tempo a minha experiência me dá a entender que são felizes os que optam por caminhar comigo. Talvez por desconhecerem o que venha a ser felicidade total e absoluta ou por medo de perder a que julgam ter.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

AONDE A GENTE VAI?



Quando a gente chegou de viagem eu fiz mal em permitir que as malas fossem desfeitas,
até porque, poucos dias depois voltaríamos a por os pneus na estrada. Enfim, como nada foi feito, as roupas voltaram para os seus lugares no armário.  De qualquer forma isto é muito prazeroso, mesmo sabendo que se trabalha mais do que pode, ganha o mínimo para não morrer de fome e  acha que só se descansa quando acha que vai para o céu. Por isso eu faço e desfaço as malas sem reclamar da trabalheira que dá; calçados num lugar, roupas no outro, toalhas de banho e rosto para cá, e as peças íntimas à parte enquanto a gente, boba que é, se diverte no interior do carro que aos trancos e barrancos resmunga estrada afora. Tanque cheio de um combustível que antes, quando o país não o produzia suficientemente para o consumo interno, era, podíamos dizer, barato, mas agora que temos o bastante para exportar, nos custa os olhos da  cara.  Felizmente só os da cara ou nem carro eu teria para não me vexar. Parece até que os políticos estão gastando mais do que o necessário, por isso tem estado tão caro.
E lá vai a gente cantando como a cigarra, que nem sabe o preço do canto, brincando como filhote 
de cachorro que não entende as manias do dono, porém feliz como pinto no lixo que se diverte sem saber que dele ninguém terá pena quando matar a 
fome de quem o matará.
Tudo arrumado, motor ligado, eu e os pneus calibrados e lá vamos nós antes que apertem
ainda mais os nós do país e os da gente.

sábado, 15 de novembro de 2014

TERRA MOLHADA.



          
     Amanhã bem cedinho eu pego o meu barco, minhas flechas 
e meu bodoque e vou para o grande rio. Remarei em direção ao sol quer ele se levante ou fique lá, estirado sobre o horizonte me olhando. Caso um caboclo eu fosse e com certeza faria um cigarro de palha enquanto o cheiro das águas molhando as margens do leito por onde rolam acariciasse o meu nariz, mas como não sou, continuarei remando mundo d'água adentro até os braços se cansarem e eu os cruze sobre o meu peito.  No decorrer do dia a fome, que não abre mão do convênio que tem com morte, tentará me afogar, o que certamente conseguiria não fosse eu um malandro de cidade grande que tal qual um pistoleiro do velho oeste sacarei, cruzando as mãos pela cintura, um pedaço de pão do farnel com o qual abaterei à mordazes dentadas e lentas mastigadas a fome que tentaria me matar. Pena que também morrerão os peixinhos que de olhos cumpridos sucumbirão 
com a boca cheia d'água.
        Olhando, agora, pra cima me dou conta que a noite para tais divagações está bastante inspiradora. Uma nuvem no céu, só uma, não há para que se pudesse embrulhar aquela lua e um par de estrelas para a viagem.  Nada que no firmamento interrompa o risco branco dos cometas que cruzam sobre a minha cabeça de um lado para outro.  Isso é sinal, ou melhor, é uma grande mancha de que o dia será bonito para quem não tem o que fazer, mas prazeroso para os que labutam, mesmo em causa própria, como eu que remarei rio afora em busca de uma resposta que justifique a minha vontade de bisbilhotar o encontro do  rio com o céu, tendo o mar por vigiá-los.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

ÁGUA, O QUE É ISSO?



A terra parece que deixou de sofrer, pois já não ouço os seus gemidos como ouvia 
antigamente quando a cachoeira despejava do alto das montanhas um montão de água que espumava ao se chocar nas pedras lá embaixo. Hoje as suas lágrimas já não correm serpenteando pelos rios, 
não cascateiam rochedo abaixo e empoçar, então, muito menos. Faz tempo que a chuva não lava os telhados da nossa casa e não varre as calçadas como varria antes. Isso sem falar na gurizada que fazia de um tudo para brincar na chuva. O verde que antes envolvia os montes e as montanhas esmoreceu dando lugar à folhagem seca que certamente arderá na primeira chama. O céu está mais limpo, as geleiras escoam em direção ao mar ao passo que a sede seca a boca dos paulistas, depois a dos cariocas e a do resto do país, quiçá a de todo mundo.  
Vamos torcer para que o rio São Francisco, sorria. Para que o Paraná, não pare e o Solimões não precise de gelo e açúcar o que tira de mim a certeza de que a terra deixou, sim, de sofrer, porque, enfim,  descansou na santa paz.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

FOGOS DA COLHEITA.

