Contando ninguém acredita que num final de noite alguém cansado de muito viajar se instalasse, por engano, num motel para dormir e ao invés de se excitar com os gritinhos e gemidos do casal transando no quarto ao lado tenha se zangado com quem busca amar às
escondidas, afinal de contas, o lugar tinha este propósito e não o de repouso como o idiota metido a santo, como fui taxado por amigos e outros filhos da mãe que encheram de impropérios a minha caixa de mensagem. Esses babacas disseram que eu não passava de um grande imbecil, já que deveria ter imaginado o que um sujeito faz para provocar risinhos nervosos e gemidos ensandecidos na parceira. Eu deveria, diz uma das mensagens, ter tentado comparar o tempo que o casal se entregou a esse amor com o que
eu tenho dedicado àquela que vive comigo lá em casa - dizia o texto.
Acham que já não dou no couro, que não sou mais o cara que dizia ser, mesmo
não aparentando ser tão velho como acham.
Pessoas que se incomodam com quem faz sexo é
porque não tem quem as queira ou porque broxaram no final da vida, ou mesmo antes - concluíram.
Eu quero, preciso e vou explicar que nada do que foi dito contra mim é
verdadeiro. Ninguém faz ou fez um sexo
melhor do que muitas garantem que eu faço. Poucas vezes eu transei a
noite inteira, mas dizer palavras que eu sei que ela gosta, bulir aonde sei
que arrepia o corpo e a alma, ligar o interruptor da loucura com os meus beijos e regar a terra para que nasça flores, há nisso eu sou inquestionável.
Ninguém faz tanto como eu em tão pouco tempo, e o resultado do que eu falo não está nos
gritinhos e nos risos que elas dão, mas nos sussurros, nas arranhaduras deixadas em minhas costas e
nas marcas de seus dentes cicatrizando em minha pele.
Nesses
casos a qualidade tem chancela.
Não é
necessário a noite inteira para dar um amor recheado de carinho e atenção à pessoa que se quer enquanto muitos
levam a vida inteira e não conseguem.



