terça-feira, 26 de novembro de 2013

AINDA CHORAM OS MEUS OLHOS.




Não adianta o tempo passar, a vida explicar ou um esporádico sorriso tomar conta do meu rosto se a felicidade que nos unia se virou de costas quando da gente te cansaste.
Será que eram verdadeiros os abraços que me davas quando eu, sorrindo, te entregava flores dizendo que te amava? Não sei, talvez, mas só que não.
Tu fostes um dos melhores amores que eu tive, já que davas aos que eu a ti apresentava o mesmo tratamento que me dispensavas. 
Enquanto  brincavas nos momentos de agonia, das tristezas e das verdades, tu sofrias, mesmo assim nos confortavas. Em tempo algum, porém,  deixaste de ser meu parente ou meu amigo inspirador.
Finalmente vou deixar-te em paz, mas não sem antes te dizer que não vou te perdoar pela covardia de dizer   que tudo estava bem e  que nem a morte tiraria a tua alegria para em seguida, sem dizer adeus, bater as asas e ir pro céu.
Agora eu vou te deixar descansar em paz.  
Vá, e até breve. 
Não muito breve, porque mesmo que eu tenha te amado muito,  eu não teria a mesma coragem de deixar chorando aqueles que por mim sorriem.

sábado, 23 de novembro de 2013

QUANDO SE TEM AS RESPOSTAS A VIDA NADA NOS PERGUNTA NADA.

Pare e limpe as lentes.  Olhe a natureza com olhar de
 lince, sorria,  comente. Pergunte ou fale sozinho sobre aquilo que vê ou acha que conhece. 
Dê bom-dia ao dia antes que escureça. 
Tente lembrar o nome de alguém que pediu a sua ajuda e por falta de tempo ou de parar para pensar você não entendeu. Tente lembrar o dia que você chorou. Um momento no passado distante quando alguém, mesmo sem se dar conta do que fazia, tirou você no nada e lhe deu o nome do qual se honra.  Ria da vida se tiver motivos ou escarneça se não tiver, mas não se esconda quando tiver medo, porque chorando o medo passa ou dele você esquece.  Viva a vida intensamente da maneira que souber. Lamba os lados, adormeça de frio a língua se ela dança em torno dos pingos para não perdê-los, e se não souber do que eu trato, lamba de vagar a vida, pelo meio, pelas pontas. Passe o órgão pelas bordas,  pelos lados e lembre-se de não jogar fora a casquinha que de tudo é o melhor bocado.  
Sinta o frescor das manhãs com os cabelos expostos ao vento, mas  viva sem pressa, lambendo o adocicado que sobra das madrugadas, já que o tempo provoca tontura com o giro que faz girar a vida. Tire folga por um dia, duas ou três vezes por semana. Pegue os “velhos”, as crianças e saia, vá à praia, corra na areia ou suba à serra para orvalhar a alma.  Só não se deixe ficar aonde o cansaço e as obrigações o abracem a cada momento, cada vez mais forte.
Hoje eu me lembrei que há pouco tempo eu disse adeus a um amigo e por isso fiquei sem fome, fiquei sem sono, mas fiquei com medo. 

Eu me recordo que esse amigo nunca foi à praia, não saía com as crianças, enquanto os seus velhos viveram e morreram na distância, não naquela das lembranças, mas longe no interior de um outro estado. 
Ele era o irmão mais “moço” da minha mãe, que se trancou no compromisso do trabalho e da formação dos filhos. Foi embora e levou consigo aquele olhar furtivo que entre poucos risos falava do amor que nutriu pela menina da serra, mulher do seu sobrinho o que muito me orgulhava.
Eu queria ter tido mais tempo, queria que ele não tivesse sido o amigo de tão poucas horas, como foi. Que tivesse tido a vida que todos merecemos, com trabalho, eu sei. Mas com tempo para os amigos e parentes que hoje choram num abraço que poderia ser de festa, mas é de tristeza pela falta que ele faz.
Não cursei uma faculdade que diplomasse o valor da perda e da saudade, por isso as palavras me fogem e nada mais eu saberia dizer.

- Descanse em paz, meu tio. Valeu o pouco tempo que tu tiveste para nós dois. Tempo enriquecido pelo carinho que tu tinhas pela moça dos olhos verdes e por sua filha que gostavam tanto quanto eu gosto de ti. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

AS PEQUENAS COISAS GRANDES.