Finalmente para poucos o meu livro está pronto. Para os amigos, uma obra de arte. 
Para os mais ajuizados, um punhado de papel jogado ao vento. Todos que mexem com arte sabem que a crítica tem o peso de mil elefantes. Tem comentário que levanta os que já não se sustentam, como também tem os que enterram o que acham estar morto.
Enfim, a obra está no ponto de forno. Momento em que a minha amiga, Catiaho, a tomará nos braços, como se fora um filho, e o levará à lapidação para o desbaste final. Enquanto isso, nós, reles mortais, aguardaremos ansiosos que a musa da literatura, como Kelly Klein, faz questão de chamá-la, retorne trazendo numa almofada vermelha, o resumo da ópera. 
Foram dias de falsas tristezas e meras alegrias. Foram dias de clausura e incerteza, de chuva miúda na vidraça e vento por baixo da porta. Foram, portanto, dias a espera da planta frutificar. A flor já se fizera à luz da minha vida, como é sabido, só o viço não me regalava os olhos, como pensei quando plantei. 

Obrigado Catiaho, minha amiga e 
obrigado a minha mulher querida. 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

TRISTEZAS DO JECA.

Eu não acredito que os  nortistas e os nordestinos, os desinformados e os que lucram 
com o, "quanto pior, melhor", tivessem a coragem de matar o sonho da metade dos brasileiros, como também não tenho certeza de que foi a maioria dessa gente  responsável por uma boa parte dos 40% dos votos do Sul, dos 54,94%  do Rio e dos 52,41% de Minas, que resultou no saque da arma, no engatilhar, no apontar e na ordem do fogo, cujo tiro certeiro feriu de morte o pobre trabalhador assassinado-lhe o sonho.
Talvez em  2026 eu, se  ainda estiver vivo, volte a votar. Isso se o Lula, que até lá continuará presidente, não incorporar o espírito do Chaves eternizando seu próprio mandato. Aí eu e o resto do Brasil votaremos, não em benefício próprio, mas como quem oferece a outra extremidade da vara na intenção de salvar aqueles que sucumbem no atoleiro.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

COMO RESPIRAR SE ME ROUBAM O AR?

     Durante uma boa parte de nossas vidas a politica vestiu com sobriedade a minha família, deu aos meus filhos os melhores colégios onde estudaram e se formaram e nos melhores restaurantes nos refestelamos de suas iguarias. Isso, sem falar nos carros que trocávamos a cada ano. Portanto, eu não deveria ter nada do que me queixar, mas chega um momento que a gente cansa com tanta hipocrisia. Pô, como pode um político, imbuído da decência e da moralidade, acusar os adversários partidários de fatos que não conseguem provar e só o fazem por ouvir falar? Eu já não tenho filhos menores, mas se os tivesse, juro que não os deixaria assistir a tais debates porque, segundo o que tenho escutado, nem travesti brigando pelo ponto com prostituta se rebaixa tanto. A certa altura do programa eu cheguei a penar que a candidata simularia um mal estar para fugir às ofensas de quem, em determinado momento deu a entender que fosse fraquejar, desistir das provocações sofridas, como fez a terceira colocada no turno anterior quando abaixou a cabeça diante dos algozes a quem respondia com projetos de sua autoria e que, por sinal, seriam muito bem-vindos por se tratar de projetos de relevância, já que ergueriam a cara do país, mesmo que pedir a colaboração do adversário fosse necessário, como nos tinha dito. Mas que nada. Quem deixou a sala onde o embate era mostrado, fui eu. Eu que já vi o bem se debatendo contra o mal e sucumbir. Já vi religioso enriquecer às custas de sofredores e jurar mãos limpas, sem as ter. Vi partido de esquerda dobrar a direita na direção do cofre-forte, assim como vi malfeitores coroados de louro em festa de agravados. Não sinto nenhuma alegria vendo o Brasil punido por ser criança. O que acontecerá quando for adulto, se chance de seguir o caminho da educação e da prosperidade não lhe é oferecida?

terça-feira, 14 de outubro de 2014

VENTO QUE VENTA CÁ, NEM SEMPRE VENTA LÁ...

