quarta-feira, 13 de novembro de 2019

TIME DA VIRADA.


      Embrulhei-me com a bandeira do meu time e saí para comemorar. O jogo foi suado e sofrido e nada mais justo naquele momento que eu procurasse um lugar para uma gelada. Escolhi um bar onde vestiam camisa na cor da minha.  Onde falassem do resultado e dos jogadores, mas infelizmente o barulho me levou a beber longe dos abraços, dos risos  e da euforia daquela galera.  Em poucas goladas derrubei a primeira e antes de pensar em chamar  o  garçom eis que o atento rapaz me aparece com outra antes de tê-lo chamado. Abriu a ampola, geladíssima, e com um gesto disfarçado indicou u'a mesa  atrás da minha onde uma bela mulata, um pouquinho fora de forma, erguia o copo pra mim. Ergui o meu em resposta. Um simples gesto que a distinta criatura tomou como  convite pra sentar-se ao meu lado. O garçom também fez o que eu não havia pedido. Deve ser hábito da casa. A mulher,  mais velha do que parecia, pegou a cerveja, abriu um sorriso  desse tamanho, encheu os copos e contou sua vida. Brindamos, não sei se a vitória da urubuzada ou à coragem de sentar-se ao lado de um cara que há muito não sentia o cheiro do pescoço de uma mulher.  
A bebida ou o lugar, talvez o bom papo, quem sabe?, nos prendeu  de tal maneira que nem notamos a hora passar e não fosse o garçom dizer que ia fechar a gente não tinha saído, pelo menos naquele momento. Paguei a conta e já ia me despedindo quando notei que não podia deixá-la naquele estado. Pensei em chamar um táxi, mas desisti.  A moça não tinha como viajar sozinha e por mais cafajeste que os leitores me considerassem  eu, que não abandono quem bebe comigo, me vi obrigado a levá-la pra casa de carro.  Pra minha casa porque a dela eu nunca soube onde fica.  
Como viram não sou um aproveitador como querem certos leitores que nem quando saio para uma cervejinha se dignam livrar minha cara.

22 comentários:

  1. Espero que a tenha deitado no sofá e tapado com uma manta.

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    1. Tapei com beijos molhados, demorados e,
      como dizem alguma, com sabor de quero mais...
      (risos)
      Magui, desculpa, mas foi você quem começou.
      Beijos secos e corridos. (a contragosto)

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  2. Já passei por situações semelhantes.
    E um cavalheiro NUNCA aproveita um momento desses, NUNCA.
    Aquele abraço

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    1. E quem te garante que ela me deixou
      respeitá-la?! As vezes eu penso em ser
      gentil, mas por medo de ser taxado de
      frouxo ou escutar dizer que não sou
      de nada, prefiro pecar pra depois me
      arrepender.
      Pedro, eu não sou um cafajeste,
      mas esse cavalheiro aí eu te garanto
      que não sou eu... (risos)
      Abraços.

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  3. "Gesto de grandeza.... respeitar uma mulher bêbada é sinal de respeito a si próprio e ao semelhante!!!! Belo texto...bela postura cristã! Quanto ao time, não acho grandeza nenhuma em torcer para o Flamengo!!! kkkkkkkk"

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    1. Cara, eu já gostava de você, mas depois
      dessa gentileza... Porra, cara. Obrigado.
      (Algo que tratamos em off)

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  4. "tudo bem quando tudo acaba bem". Ainda bem que terminou bem.
    Em tempos de 'boa noite cinderela' essas aventuras podem ter finais perigosos, seja para homens ou mulheres.
    Abraço!

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    1. Valeu o risco, Dalva.
      Tem vez que é preciso
      arriscar pra ver se a
      coisa melhora.
      Beijos, querida amiga.

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  5. Muito bom. Uma bom texto digno de uma boa leitura :))

    Do nosso Poeta - Gil António-:-Luz de amor e vida

    Bjos
    Votos de uma óptima Sexta- Feira :))

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  6. Palhaço Poeta,
    Adorei o texto todo,
    mas a 1a frase é
    perfeita.
    Bjins
    CatiahoAlc.

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  7. Fez muito bem, apesar de não saber como é viver no Brasil, mas tenho ideia que é muito perigoso>!!
    xoxo

    marisasclosetblog.com

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    1. Muito, muito perigoso, Marisa.
      Principalmente se você beber
      tudo o que tem direito e escolher
      sentar-se ao lado de quem andava
      às secas, como eu. (kkkk)
      Beijos, Marisa querida.

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  8. Se foi bom para os dois o que se há de falar!? Mas me conta? fostes dirigindo mesmo!? Papai do céu! Tome cuidado! srsr

    Abraço!

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    1. Fui sim, Vanessa. Felizmente
      nada ficou pior por conta da
      bebida, até pelo contrário.
      Enquanto eu ia às nuvens ela
      recebia o que tinha ido buscar.
      (risos)
      Beijos.

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  9. Rindo pra valer , rsrsrs, seu texto realístico é brilhante deixa ,apesar da clareza, dubiedade, entendeu né? Mas é óbvio que você se comportou como um cavalheiro.Obrigada pela visita e comentário.Abraços

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    1. Finalmente alguém viu que
      não sou mal caráter. Que
      bom.
      Obrigado, Claudete. Te amo.
      Beijos.

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  10. Bom dia, Afonso! De qualquer forma fez certo em leva-la para casa...Belissima narrativa! Feliz fim de semana. Abraço.

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  11. Por fortuna ella estaba en buena compañía, necesitaba de alguien que tuviese buen corazón, que la apoyase y comprendiese y ha dado con la mejor persona, no todos hubiesen reaccionado de la misma manera.
    Me ha encantado tu entrada de hoy por la forma en que la has escrito.
    Te deseo un feliz domingo.
    Cariños.
    Kasioles

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  12. Um excelente texto, com uma narrativa cheia de humanidade…
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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  13. kkkkkkkk; só fiquei imaginando a cena kkkkk;
    Boa continuação de semana.

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