terça-feira, 25 de junho de 2019

BAGAÇO DA LARANJA

  

  Não procurava mulher que ficasse aos pés dos seus erros, que não enxergasse os defeitos que tem ou falasse que ser humano sem pecado não existe.  Não procurava pela cara metade porque ninguém vive sem uma das faces e como tinha medo de encontrar  chupada a outra banda de sua laranja, jamais cogitou procurá-la. E dessa maneira se entregou aos prazeres que a mulherada pudesse lhe dar e não eram poucos porque surgiam de muitas e cada uma fazendo por ele o que só se faz por um rei. Por isso acreditasse não ser problemático e até se convencia que fosse possível morar sob o mesmo teto com quem quer que fosse. Quando questionado afirmava ser de trato fácil, porém jamais garantiu não se encrespar se as coisas que gosta não ficassem a seu jeito.   A ideia de alma gêmea é balela, é  mentira porque ninguém é igual a ninguém se cada um é singular, ímpar, único ou fora de série, dizia. Não vou negar que esse cara tenha encontrado a mulher que o completasse e ele a ela, mas as outras não paravam de chegar e a cada vez se mostravam mais encantadoras. Elas eram maravilhosas, cada uma melhor que outra.  Todas fazendo seu tipo, mas confessa que só ele não fazia o delas.  Durante a vida um casal tem momentos de euforia, de risos e de felicidades, mas é na maioria das vezes que se percebe a tristeza no papel principal, certamente pela perda da liberdade que tinha quando solteiro, mas depois ele a escraviza ou se deixa escravizar. Ninguém é feliz o tempo todo, por isso gargalhadas  são proferidas em raros momentos e não quando se quer ou precisa. 

segunda-feira, 10 de junho de 2019

ELE É O CARA...


   
   Já teve mais de vinte namoradas, uma noiva, três esposas e muitas mulheres antes de se casar, mas quando se separava era no colo das outras que supria as carências.  Vergonha não teria se disse que foram muitos os orgasmos que teve, talvez uns mil comparados com sua amiga, a única que o suportou por tanto tempo e que dizia não ter tido nenhum, pelo menos com ele com quem não conversava sobre o assunto.  Os dois sabiam que ninguém acreditaria se dissessem que nunca rolou nada entre eles, por isso não falavam a respeito.  O carinho respeitoso era tanto que sexo não seria elemento de discussão.  Em tempo algum se cogitou da moça estar se autoflagelando com a presença de um cara viril, como ele, ao seu lado, mas ele, em compensação,  tinha certeza de purificar-se com a sua pureza ao lado dela.  
O tempo passou como um raio por suas vidas, enquanto, com passos de cágado, seguiam como se fora o mesmo lado de um ímã.  
Aquela  amiga continuava inteligente, bem falante e bonita, podia ter sido a castidade conspirando a seu favor e a favor do  mundo que ficava mais fácil e melhor, só não sabemos se foi pela castidade da moça ou pelo avanço da ciência. Vendo a coisa com outros olhos eu tenho a impressão de que tudo mudou por conta da turbulência provocada pelos orgasmos em questão.  Com outras palavras; não adianta ficar chupando o dedo durante a noite ou pecando o dia inteiro que nada vai mudar nada.  O importante é fazer o que der vontade, desde que se faça bem feito e com permissão.