Eu fico sem jeito, não nego, de dizer que sou feliz.  De qualquer maneira seria 
uma cafajestada da minha parte negar que eu tenho a melhor família, o melhor emprego, uma ótima saúde e os amigos que alguém já pode desejar. Não digo, pelo menos em voz alta, que sou feliz porque não tenho como garantir que faço felizes aqueles que dizem me amar e se eu não os 
faço,  não devo me sentir. 
Nas bodas de ouro, por exemplo,  meu avô  bateu no peito falando, até com certa arrogância, que o casamento lhe trouxera toda a felicidade que tinha. 
O que adianta dizer isso se a minha avó permanecia de cabeça baixa e conservava o sorriso amarelo de sempre? Como não seria ele feliz se minha avó faz tudo o que ele gosta e o que ele quer? Será que a  vovó, assim como todas as pessoas que se descobriram fazendo as vontades do parceiro, são felizes, fingem ou não sabem o que é felicidade? Por isso eu fujo do assunto quando abordado, mas não nego, olhando nos olhos de cada amigo, de cada filho e da mulher que amo, que eu sou, sim, o mais feliz dos homens e poderia ser bem mais se eu tivesse a certeza que os faço felizes também.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O PREÇO DO VOTO.

      Eu jamais pensei acreditar que Jurema um dia pudesse se candidatar a uma vaga na política devido a introspecção que, diante de qualquer pessoa, a punha olhando os próprios pés. Desse tormento não tomei conhecimento que conseguira se livrar. Até andar sozinha ela evitava pra fugir do assédio dos rapazes e da possível inveja das garotas. Enfim o tempo passou mudando as coisas e as pessoas, e pelo visto, mudou muito aquela que mesmo não admitindo era a gata mais cobiçada pelos amantes do impossível cujo número era bem maior que o dos homens feitos para o casamento. E a certeza de sua candidatura encheu-me de curiosidade e alegria ao mesmo tempo.  A gente precisava ter no governo uma pessoa séria e determinada, como ela demonstrara nos tempos de faculdade.  E disso só fiquei sabendo quando Olga, amiga da minha filha mais nova, veio à nossa casa onde se comportou, não como uma pessoa de bem, mas como se fora criada por quem tentava fazer dela uma futura vagabunda. Eu, um cara maduro e com a vida bem resolvida, jamais teria vistas para qualquer mulher, principalmente uma menina que tinha idade pra ser minha filha. Olga, no entanto, provocava deixando os seios, miúdos como limão, à mostra ao se curvar, sem motivos, à minha frente. Foi preciso que eu lhe perguntasse o por quê, daquilo tudo. Se ela não tinha vergonha de se insinuar para um cara que podia ser seu pai, e se também não se acanhava de mostrar as calcinhas toda vez que se jogava na poltrona e cruzava as pernas diante de mim. Foi aí que ela, para meu espanto, disse que era filha de Jurema, minha colega dos tempos de faculdade que resolveu se candidatar à câmara dos deputados nas eleições passadas, por isso o seu empenho em provocar os eleitores para deles ter os votos que sua mãe necessitava, como disse ter seu pai aconselhado. Eu juro que ela me arrepiou com o que falou. Como um pai podia se tornar tão baixo a ponto de expor, como vinha expondo, a filha de quatorze anos a um mundo tão cruel e tão perverso? E a minha filha, qual o risco que corria ao lado de uma pessoa influenciada por um pai que me causava náuseas? Será que Jurema fazia parte dessa aberração ou o maluco com quem se casou seria o único malfeitor?
    -Não votamos na pessoa que certamente mudaria a política atual e enfeitaria com sua beleza esse lugar aonde dormem alguns lobos e certos vampiros.  Também não procuramos saber dela que viajara com a filha e o marido sem dizer para onde e por quanto tempo. Muito menos buscamos saber qual dos dois teria tido essa infeliz ideia e a que ponto chegaram para obter, felizmente sem sucesso, os votos que precisavam, mesmo dando em pagamento a filha que deveria ser para eles o bem mais precioso.  Quantos não teriam se aproveitado da fraqueza do casal para na garota criar um trauma de tamanha grandeza que nem todos os profissionais de psicologia juntos seriam capaz de resolver.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

NÃO DIGA, NÃO.