Se a dor te espreme os olhos, curva o 
dorso e te  faz chorar não entenda esses momentos como desventura ou que a felicidade tenha terminado. Talvez, quem sabe, não se trata de um recado do destino  para que valorizes o que é teu, até as mínimas coisas para as quais tu não dás importância devem ter o seu valor respeitado por menor que sejam.  As vezes um esbarrão nos acorda do cochilo em que nos encontramos e em outras ocasiões é necessário, sim,  que a vida nos ponha em risco pois é desta forma que a grandeza das pequenas coisas pode ser observada tal qual as molas que mal se consegue ver  amortecem e amparam o gingar do mundo. E o que dizer da chuva tilintando no zincado do telhado em plena madrugada enquanto rastejam vidraça abaixo cada gota até que a chuva cesse? Assim tem sido a metade de nossas vidas enquanto a outra  passa desapercebida aos nossos olhos. A algazarra das crianças no recreio da escola ou um galo empertigado anunciando o sol nascente, por exemplo, também fogem à nossa percepção. 
Tais fatos, no parecer da pessoa rica, não significa tanto quanto uma feijoada transbordando um prato enquanto muitos choram a degradação da fome. Uma festa de formatura ou a viagem para o exterior é muito importantes para quem tem como pagar até que saiba que tais fatos não realizam da mesma maneira que o primeiro salário faz.  Quem sabe não sejam essas pequeninas coisas que estancam fazendo tremer a terra, assim como o grão da areia emperra a máquina e uma só lágrima comove o mundo?
Há de se pensar. Há de se valorizar o que cada um de melhor acha que tem.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

SÓ PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE MIM...



Escorre no corpo quente a água 
fria dissimulando aquele orgasmo proibido. 
Ele há muito a desejava e não podia. 
Ela, que o enfeitiçava do seu jeito, prometia e não cumpria. 
Esse jogo de pega e larga aumentava em muito o desejo que os arremetia um na intenção do outro.
Foi assim que ele, numa noite de chuva, freou, abruptamente o automóvel ao lado dela que, assustada nem se deu conta ao ser abduzida do ponto de ônibus, aonde estava, para o carro do rapaz. 
Ela fora  sequestrada pelos desejos  provocados e deles se viu refém.  Peça por peça do seu corpo, as roupas, ela viu cair,  enquanto as íntimas, as que emolduravam o vale e os relevos foram dela arrancadas , mordidas, degustadas pelos simétricos alvos dentes do amor.  Feito que expôs a grande e bela obra cujas peças escondiam.  Duas elevações  para uma bela vista  e um vale encantado de grama rasteira e macia protegendo a nascente que jorrava a cada desejo seu, mas que, neste momento, de secura mata-lhe a sede.  
Enquanto se permitia de pasto servir seu corpo a quem a possuía, tomou entre as mãos o quente e pulsante falo e o envolveu com o calor dos beijos.
A mão imprópria nas horas certas varria do pelo eriçado o arrepio provocado. Um entrelaçar de pernas, um grito de euforia ao mesmo tempo do regalo a que se entregavam por inteiro.  Um seio escapou-lhe ao controle  enquanto o outro era acariciado, beijado, sugado e por que não, mamado, sem tempo de terminar.   Gemidos de ais. Grunhidos de uis. Pranto prevendo o gozo. Riso nervoso e finalmente o soar dos clarins. Fogos clareando os céus e o dobrar dos sinos, revoada de pássaros na madrugada fria e chuvosa de um domingo de final de primavera que surgia.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

SÓ QUE NÃO.



