quinta-feira, 21 de junho de 2018

DOCE PERIGO.

   
       Talvez fosse a mãe, mas a filha era mais provável que fosse a pessoa responsável pelo furdúncio no apartamento ao lado. Até Doli, a cadelinha, latia fundo nos meus ouvidos, mas como não era sempre que o fato acontecia eu não via como reclamar.  A voz deixava claro que alguém dançando ao som de Anita era possuído pelo espírito da coisa. A cadelinha, coitada, latia, talvez de tristeza, com a maluquice de sua dona. E eu, é claro, dizia adeus a concentração que precisa para concluir o trabalho daquele dia. A maioria das pessoas tiram o domingo para ir à igreja, talvez para pedir a Deus que fatos como esse não ocorram com elas. Mas pela razão de não ser cristão eu jamais entregaria o meu trabalho como tinha prometido. Enquanto isso o som naquela altura parecia endoidecer a mulher.  Aí não deu para segurar...  Fui lá e esmurrei aquela porta. A cantoria acabou, o som abaixou e a cadelinha só o rabo manteve abanando no momento em que abriram a porta e Terê, a filha da dona, apareceu suada como pano de cuscuz e me banhou com aqueles olhos lindos que mais pareciam esmeraldas.  A moça estava sozinha e sozinha conseguia fazer todo aquele barulhão.  Aí sim, eu me dei conta de que, independente da saia curta e da blusinha molhada colada nos seios, eu só vestia a parte de baixo do pijama.  
- Você veio para derrubar minha porta ou quer me falar alguma coisa?  Perguntou com os olhos no cadarço do pijama. Felizmente ela olhava só para o cadarço porque a blusinha molhada desenhando os peitinhos  que cabiam inteiro na minha boca  já estufava  minha roupa na frente. 
 Não, é que eu pensei que vocês precisassem de alguma ajuda, visto que o barulho me deixou bastante preocupado  disse-lhe meio sem jeito, mesmo percebendo que ela não estava normal.  Parecia ter bebido, mas cheiro de álcool eu não senti ali, mas sobre a mesinha de centro alguma coisa que me chamou a atenção, infelizmente naquele momento  Doli tentou escapar pela porta que dona deixara aberta. O que eu impedi.  Doli não conseguiu escapar, mas os seios da moça sim, conseguiram. Os dois. Foi quando ela se abaixou  para tomar o pet no colo. Ai, fui obrigado a ajudá-la a levar o animalzinho para dentro, porque a dona não ia dar conta daquilo sozinha, porque não ia lá muito bem das pernas, mesmo que fossem um senhor par de pernas.  Meu Deus, que pernas!  A moça tentou esconder o açúcar  como disse que era –,  mas eu a impedi. Abracei-a e a levei ao chuveiro.  Eu poderia ter tirado suas roupas já que não estava nem aí para o que eu fizesse ou deixasse de fazer, mas optei por deixá-la embaixo do chuveiro com água a lhe escorrer na cara.  Tranquei o cachorro com ela atrás da porta para depois cuspir meus marimbondos por ter cedido ao cavalheiro a vez do cafajeste que existia em mim.

17 comentários:

  1. Respostas
    1. Que bom que o amigo
      sabe disso. As vezes
      a gente sofre por ser
      bom. As vezes por ser
      bobo, como eu tenho
      certeza de ter sido.

      Um abração, Pedro.

      .

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  2. Bom dia. Adoro os seus textos/contos. Sempre instigantes:))

    Hoje:- Podem até chegar tempestades

    Bjos
    Votos de uma óptima Quinta - Feira

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    1. Deixei lá, à disposição
      das suas mãos, as minhas.
      Belos versos. Linda poe-
      sia.

      Beijos aos dois.

      .

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  3. Uoll!🙋
    E esse cavalherismo que
    sempre pontua e
    prevalece, bem como
    a riqueza dos detalhes
    como...🤔
    bem deixemos pra lá.
    Pergunta: será que o trabalho
    interrompido foi terminado?😋
    Bjins
    CatiahoAlc.

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    1. Quatro dias com você e
      o seu marido não foram
      suficientes. Sinto sau-
      dades, ainda.

      Valeu o encontro.

      Obrigado por ter ido
      me visitar. Sua cida-
      de é linda.

      .

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  4. Um palhaço que é poeta, tinha que ser cavalheiro.
    Um abraço

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    1. Tem cavalheiro que não
      sabe, mas é bobo, sabia?
      Acho que você esta falan-
      do com um. (risos).

      Beijos, amiga. Beijos.


      .

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  5. Humm, bela história e mais belo ainda a presença do cavalheiro que, todos carregam no peito, mas poucos sentem seu peso.

    Bom te ver palhaço poeta.

    Bjs.

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    1. Mas você não faz ideia
      do quanto nos custa res-
      peitar. Só agora entendo
      o porquê da pindaíba que
      ando.

      Beijos e, também achei bom
      te ver de novo.


      .

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  6. Cada uma das suas histórias ... é um momento de leitura sempre agradável!
    Gosto da foto ... bj

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    1. Esta foto foi tirada
      na praia de Rio das
      Ostras, cidade da Re-
      gião dos Lagos, no
      Rio de Janeiro.
      Eu só posto as que eu
      acho que ficaram boas
      e esta faz parte desse
      milagre.

      Beijos de agradecimen-
      to e de amizade.

      .

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  7. Uauuuuuuuuuuuuuuuu que situação!! Haja autocontrole!!!
    Abraços!

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    1. Nem sempre se tem como
      controlar, amiga. Nesses
      momentos eu calo, omito
      e se precisar eu até min-
      to.

      Beijos.


      .

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  8. mt bonito texto ou poema da mt que pensar gostei mt bjs

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  9. Olá, Silvio!
    Tô eu aqui lendo seus textos, é cada uma rsrs!
    Mas, falando sério, eu não acho que você foi bobo não, pelo contrário. A moça estava embriagada ou drogada, talvez, as duas coisas, ou seja, estava vulnerável...seria um caso de estupro, se você não tivesse se controlado ( porque imagino que a tentação foi grande).
    O comércio ilegal de drogas tem desgraçado muitas famílias, e enriquecido um cartel de inescrupulosos homens ditos "de bem".
    Muito bem escrito, como todos os textos que tenho lido.
    Um abraço daqui da minha querida terra, bem no alto da mais bela serra!
    Tenha um excelente dia!

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  10. Boa noite Silvio!Parabéns lindo texto, parece um conto. Um cavalheiro se vê pelas atitudes.
    Abraço.

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