Quando chegares do trabalho não te jogues no sofá dizendo que estás cansado, 
que teu chefe não dá valor ao teu trabalho e os colegas não merecem a tua confiança.  Não digas que a vida é uma droga, que teus vizinhos são barulhentos e que teu filho só escolhe gente inferior para ser amiga. Não mudes de calçada se um estranho vem em tua direção.  Não digas oi quando for cumprimentado ou deixes de ajudar se não tiver platéia que te aplauda. Não comente o defeito de uma pessoas. Não reclames do preço se queres o melhor produto ou blasfeme contra um governo  empossado com a maioria dos votos. Não batas no teu filho com palmadas ou palavras, mas não deixes de convencê-lo da grandeza da humildade, mesmo que ele venha a ser o presidente da república, no futuro.  Não batas no teu neto dizendo que o amas. Não digas, não sei, se te perguntam por uma rua que tu nem sabias que existia. Busques informação e ajude a quem está perdido. Não desfaças uma relação antiga, se ela não te desmerece,  em detrimento de um príncipe encantado ou uma princesa vitoriana recém-chegado que jurar amor a primeira vista. Não deixes que a tua arrogância bata a porta atrás de ti se mudares para um emprego melhor. Não deixes de fechar os olhos quando beijar a tua companheira ao sair para o trabalho e quando dele regressar à casa. Dê flores para ela. Sorria de suas piadas, mesmo que sem graça, e não deixes de ficar um minuto que seja, sentado ao seu lado para ouvi-la e se o assunto não for do seu interesse, não sejas indelicado. Abra a porta do carro para o teu carona. Afasta-te com um sorriso para o zelador fazer o seu serviço. Passe a mão na cabeça de uma ou de todas as crianças ao teu redor. Acene à idosa na janela e ofereça ajuda aquele que precisa. Faças tudo aquilo que tu achas lindo alguém fazer, pois, na hora do teu descanso dormirás como um bebê, mesmo que não admitas que tudo o que fizestes, fizestes por ti e para ti, ou essa linha tênue que traça em tua boca o sorriso que te encanta o sono, não existiria.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

VOTAR PRA QUÊ?

Antigamente os candidatos a cargos eletivos prometiam 
aquilo que a população queria e quando eleitos simplesmente melhoravam alguns postos de saúde ou davam uma “guaribada” numa escola aqui e em outra ali enquanto os funcionários  responsáveis pela obra  recebiam bons salários. Isso, de certa forma, era justo. Hoje a coisa funciona  de maneira diferente e como os políticos sabem que o povo não mais aceita ser iludido, resolveram difamar os adversários para não perderem ou precisarem dividir com outros o poder que têm nas mãos. Quando um respeitoso cidadão ou cidadã indignado com as falcatruas  se arrisca  na política para justiçar o povo, logo alguém, da situação, o convida para uma  aliança, e caso não aceite um lado escuro do seu passado, se ele tiver, será mostrado na Internet infernizando a vida do pobre coitado, pois desacreditá-lo junto aos eleitorado é, para os que se veem ameaçados de perder a "boca", uma questão de honra.
 É nesses momentos que eu digo aos que me leem que o bem é frágil diante da monstruosa força que tem o mal.   
Nenhuma verdade se sustenta frente a uma mentira bem elaborada. 
Nenhuma nação verá o sonho ou o desejo de sua gente realizado se aqueles que têm o poder não desejarem. O povo, na sua maioria, sabe assinar o nome e ler certas palavras, mas daí a discernir sobre o que leu vai uma distância imensa.  
O professor que não recebe um bom salário não ensina bem aos que gostariam de aprender, e os que não aprendem, dão o pescoço ao cabresto que lhes é oferecido.  Quando um pedagogo e outros formados,  não importa em que área,  se empregam, o professor é o que receberá menor salário.  Estudar pedagogia para quê, se ao pedagogo não é dado o direito de lecionar para todas as séries do curso fundamental.  Para ministrar aulas da metade do curso em diante  é necessário ter licenciatura, pós-graduação, mestrado, doutorado ou tudo junto.  O governo, talvez por ser mal formado,  dificulta o aprendizado de sua juventude enquanto o professor que merece todos os incentivos é desestimulado com a miséria que recebe.  
Esperamos ver um dia o salário dos docentes e demais trabalhadores de nível superior no mínimo equiparados. Para isso será necessário uma inédita vontade política dos gestores públicos e da sociedade, como um todo.
Quem está no governo e pode mudar o quadro não muda e também não sai, e quem gostaria de ver a coisa melhorar, não tem como entrar para mudar.  Não é mesmo professor Cristovam Buarque?,  que também é engenheiro, economista, educador, professor universitário e senador e mesmo tendo tudo para virar a mesa, não recebeu os votos necessário quando se candidatou à presidência da república, ficando com 2% do total dos votos.  
 E assim, como diz o ditado, vai de cabeça baixa o boi, que não sabe a força que tem.


