sexta-feira, 29 de março de 2019

O CHATO DA HORA


  
    Caso eu fosse chato como minha mãe me garante que sou, eu diria das qualidades dos meus filhos, não de todas, mas das melhores e mesmo sabendo que a minha vida inteira talvez não fosse o bastante para lembrar os valores de cada um eu deveria tentar se concordasse com ela.  Mas não o farei.  Aliás, eu o farei sim, já que mamãe lhes garantiu disso.  Deste  modo eu escolho a menina, a mais nova dos filhos, para entrar na roda e falar dos motivos que a levam a continuar estudando depois da expressivas notas  do pré-ENEM que daria a ela o direito de fazer medicina nas melhores faculdades ao que ela certamente me responderia; pai, eu não quero um caminho fácil para caminhar de olhos fechados, mas um tão complicado que me cansasse a vista já que a descansaria nas belas paisagens do trajeto.  Por isso continuo me preparando – diria.   Também perguntaria a criança, já que filho não cresce,  o porquê do anseio em melhorar suas notas se estudar não é tudo naquela idade.  Eu só não pergunto porque já sei a resposta ou não seria o pai amantíssimo que eu sinto que sou.  E ela certamente me responderia que deve tentar melhorar  enquanto há tempo ou lapidá-la para quando já não tiver  porque a vida é uma incógnita que nos é apresentada a cada vez que abrimos os olhos pelas manhãs.

sábado, 23 de março de 2019

NÃO PERCA A MAJESTADE

Uma das  cenas de o Rei Leão que mais mexeu
comigo e até me fez chorar na frente do meu filho foi quando Mufasa, o Rei, deparou com um súdito se perguntando; por que não moro lá?, referindo-se a algum lugar maravilhoso na savana, ao que sua majestade teria respondido; 
– Porque lá não existe.  Lá é a continuação do aqui e se não sei viver aqui, nunca saberei viver lá.  É preciso ser otimista, porque otimista é aquele que se vê obrigado a subir numa árvore para fugir de um leão e ainda aprecia a paisagem.  Lembre-se de que, para conseguir o que quer, você deve olhar além do que você vê  concluiu.
Está evidente que não chorei por conta desta cena, mas por me lembrar que estava sendo apresentado a Shakespeare sem o saber.
Quando alguém me diz que viu um filme mais de uma vez eu fico me perguntando; será que não entendeu ou tem tempo sobrando para matá-lo? 
 Pois eu entendi tudo o que a mim foi mostrado, mas tempo, mesmo que o tivesse em abundância jamais o mataria.  Uma coisa no entanto eu confesso, tão logo eu possa quero rever aquilo que teria aberto nos meus olhos a fenda por onde escaparam as lágrimas quando chorei.

sexta-feira, 8 de março de 2019

É A CRISE.

     
      Eu queria dizer aqueles que me dão o privilégio de ler minhas bobagens, que, dos 12,7 milhões de desempregados que temos por aqui, pelo menos a metade já procurou emprego  igual ou muito parecido com aquele que o dispensou e em última análise, um que o remunerasse tão bem quanto.  E, caso não tenha a sorte de encontrá-lo, certamente aguardará a crise passar ou continuará esperando que um empresário lhe bata à porta para empregá-lo, o que não deixa de ser uma bela piada. A outra metade decidirá por escolher um possível tipo de trabalho, mas enquanto não acontece vai ficando em casa até que a vontade de encarar a realidade apareça. 
      Emprego, patrão e os novos colegas, assim como novos hábitos e novos costumes aos quais teria de se adaptar sempre será um árduo trabalho. Mas nem tudo será tão ruim se uma nova oportunidade surgir, a não ser que o candidato resolva escolher um que tenha jornada menor, salário maior, ajuda de custo e todos os tipos de vales, esquecendo-se de que, há muito não recebe nada em troca do que nada faz, a não ser torcer para que as coisas melhorem enquanto mata o tempo assistindo TV. E no instante em que sua carteira for assinada o então funcionário passará a reclamar do INSS pelo tempo a mais que terá de trabalhar para se aposentar. Meu Deus do céu!, antes quando não tinha emprego a pessoa ficava meses e meses reclamando da crise e agora que está empregada quer reclamar dos direitos que tem.  Gente, vamos trabalhar e quando receber seu sagrado dinheirinho, pague suas contas e corra para o abraço porque não é só o Brasil, mas todo o mundo vive em constante transformação.  Por isso as leis do passado já não fazem justiça ao grande número de habitantes que somos, daí a necessidade das mudanças ou tudo por quanto lutamos a vida inteira teria sido em vão.

sábado, 2 de março de 2019

FOI PRECISO REGAR PARA FLORIR.

      Não tenho vergonha de dizer que chorei com o sucesso de alguns amigos e com as palavras ásperas com as quais brasileiros se digladiam falando de política, mas nada me doeu mais do que ver um amigo à beira de perder a vida quando já tinha perdido a família, o emprego e os estudos por conta das drogas. Só eu e mais duas ou três pessoas saímos em seu socorro.
Comecei desabafando num espaço de um tabloide destinado aos leitores. Foi lá que eu discorri sobre a coisa, mas nem todos me entenderam ou não o chamariam de marginal ao invés de doente, já que essa pessoa tinha  tudo o que um pai pode esperar do seu filho, mas, infelizmente  a ovelha desgarrou do bando para viver no sombrio mundo das drogas por onde se arrastando até encontrar uma réstia de luz que esmaecia no final de um túnel úmido e triste, e foi comigo e com outros que dele não desistiram que chegou à clínica para enterrar seus fantasmas. Seis meses depois teve alta e voltou a casa, não sem antes meter a porrada nos desejos que o asfixiavam. Contra isso lutou como Golias numa luta desigual, mas perdeu. Passou aquela noite, do dia que teve alta, estirado no beco de uma favela depois de voltar a usar aquilo que antes o aprisionara. Mais uma vez o tomamos no colo e levamos pra casa. Seu pai e alguns poucos amigos, inclusive esse narrador, o pusemos junto ao peito e, graças a sua força de vontade e a nossa ajuda, que ele avistou o caminho por onde os puros, os "limpos" de todos os vícios seguem seus caminhos. Depois de se livrar das armadilhas  da abstinência, ele, com determinação e os olhos voltados para o futuro, eis que o nosso herói reconquista a família, consegue um novo e emprego, volta às salas e a sorrir para a vida.