segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

VIDA DE CÃO.

     Eu tenho os amigos que fiz por merecer, mas juro que careço de outros, 
talvez daqueles que não adoeçam, que também não choraminguem quando eu ficar triste ou que morram com o mal que talvez possa me matar. Amigos que não sofram por si ou por mim e muito menos pelos que me cercam, já que preciso de amigos que sejam mais fortes do que os que tenho, que possam aguentar firme diante às suas e as minhas mazelas e que jamais precisem levar flores ao pé da minha sepultura e 
muito menos  que me forcem a esse trabalho. 
    Confesso que tenho dois desses que, de certa forma, preenchem boa parte das minhas necessidades, mas que infelizmente têm vida efêmera como efêmero é o tempo que passaremos juntos. Assim pelo menos tem sido a vida que vivem os cães, mas como evitar que chorem quando ficamos tristes, que não comam e não durmam se adoecemos e que morram tão logo nos sepultem?
    Eu preciso de amigos diferentes, pelo menos acho que preciso, mas se não forem melhores que os meus cães eu, certamente, sem ter a intenção de desprezá-los algum dia, me contentarei em mantê-los na minha casa comigo, mesmo que não tenham as minhas manias, preferências e os vícios enjoados que  tenho.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

QUE PENA, ACABOU.



   A gente perdeu Boechat.
Meu Deus, como era importante o trabalho e a generosidade desse cara que se mostrava durão e pra casa não levava desaforo, nem dos políticos.  
Jornalista, não de formação, mas um autodidata que teria começado fazendo pequenos mandados num jornal do Rio já que residia em Niterói de onde nunca havia saído.  Depois, mais familiarizado com as letras e com a máquina de escrever, que dela nada sabia, veio a se tornar um, senão o maior repórter do seu tempo, não só no jornal onde teve o primeiro contato com as coisas do cotidiano como no rádio pelo qual mais tarde se apaixonou.  
Certa vez esse cara tomou um táxi que enguiçou poucos metros à frente e teria ele ouvido o motorista resmungando dizer que precisava trocá-lo já que o seu não dava mais para levar o sustento pra casa. Infelizmente não tinha como, concluiu o taxista. No mesmo dia Boechat comprou um carro novo para ele. 
Agora, vocês lembram do sujeito que deu a ele a primeira oportunidade no jornal? Pois este, mesmo com seu plano em dia, teve todo o tratamento de saúde pago por esse jornalista que ora nos deixa. – Que plano de saúde, que nada. Eu quero pagar o seu tratamento porque acho que não faço mais do que a minha obrigação, disse Boechat ao amigo, recentemente.
   Esse cara para quem choramos nossas pitangas é o Boechat que gastava todo o seu dinheiro com os amigos, com os necessitados e mendigos. Não fosse a sua fiel escudeira-esposa, e a família quem sabe, não passasse necessidade. Esse cara, talvez poucos soubessem ,que tinha casca de jaca e sabor de morango.
Que ele descanse em paz, mesmo que fiquemos cansados de sofrer com a sua falta.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

QUERER É PODER(?)

     Discorrendo sobre a imagem de copo meio cheio ou meio vazio talvez deixasse transparecer que faço parte de um grupo mal amado de pessimistas.  Só que não. De qualquer maneira os livros de autoajuda continuam dando corda aos sonhos das pessoas que acham que qualquer coisa que sonham se torna realidade, quando na verdade não.  Porém não comentam, mas deviam, sobre  os milhares de jovens que são instigados a  continuar correndo atrás de uma bola do raiar do dia ao cair da noite talvez sem saber que poucos ou quase ninguém desponta para o noticiário. O mesmo acontece com quem busca uma chance nos palcos da música, nos do teatro, do cinema e de outros tantos.  Como vemos, são um bando de garotos e garotas que ao invés de se frustrarem diante do sucesso de poucos se sentem fortalecidos enquanto correm na roda dos hamsters.   Eu sou a favor dos meios de comunicação, das escolas, dos pais e dos amigos,  continuarem incentivando seus jovens, mas quem cuidará do futuro dessa criançada que nada sabe da vida senão o que fazemos para que acreditem? Aí eu pergunto; não estaria na hora de criar uma rota de fuga, um plano bê ou quem sabe prepará-las à realidade do mundo?  Estudar, sempre. Engraxar sapatos, fazer pequenos serviços de entrega ou domésticos ajudam bastante, principalmente para quem não teve a sorte de ser bem nascido.  Nada melhor e mais honrado do que no final de um dia de trabalho poder contar as moedas recebidas em troca do que fez.  É nesse momento que a pessoa, sentindo-se útil, vê o horizonte com cores melhores. Ninguém precisa ir à faculdade ou ser alto funcionário para ser honrado. Basta que cumpra com o seu dever, respeite os mais experientes e entenda os desprovidos de inteligência.   Eu não faço parte do grupo que enxerga o lado negativo dos fatos, mas se o jovem não arregaçar as mangas, deixar a bola para os momentos de lazer e fizer qualquer coisa de útil mais cedo ou mais tarde descobrirá que existe mais sonho do que a possibilidade de dormir, e mais copo meio vazio do que copo meio cheio para matar-lhe a sede.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

A PANÇA É DELE.

          
        Eu nunca esquentei com os quilos a mais que a idade me deu, mesmo que já tivesse dito o contrário, mas depois das gozações de um amigo barrigudo que lá uma vez ou outra empurrava aquela pança redonda até minha casa pra compará-la ao pequeno calo na altura da minha cintura que eu tentava esconder, foi que decidi mudar o rumo da minha vida. Primeiro diminuindo a quantidade de comida nas refeições e depois caminhando uma hora todos os dias pela manhã. Essas providências me davam a certeza de que solucionava o problema. Nesse meio tempo fiz uma cirurgia para implantar um dente e antes, é claro, precisei tomar antibiótico e anti-inflamatório, mas, Jesus do céu! Esses remédios me causaram uma baita dor de estômago, e não foi só isso; acabaram com a minha flora intestinal como bem disse o clínico do meu plano de saúde. Felizmente o mal passou e até me deixou magrinho, digo, “magrão”, uma vez que não tenho a mirrada estatura de um certo pançudo. Hoje eu volto ao consultório para retirar os pontos.  Depois é contar com os remédios que vão tentar convencer  o meu organismo de que o "pino" faz parte do meu esqueleto. Aí é correr pro abraço, quiçá para os beijos. 
      Eu sei que vocês estão curiosos quanto ao meu novo sorriso. Acontece que o referido obelisco está longe de ser visto não só por vocês como por outras pessoas, já que, provavelmente, nem caberia gastar tanto dinheiro por algo que pouca ou nenhuma serventia terá. O gostoso de tudo é que não perdi os 80 quilos, só o excesso. Aplausos para mim e gritos de; chupa baixinho! Praquele sacana.