O bilhete da passagem para o céu podia ter o preço 
de um bom-dia, um até breve ou um muito obrigado, mas não tem. É escorchante o preço cobrado por uma viagem que a gente nem sabe se vai fazer. O bilhete é trocado por uma infância inteira de obediência ao pai, a mãe e aos mais velhos. Estudo e trabalho abnegado são imprescindíveis, assim como sorrir para os que lhe são simpáticos  e para os que não gostam de você. Ir à igreja com a família nas manhãs de domingo, observar os mandamentos e não comer caso não possa dividir com quem ficar olhando, faz parte. Mesmo assim ninguém garante que a sua saúde, a de sua mulher e a dos seus filhos serão preservadas com esse preço absurdo que você está pagando para ter o direito a ir pro céu quando morrer da mesma maneira que não garantirá seus filhos de seguirem o caminho do bem ou que eles viverão em paz e harmonia na mesma casa que você.   
Só com chás, bolachas, refrescos e bolos você poderá comemorar uma determinada data, mesmo sabendo que esta extravagância não leva ninguém a lugar algum.  Já as cervejas e os destilados que dão barato, nem pensar. Portanto, brindar, só com refrigerante, mesmo fazendo mal a saúde como é sabido. Música, talvez baixinha, para não estimular os dançarinos a abrirem a porta de incêndio às chamas com tamanha esfregação. 
Ir para o céu, se alguém já foi, deve ser muito chato. Você se priva do assédio dos belos cafajestes e das mulheres maravilhosas além de  deixar de lado qualquer tipo de cigarro e de bebida, principalmente os  que entorpecem a alma e encantam a vida, mesmo prejudicando a saúde. E para quê, abrir mão de tudo isso? Para ficar engarrafado na estreita porta branca ao som daquela clássica música chata andando de um lado para outro sem ter o que fazer?  Eu acho que vou trocar o duvidoso pelas periguetes e pelas bebidas.  Pelas farras, pelo sexo e também o rock and roll.   Vou beber muito e fumar em demasia.  Eu sei que o cigarro vai me dar enjoo, mas acabo me acostumando. 
Quero dançar de corpo colado, falar bobagem no sopé do seu ouvido  e quando o tesão já não puder calar eu vou ao alpendre olhar a lua.  
 Quero mentir muito a meu respeito. Quero roubar cravos, orquídeas e rosas  do  jardim ao lado para ofertá-los à mulher que amo. 
Quero chegar atrasado no trabalho e por a culpa no busão. Quero  blasfemar contra o criador se um amigo meu partir desta pra melhor e também dizer que sou o que não tenho competência, e depois...  Ah, depois eu me arrependo, peço desculpas ao Senhor ou a quem eu achar que devo e vou pra cama com a mulher amada, levá-la às estrelas como diz que sempre faço e desta vez roubar dos anjos uma auréola  para enfeitar os orgasmos múltiplos que eu sempre provoco nela.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

GOZANDO A VIDA POR AÍ.



A reação que o gozo provoca nas pessoas continua causando discussão, principalmente os das mulheres. Os homens provam que gozam ejaculando enquanto as mulheres entram em convulsão na hora derradeira. Tem gente garantindo que a mulher pode fingir um orgasmo enquanto o homem, nem sempre.
Eu digo nem sempre porque eu já fingi.
Tem homens que entram em alpha somente com carícias sem a obrigatoriedade da ejaculação para provar o que sentiram. Com os carinhos da mulher amada o parceiro pode ter orgasmos múltiplos, caso não fosse eu me internaria para tratamento.
Quanto a mulher, esta relaxa e até perde a compostura durante ou depois do ato instante em que os parceiros se empenham, já que o orgasmo tem esse poder. Também o humor fica mais leve, o sorriso agiganta e a pele rejuvenesce. Porém o que melhor poss
o ver nesse gol a favor é a valorização que a vida ganha e por conseguinte a felicidade e a paz que as mulheres conquistam para tocar a vida.
Eu diria que um bom orgasmo nas mulheres, as faz desabrochar, como as flores.
Quanto ao homem...
Bem, neste caso eu não deveria comentar, haja vista que ele, assim como eu, quando goza, se sente poderoso, um semideus. A mulher, não necessariamente quando arranha, morde o travesseiro, grita ou chora - como fazem as que que eu tive o prazer de conhecer - prova com isso que o orgasmo está chegando, o que me torna, modéstia à parte, um macho contumaz. Nem sempre isso é tão verdade como o prazer que elas se permitem. Uma relação sem pressa, sem medo e sem pecado entre casais sadios, proporciona à mulher o direito de encerrar aquele ato até fingindo que gozou, porque o gozo da mulher faz melhor efeito no homem que nela, propriamente dito. Quando o homem leva a mulher ao orgasmo, dificilmente ela badalou sozinha aquele sino. Sempre tem a parceria de alguém carinhoso e inteligente para, de mãos dadas, passear pelos jardins do paraíso enquanto o botão do orgasmo arregaça as suas pétalas.
Depois das preliminares, alguns casais, não muitos, conseguem chegar às vias de fato ao mesmo tempo.
Esta é a prova da sintonia fina entre eles.
É bingo! É o tiro certeiro, a flecha cortando o vento.
De toda forma é necessário continuar os estudos sobre a matéria, mas sem esquecer da prática, e de preferência gritar às sete curvas do mundo os resultados conquistados e não calar como tem acontecido. Gozar ou não gozar não é a questão, mas o prazer adquirido há de se convir que não tem preço.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

