domingo, 30 de setembro de 2018

I GOT TIRED


              Quando criança eu trabalhei muito para ajudar meus pais com as despesas, mas no momento em que eu percebi que estudando se ganhava mais e com menos esforço que todo mundo eu resolvi meter a cara nos livros, como fiz anos a fio, até conquistar um emprego que condissesse com o meu sacrifício. Enquanto isso o tempo se arrastava, tal quais as lagartas, em direção do futuro,  ao passo que descobria que metade da minha vida eu passara estudando e o tinha feito duas vezes mais do que a maiorias dos meus amigos. A diferença é que eles gastavam a maior parte  de seus salários com as garotas, com os seus familiares e com os seus outros amigos, enquanto eu, enclausurado no campus como estava, quebrava a cabeça para entender que dois triângulos em perspectiva axial, quer dizer, em perspectiva central, quando estudados no espaço tridimensional, a sua reta de fuga é o eixo de perspectiva. O que isso tem a ver com o trabalho que eu pretendia exercer no futuro? Nada. E o que me interessava saber se para qualquer quadrilátero inscritível, a razão entre as diagonais é igual a razão da soma dos produtos dos lados que concorrem com as respectivas diagonais? Nada também, eu diria. E para não dizer que não acho graça nenhuma, ao contrário dos meus amigos, por ter ficado tantas horas em sala de aula para entender que a hipotenusa de um triângulo retângulo é sempre o lado oposto ao ângulo reto.  Enquanto eu enlouquecia tentando enfiar essas coisas na minha cabeça os amigos gastavam parte dos seus salários com as garotas em lugares dos quais eu nunca tinha ouvido falar, mas babava quando os ouvia contar sobre as aventuras que tiveram. Enfim, a lagarta chegou ao topo da árvore e antes que ela comece a devorar-lhe as folhas eu vou  socorrer a minha. Não a minha lagarta que já não é mais essas coisas, mas a árvore que, pelo que me deixa parecer, ainda viça a olhos distantes. Vou descansar o cateto para não morrer confuso, e depois deixarei que o sol me doure o corpo para depois vê-lo desbotar com as lambidas da lua.
Um beijo, obrigado e até lá.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

UM POUCO DE COVARDIA.


  

    Muitas vezes, senão todas, eu fiz questão de passar perto de onde você morava, mas nada além de uma porta fechada ou uma janela encostada a mim você permitia, pois se guardava trancada por detrás das brancas paredes como quem foge da justiça ou de quem a ama tão desesperadamente que talvez viajasse léguas e léguas para senti-la um pouco mais perto.  Perto de quem sonha com a impossibilidade da conquista, mas longe dos esperançosos e também dos covardes, pois  se resguarda à escusa da própria sorte.  Hoje, há tantas luas distante de sua presença, de sua voz e dos olhares  morteiros que me dava quando nem mesmo o nome a gente sabia eu me vejo sem forças de dizer que o amor persiste.  Não o amor conquistado pelos heróis com suas valentias, mas o amor que os derrotados têm por quem se esconde,  mas não se nega a rogar pela sorte do outro.  E assim o tempo tem passado e com ele o amor, que deveria morrer a cada passo que dela se distancia e, no entanto, cresce como o cacto nas areias quentes do deserto.

domingo, 23 de setembro de 2018

TOQUE DE PELE.


    