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

SERÁ QUE VALEU À PENA?

Aconteceu comigo um fato inusitado no momento em que nada dava certo em minha vida.
Eu até me cutuquei, belisquei, pedi que a mulher maravilhosa que me acompanhava naquela oportunidade me sacudisse, gritasse comigo e até chutasse a minha canela, mas como nada mudou coisa nenhuma concluí que não dormia. De fato o caso era real e não um sonho como eu achava, principalmente quanto ela, aquela maravilhosa, me tirou do corpo as roupas que eu vestia contrariando a lógica de ser eu quem as deveria tirar para esta exposição.  Assim que fiquei nu a moça lambeu-me por inteiro com uns olhos que de fome já morriam. Fez-me acreditar que já sabia o que fazer com esse que se prostrava à sua mercê, e, com requinte de cuidado me examinava detalhadamente o corpo sendo que nas partes cruciais agia com sofreguidão. A presença daquela moça era a garantia que ninguém, ali, ia falhar.  A maciez de suas mãos e o calor do seu olhar aquecendo o meu corpo arrepiavam-me os pelos. A certa altura do acontecimento eu, não resistindo mais a tudo aquilo, confesso  que gemi. Gemi um choro miúdo como um rato acuado pressentindo a morte.  Fiz, portanto, o que ela queria ou simplesmente imaginava. Virei e revirei da maneira que eu podia e que ela entendia. Fiz do jeito, não que eu gostaria, porém o mais indicado para o momento, pois foi pra isso que a  escolhi em meio a tantas que sabiam como fazer bem feito sem precisar  qualquer pergunta que originasse qualquer resposta. Não precisei pagar como se paga por este privilégio a não ser com a exposição das minhas intimidades que a poucas esse prazer eu dei. Entende-se que ela sabia tudo e mais alguma coisa a meu respeito por isso se deitava sobre o meu corpo como se deitam os enxadristas por sobre o tabuleiro  movendo com mão de mestre cada peça na sua vez até que um indiscutível xeque mate ela impôs a mim. Não suportando mais aquilo que sentia, gritei com todas as forças que me restavam impressionando os fortes.   Eu, que jamais pensei ficar tanto tempo com uma mulher naquele estado, me vi subjugado num período curto, porém especial, como aquele,  que mais parecia uma eternidade.
Graças a sua habilidade comprovada não careceu de mais tempo se era doutora na área de angiologia daquela clínica onde, com sutil eficiência me livrou da artéria morta que há tempos me
desconfortava a perna.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

FÉ DE MAIS.