SAUDADES DE VOCÊ, MARQUINHO.



Há quatro anos você nos deixou, o que mantém nesse seu amigo e marido da sua prima a certeza da morte ser burra.  
Não me importava saber para qual time você torcia, qual igreja ouvia os seus lamentos e os amigos de sua relação, mas me importava a sua presença na hora de cada café que eu fazia. Importava, não só para mim, mas para os que o amavam como a mãe da Rebecca as suas amarguras, sua tristeza e suas lágrimas. Quantas e quantas vezes o seu grito de guerra colocou sorriso em nossa boca? Quantos foram os momentos que saímos juntos os 3 no intuito de  participar da felicidade do outro, quantos? 
Muitos, diria você se pudesse, mas também sei que são mentirosas as palavras de quem afirma ser perfeita a natureza.
 Como perfeita se permite o tempo nos roubar a disposição e a beleza do corpo enrugando a nossa pele e nos matando com o avançar da idade, com as doenças ou de saudade?
Hoje, como podem notar eu estou sofrendo de saudade. 
Saudade de quem se deixou contaminar pelo vírus da morte transmitido por alguém cujo amor jurou ter por ele.
Enfim, foi o fim. Resta-me tão somente chorar esse vazio.
Fique na paz, meu amigo. 
(A voz e a filmagem são minhas)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

VERDE DA COR DO MAR

         
A velhice é a pior de todas as  doença, já dizia 
o jovem  palhaço poeta entre uma cambalhota e u'a mão cheia de versos. 
Certa vez um de seus amigos  foi convidado por uma firma cujas finanças não iam bem das pernas para escrever suas crônicas, contar seus casos ou narrar histórias como faz no blog de sua responsabilidade ainda hoje.  
Depois de um ano se fazendo conhecido através do seu trabalho a coluna se tornou, na empresa, assunto de todas as conversas. 
Dois anos após ter firmado o compromisso, o então amigo do palhaço poeta, se empolgou com uma psicóloga, senhora de bons modos, cultura e capricho esmerado,  chegando a se esquecer de todos os seus compromissos, até do responsável pelo pão  de cada manhã o pobre diabo se esqueceu. 
Pensar nela tomava todo o seu tempo, disponível ou não.  
Com nada além disso ele se importava. 
O cara em questão permanecia embasbacado e nada melhorou depois de avistar o tapete verde água por onde a moça desfilava a sua beleza e o seu bom humor. A raridade dos seus olhos verdes transformava em esmeralda o alvo do seu olhar e ele se sabia visto por ela. 
O toque da campainha, no entanto, despertou do sonho o amigo do palhaço. Era o funcionário da floricultura com uma braçada de flores e um cartão onde se lia;    no momento crucial de nossa firma você esteve ao nosso lado com suas palavras de conforto e de esperança. Era seu amigo o palhaço cujo riso na cara de cada funcionário e filho ele riscou e para isso nada você nos exigiu. Versos chorados, rezados, comemorados foram ditos, lidos, quiçá vividos pelos funcionários e seus familiares através da voz de quem, sem perder com os olhos cada um dos espectadores  nada nos cobrou. Talvez o palhaço de quem você tanto fala e se orgulha tivesse morrido de vergonha e coberto o próprio corpo com as flores dadas à você, com essa homenagem, mas também poderia ser pretexto para uma bela e nova história, talvez a mais verdadeira, haja vista a melhoria dos balancetes no momento. 
Assim foram os dias  na vida do amigo apaixonado, na vida da companhia que retorna ao seu normal e na vida da gente que o lê e o segue caminho afora através do blog ou fora dele como a cria segue a mãe em plena segunda-feira e em todos os outros dias.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

ONTEM, PARA QUEM NÃO DORMIU JÁ FOI AMANHÃ...