     Em ser o primeiro a abarcar esta história talvez eu não ajuizasse, mas a pretensão de ser o último certamente comigo eu não carrego. De qualquer forma comento o episódio, até porque dentre aquelas, tão bonitas, quem sabe não fosse a mais conveniente no momento? E, quanto a vestimenta, um longo solto com renda na barra de um amarelo ocre ou azul limão com verde brancacento tal qual soluços choramingados nas madrugadas por quem se acha ou pensa saber-se resolvida na vida, por que seria? E como eu digo; não se trata de um vestido qualquer, mas daqueles alçados por finas faixas a escorrer-lhe aos ombros, soltas a cada gesto como se os seios volumosos, firmes e gostosos, quisesse mostrá-los a mim, a você, a ninguém. Sandália rasteira de tiras de couro cru como cru e rasteiro são os olhos e o atrevimento dos que dissimulam olhá-la por baixo da fina roupa de algodão branca debruçada sob as vestes de seda pura que apura a pele lisa de finos velos a cobrir o que não devia como se ocultar o que gostaria de mostrar pudesse. Antessinto mais do que ouço a voz macia em tom de arrepio, o hálito de bala – gosto agridoce de hortelã de outra boca na minha –, pernas impendidas, coxas contornadas, e entre as paralelas o aprazível anseio do amor ao invés dos que a mim impingem e que nada se assemelha ao deleite que o amor proibido, tal qual doce bandido,  apresa, oprimido, os desejos mais ocultos de quem, languescida e triste jazerá na enxovia fria dos tabus a sua primeira e última turgescência.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

CASA DE CAMPO

     
    Das cinco vezes que meu carro foi roubado, quer por roubo, com arma na cabeça ou por furto, três foram naquele ano e duas no mesmo mês, por isso decidi mudar para uma cidade qualquer aonde casa não tivesse cerca, o povo dormisse de janela aberta e delegacia fechasse para almoçar. Nenhum lugar talvez me interessasse mais do que aquele aonde o povo se cumprimenta dando a mão e chama o outro pelo nome. Estava decidido, entraria em contato com todas as imobiliárias do interior em busca do que me aprouvesse. E foi em uma dessas buscas que encontrei aquela que seria a minha zona de conforto, de paz e de tranquilidade. A propriedade pertencia a uma viúva que depois da morte do marido foi para a casa da filha em Petrópolis. Dona Celta era baixinha, talvez um pouco fora do peso, mas, para confundir qualquer julgamento, tinha jeito e sorriso de adolescente que me reportava aos tempos de escola quando tentava pegar uma coleguinha com esse nome e não peguei. Dona Celta, pega de surpresa, não declinou da oferta que o prefeito fez a ela pela compra do imóvel onde pretendia construir o primeiro hotel da cidade. Dona Celta justificou-se constrangida, mas depois de um café e muitos pedidos de desculpa me levou até o carro, que, para meu desespero não estava onde o deixei ou achava que o tinha deixado. Essa dúvida era a certeza da caduquice. Será que foi de táxi, de ônibus ou andando que cheguei aqui ou o meu carro foi roubado? Como não se tratasse de fato corriqueiro foi preciso o dia inteiro para resolver o caso. Dona Celta, coitada, aceitou-me por hospede em sua quitinete onde varamos a noite conversando, pois o carro estava assegurado e a cama garantida, só restava tomar banho e me deitar. Isso era o que eu pensava, mas não D. Celta, que saiu do banho embrulhada numa toalha.
– Olha rapaz – disse sorrindo – a água está uma delícia. Vá tomar seu banho que já já levo a toalha.
Jesus do céu! Será o que estou pensando ou fiquei louco e não sabia?
Eu estava nu debaixo d'água quando ela, sem tirar os olhos de onde nem devia ter olhado, entregou-me o prometido, e, como eu achasse que tudo aquilo fosse um sonho, puxei-a para dentro dos meus braços e a beijei na boca. Beijei como talvez beijasse a garotinha que não peguei, como também, fartei-me naqueles seios por conta de nada ter conseguido quando a flor da pequena criatura era botão.
– Celta, eu amei uma menina da escola com seu nome quando era criança, mas não tive os privilégios que ora você me dá – disse mordiscando a orelha dela.
– Eu também quis um garoto naquele tempo, mas quando descobri que vocês são a mesma pessoa tratei de esconder seu carro só para você ficar. Agora eu vou levar você pra minha cama já que antes não me levou pra a sua...

domingo, 16 de setembro de 2018

XÔ INVERNO.