Minha vizinha, já madura, reclamava da solidão em que vivia por isso se
permitiu ser paquerada por Jairo, colega de igreja e que arrastava asa por qualquer mulher que
não demonstrasse  interesse pelo seu dinheiro.
 Aos 64 anos ainda era solteiro, mas muito simpático e bastante parcimonioso com as moças com as quais se envolvia. Por isso nenhuma queria nada com ele que nascera, pelo que demonstrava,  para viver às custas de mulher. 
Cansada de dormir sozinha e sofrer com a ausência de um homem em sua vida, tratou de reforçar a fé que tinha na religião e pediu o admirador em casamento.
A festa aconteceu três meses depois do pedido.
Jairo, o noivo, que só entrou com o, desculpem a má palavra, pinto, para protagonizar a festa, foi morar na casa da sonhadora. O desespero da fiel era tamanho que se casou às pressas querendo matar a sede que já a consumia, mas, coitada... A fonte há muito havia secado e dela esconderam tal verdade. O sujeito gordo e bonachão com quem se casara só tinha de rijo a referência que davam dele. Talvez por não lhe faltar dinheiro tudo era resolvido do jeito que queria, só enrijecer o que precisa de sustentação num momento como aquele, que não.  
Com a grana do cara e a fé de Jesus a noite de núpcias da velhota com certeza seria uma maravilha, a mais bonita e mais farta de todas, mas o que fartou de verdade não foi da parte dela, mas da parte dele que não se importou com quem, encolhida num canto do próprio quarto chorava o pênalti que chutara para fora enquanto ele se refastelava na cerveja zero álcool, gelada, que ganharam. A mulherada precisava saber das notícias e tão logo a porta se abriu um gordinho sorridente trazendo uma bíblia  embaixo do braço  passou acenando com a intenção de ir à igreja aonde agradeceria  a bênção que Deus lhe dera. Já a mulher, pobre senhora, que há muito rezara por um momento cheio de intimidade e fantasia, fingia um sorriso às fofoqueiras que jogavam beijos com votos de felicidade na esperança de saber, com riqueza de detalhes, o  que teria rolado de prazeroso naquela  noite. 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

É, ACHO QUE NÃO PROVEI NADA A NINGUÉM...

Vocês estão lembrado da loira que bateu na traseira do meu carro enquanto eu calibrava
os pneus? Pois saibam que eu fugi de sua casa sem nem mesmo me despedir e o pior é que não recebi o que ela, por lei, me devia.  Essa mulher, que tem todos os atributos que qualquer mulher  almejaria, tanto fez que acabou localizando  meu endereço, - certamente através da placa do meu carro -  aonde me encontrou.   Eu estava só em minha casa trabalhando quando, através da janela do 5° andar aonde moro, dei por ela vindo em direção à portaria do edifício. Jamais esqueceria aquela silhueta, só  não pudia adivinhar que um dia ela viesse me procurar.  Quando a campainha tocou meu coração acelerou, cantou pneu. Está na cara que minha mulher não gostaria nem um pouco de saber que na sua ausência eu recebi uma visita,  principalmente de uma mulher igual aquela, por isso resolvi não atender a campainha, mas quando começou esmurrar a porta eu tive de ceder,  O diabo que ainda morava em mim pedia, implorava que eu a puxasse para dentro, talvez achando que cruzasse as pernas tantas quantas fossem  as vezes necessárias e balançaria os seios que pareciam querer saltar pra fora do decote pra me provocar. Fato esse que me fez engolir em seco e para não piorar a coisa permiti que ela entrasse.  O diabo gargalhava no meu ombro junto ao meu ouvido enquanto doia a minha consciência. 

Descalçou-se dos sapatos e sobre a mesa deixou a bolsa e o par de óculos que usava. Soltou o cinto do vestido reclamando do calor que só ela sentia se o termômetro que era visto da minha janela marcava 17 graus. Pedi a ela enquanto que não se demorasse porque estava de saída, Ela tirava a meia de uma das pernas ao me garantir que tiraria, não só as meias, mas tudo, ficando nua como veio ao mundo se eu não a ouvisse.  Meu Deus o que eu poderia fazer numa hora dessas, o quê? E o diabinho rolava de rir ao passo que eu suava às bicas. 
Um certo detalhe no meu corpo não sabia se devia ou não se comportar.  Cada movimento com as pernas ou com os seios que a mulher fazia me dizia que não, enquanto o medo de arranhar a lisura do meu casamento me garantia que sim, que eu deveria me comportar.
 
-Sabe de uma coisa, leitores. Eu tenho uma amiga que numa hora dessas costuma dizer; 
"se não há como remediar o mal ligue o foda-se e deixa rolar". 
E foi o que eu fiz,  mas na hora de tirar a roupa pra fazer a besteira que vocês acham que eu seria capaz, a minha esposa puxou-me o edredom que me cobria e  me deixou do mesmo jeito que eu tinha ido com ela me deitar naquela noite, porém, muito mais excitado, como se excitado eu ficasse por qualquer mulher que não fosse a minha se não fosse sonhando.