Era uma tristeza diferente, sem introspecção e sofrimento. 
Talvez decorrente de um amor calcado daqueles que arrebatam sem nos desobrigar das pequenas mentiras e das belas  poesia, 
elementos indispensáveis no relacionamento entre um homem jovem e uma mulher recém-chegada da puberdade. 
Tinha ele no emaranhado de veias  o sangue dos guerreiros. A justiça dos menos  favorecidos e um amor de dar inveja a Romeu e sua companheira. 
A pergunta não queria calar; como alguém em sã consciência poderia amar um forasteiro sem eira  nem beira, lutador de todas as lutas, inclusive daquelas nas quais o cavalheiro de beca, capelo e  diploma se acha pronto a engendrar caminho para os seus pés e mesmo assim escolhe, entre tantos possíveis e aconselháveis, aquele que não o levará a lugar algum além da poeira de todas as estradas? 
A pergunta não calava porque a resposta não ouvia. 
Para que tanta virtude, tanto estudo e tanto amor se os caminhos que ele mesmo traçou não o levou à fama ou a fortuna, além dos braços frágeis de uma pobre donzela?
Donzela pobre. Donzela como todas elas. 
Donzela bonita e cheirosa. Vestindo flores, calçando rosas. Sorrindo a brancura da luz da lua e o calor dos raios do sol. 
Donzela feiticeira. Donzela querida e desejada como só ele e ela sabiam, porém ela, somente ela, se permitia ser.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

AO MESTRE COM AMOR.

Bom dia. Eu sou Silione, vereadora carioca, cujo 
horário do meu filho coincide com o do meu trabalho, por isso a gente não se conhecia.  Foi meu marido quem o matriculou e a empregada é aquela que o traz pela manhã e no final do dia o leva de volta à casa. 
Luizinho é um loirinho de olhos caramelados e que, nesse momento, mexe nas tranças da coleguinha que tenta dele se esquivar, como a senhora pode ver.   
Mas como eu ia dizendo, não é de hoje que venho protelando agradecê-la por cuidar do meu filho como se fosse mãe, não só dele, mas de cada uma das crianças que aqui estão. É um privilégio ter um filho sob a responsabilidade de uma mulher bonita, cuja generosidade do decote deixa ver um par de belos seios que coram a face e enchem de água a boca de qualquer um, até a minha, se você quer saber.  
É claro que eu jamais confessaria o que a sua imagem causa na gente, e eu só me atrevo  pela  coragem que tomei tão logo soube que meu filho era  aluno de uma garota maravilhosa como você. 
De toda maneira eu gostaria de agradecê-la pelo cuidado e dedicação que vem tendo com o Luizinho. Talvez, quem sabe, a senhora não arranje um tempo para um café, um chá ou um refresco em minha casa para que eu possa lhe dizer da alegria que sinto ao vê-la exercendo o magistério. 
No dia que achar que deve, procure-me para conversarmos, e eu confessarei o que vai na minha alma e você, quem sabe, poderá falar sobre os seus alunos, sobre a escola ou suas tristezas, se as tiver, e sobre a felicidade que vejo brilhando em cada um dos seus belos olhos verdes. 
Eu fui casada, como falei, por cinco dos meus 32 anos. Fui feliz até que o meu marido, primeiro e único amor veio a falecer.  Foi um baque, um vácuo em minha vida. Agora, conhecendo a senhora, como tenho conhecido de janeiro para cá, sinto que a minha nave estabilizou o voo.  
Ser mãe de um dos seus alunos, professora, já é um presente.  
Ser algo mais íntimo, como ser sua amiga, seria um sonho, mesmo que utópico.  A partir desse momento os meus sonhos retornarão à nave onde embarcarão para voar o  mesmo tranquilo e confiável voo como quando o meu amor vivia.  
 Você, que eu trato por senhora sem ter deixado de reconhecer em si a idade da menina, não deve dizer não ao meu convite para que saiba das dificuldades que a vida nos proporciona ou da felicidade que encontramos no amor de uma pessoa, não importando  o sexo, se ele brilha em nossas vidas como brilham os raios do sol numa linda manhã primaveril. (Foto da Internet)