  
   Eu, e alguns dos que me prestigiam lendo minhas bobagens, temos um amigo que há muito desistiu das tentativas de nos engordar com as elaboradíssima receitas publicadas no blog. Acredito que este possa ser o motivo de estar comentando sobre política nesse momento, e hoje, como o dia não está lá essas coisas, até porque o sol não bota a cara na janela há uma semana, a pessoa em questão decide por  discorrer sobre partidos políticos que nada mais são, segundo deixa entender, do que uma fábrica de emprego vitalício aonde os escolhidos se perpetuam sem nem mesmo obterem o mínimo necessário de votos para isso, haja vista que basta um ou mais dos seus dinossauros vencer o pleito com sobras de votos para levá-los na manga para uma possível eventualidade que necessariamente não seria usada a favor do povo. As baterias desse nosso amigo, no entanto, estão todas viradas para uma determinada legenda que, segundo me dizem, recebe aquilo que o governo tira do povo para realizar suas campanhas. Eu também me arrisco nesse tipo de comentário, mas como diz o Faustão; – já estou fora do peso e da idade para correr esse tipo de risco. Ficam aqui, entretanto, os meus votos de sucesso ao amigo e a página, que, certamente, cortarão caminho ou baterão de frente com os pré-históricos animais. E para não dizer que fora da primavera eu não falo de flor, direi que a Céu, amiga de todos nós, acaba de colher um beijo a mais no jardim de sua existência. Quanto a mim, pobre menino – como a própria Céu me tratou uma vez – ainda me vejo adubando o girassol que, se o tempo não conspirar contra, abrir-se-á tão logo o inverno nos tire de cima, os cobertores.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

NÃO SERIA GALO?

 
     Do nome da pessoa não me lembro, mas do apelido; Magé, eu jamais esqueceria, pois que nasceu no triângulo mineiro e foi morar numa cidadezinha no interior do Estado do Rio, que deu origem a alcunha que lhe deram.  Magé era alto e magro, queixo quadrado, cabelo espetado e muito falante.  Talvez fosse falador por conta do pinto que, pelo que falavam,  dizia ser o maior dos que já se tinha visto e do qual se orgulhava mais do que da mulher e dos filhos, pelo menos, pouco se lembrava de falar neles. Talvez Magé fizesse tanta propaganda do seu negócio por achar que o Livro dos Recordes só registrasse o que pudesse ser visto por todas as classes e idade, o que não seria seu caso.
 Cara, se você quiser eu posso lhe mostrar o maior pinto dos que você já teve notícia, e outra coisa; nenhum deles tem cabeça parecida com uma maçã; no formato e no tamanho, senão o meu   dizia olhando dentro dos olhos da gente.
 Saí prá lá, cara!,  respondia quem o ouvisse falar daquele jeito.
Na sexta-feira passada, o caboclo, que é reservista da brigada paraquedista, como eu, desfilava na parada de 7 de setembro, e quando, marchando com o batalhão, passou na frente do palanque do presidente, calhou do povo aplaudi-los naquele momento, ao que Magé, emocionado e achando que suas protuberâncias, enfim, eram reconhecidas, acabou errando o passo e confundindo a tropa.
Algumas pessoas, bastante emocionadas, o abraçaram no final do desfile, não pelo que ele achasse, mas pela grandeza da pátria ali representada.  Mesmo sem ter certeza de coisa nenhuma,  Magé agradeceu a todos e cheio de pompas tentou falar sobre o pinto, mas foi persuadido a não fazê-lo. A mulher do ex paraquedista, no entanto, chamou a esposa de um dos amigos do marido à parte e disse;  se Magé ficar falando no tamanho do seu negócio diga-lhe que tamanho não é documento, até porque o pinto dele não canta como canta o galo dos seus amigos. Pelo menos suas mulheres riem de felicidade, têm olhos brilhantes, pele macia e viçosa, e até provem o contrário, são muito bem resolvidas sexualmente, enquanto eu, dona da ave em questão, fico na seca, chorando pelos cantos as minhas mazelas.  
Eu não faria isso porque não me caberia, mas alguém deve ter falado com ele, haja vista que, desde aquele dia ninguém, inclusive a sua família, teve notícias do sujeito que, envergonhado, fugiu na calada da noite.

domingo, 9 de setembro de 2018

MEU AMIGO TOTÔIO.

     
    Tive vontade de cobrir Totôio de porrada e no entanto acabei rindo da cara dele.  Sabe quando a gente sai conversando e do nada surge um cara e lhe dá um encontrão e nem olha para ver o que aconteceu com aquele em quem esbarrou? Pois é. Foi o que aconteceu com a gente, quer dizer, com Totôio.  Eu não sei se o cara estava desligado ou com pressa ou se era a gente que atrapalhava o pessoal que seguia em direção ao metrô, só sei que Totôio ficou puto com aquilo por isso saiu correndo, deu a volta no quarteirão e atropelou o cara quando passou por ele. O pior é que Totôio, com o forte esbarrão, acabou por jogá-lo ao chão. Coitado do moço que não esbarrou na gente de propósito, até porque era cego.  Na semana passada foi a mesma coisa senão um pouco pior. Eu e Totôio marcamos de ir à cidade e quando embarcamos num vagão que estava apinhado de gente notamos uma jovem  sentada no lugar que é reservado aos idosos e bem na frente dela uma senhora de idade avançada mal se mantinha de pé com o balanço do trem enquanto a moça fingia dormir.  Aí não prestou. Totôio praticamente expulsou a garota com aquelas cutucadas que deu na pobre coitada que amedrontada meteu as mãos dentro da bolsa, de onde tirou uma bengala tipo telescópio, e empurrando os que estavam a sua frente atendeu as ordens de quem, bufando como um touro gritava os direitos dos idosos a quem fingia desconhecê-lo. Se o trem não estivesse com as portas fechadas eu juro que teria me jogado lá fora. Meu Deus do céu, quando é que eu vou me dar conta que sair com esse sujeito é pura roubada? Mas acho que não adianta.  Hoje, quando saí para comprar pão vi Totôio fuçando o celular que lhe dei de presente de aniversário e como tinha os fones no ouvido achei que estivesse selecionando suas músicas, por isso fui saindo de fininho. Não tinha passado dois minutos que eu esperava para ser atendido quando vi Totôio com aquele jeito de urubu malandro que tinha tipo assim, olhos fechados, balançando ao sabor da música. Ainda tinha oito pessoas na minha frente quando escutei um pum daqueles.  Parecia uma bomba explodindo ali dentro. Não me refiro ao mau cheiro que empesteou o recinto, mas ao barulho que fez.  Envergonhado peguei o cara pelo braço e o arrastei lá pra fora. - Pô, cara. Como você me dá uma dessa! - Perguntei puto dentro das calças, ao que surpreso  me disse que, estando a música  naquela altura achava que ninguém fosse escutar, mas esqueceu-se que a música estava alta só para ele, não para os outros, que só ouviram o barulho do pum.
Totôio jurou de nunca mais voltar aquele estabelecimento, enquanto eu jurava que jamais sairia com ele novamente, o que muito duvido.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

SANatóRIO

     
      Não sabia se tinha amor por quem escrevia ou pelas postagens que fazia.  A única certeza era quando pensava que não só ele como outros poderiam estar sentindo o mesmo pelos textos ou por quem os escrevia.  Só não tinha dúvidas quanto as palavras que achava serem endereçadas a si, pois,  entre poucas certezas,  muitos TALVEZ e algumas respostas sem perguntas decidiram de se encontrar, mais por conta de um do que daquele que chegou a implorar por isso.   Na minha ou na sua casa?,  perguntou o outro que em resposta ouviu;  na sua.  E lá se foram eles. Queriam porque queriam se conhecer, se tocar, se fritar.  E no elã da coisa, se comer, se mastigar e até cuspir depois de beber  o que sentisse se fosse o que achasse.
E assim foi. Enquanto um dizia por cima do ombro que não sabia o nome que se dava ao que achava que sentia, mas, fosse lá  qualquer nome que outro desse a isso, diria que estava certo, que tinha acertado na mosca porque nada nesse mundo poderia ser mais intenso do que o sentimento que o levara ao seu encontro, e querendo ou não, também o trouxera até a si   diria salpicando de saliva o lóbulo esquerdo do outro.
Se tivesse clima para qualquer coisa naquele momento entre eles, seria por parte de um enquanto por parte do outro só depois de muito hálito quente no outro lado do seu lóbulo, que por sinal, chispou os olhos dos dois de desejo e inquietou mãos que se perdiam por aqui ou por ali  nunca se soube direito.  Pensamentos vagos de um e de outro também aconteceu.  Vagos de tudo e de qualquer coisa que não tivesse a ver com um ou nada a ver com outro e às vezes nem com os dois ou vice e versa.  Um com jeito de santa ou de monge talvez tivesse o corpo suando frio no calor do Rio. Ao passo que o outro, um gato miando dentro do peito, como se a lua estivesse a pino ao meio-dia.  Antes, uma cama arrumada, vazia. Nela, jazia atravessada, a esperança da fantasia de duas pessoas trancadas num quarto de milha aos brados, aos gritos, aos berros de dois pares de olhos que choravam o silêncio rompido da madrugada ajoelhado na beira do leito, morto, de sono.

sábado, 1 de setembro de 2018

CONTE COMIGO.

   
   Na saída do metrô uma jovem e elegante mulher deixava a estação às pressas.  Usava um vestido longo, do tipo indiano, calçava sandálias de tira de couro e no pescoço um bonito colar contrastando com as cores da roupa. Era, definitivamente, uma mulher elegante, bonita e bastante atenciosa, porque, mesmo com o fone no ouvido não deixou de dar atenção ao mendigo que chamava por ela.  A moça parou, livrou-se dos fones e com um leve sorriso nos lábios lhe deu um forte e demorado abraço.  Não o deu intimada ou por obrigação, até porque, ninguém a julgaria se fugisse daquele homem e no entanto o abraçou prazerosamente como se fora alguém de quem muito gostasse. Ninguém, por mais que tentasse, sabia o motivo daquele gesto até que surgisse uma mulher segurando um microfone, um cinegrafista com sua pesada câmera no ombro  e um bando de curiosos.  A repórter questionou o motivo que a teria levado a fazer o que tinha feito.  Em resposta a mulher respondeu que vinha passando quando foi abordada por quem lhe pedia um abraço.   Aí eu dei  respondeu com cara de espanto.   Mas ele é um maltrapilho, inclusive está sujo e mesmo assim a senhora o abraça?  perguntou.   Sim, abraço.  Respondeu.  E por que razão a senhora fez esse tipo de coisa?  Continuou a repórter.   Porque eu também já senti necessidade de ganhar um abraço, mas por vergonha de pedir acabei ficando muito pior do que se tivesse pedido e alguém me negasse. – Respondeu.   Mas ele é um mendigo  repetiu a repórter.   Não me importaria se um mendigo me tivesse abraçado quando precisei e não seria a miséria jogando essa pessoa na sarjeta que ia me afastar dela  concluiu.   Mas ele, moça, pode ser pobre de qualquer coisa, menos de dinheiro  falou a repórter  inclusive a senhora acaba de abraçar um dos homens mais ricos desse país, já que estamos falando de um famoso cantor.   Espantada com o que acabava de ouvir a mulher retrucou;  mas não o estou reconhecendo, quem é ele?  E a repórter, se dirigindo ao cantor lhe falou  Diga para ela o seu nome.  Mas ele não disse. Preferiu cantar para ela;
– Entra na minha casa
Entra na minha vida
Mexe com minha estrutura
Sara todas as feridas
Me ensina a ter santidade
Quero amar somente a ti
Porque o senhor é o meu bem maior
Faz um milagre em mim.
Assim que começou a cantar e a mulher, reconhecendo se tratar de Régis Danese, voltou a abraçá-lo e chorou comovendo a repórter, o próprio cantor e aqueles que estavam ali.