terça-feira, 29 de maio de 2018

TIA, EU?
(Risos)

      

    Fazia tempo que ia àquela espelunca e não percebera o quanto gentil era o caixa para com os fregueses. Tinha sido de uma delicadeza tão grande com aquele senhor que até achou que fosse seu parente, mas como havia feito o mesmo com u'a moça bonita e depois com uma senhora que tinha idade para ser sua mãe... Ultimamente as pessoas não tem tido tempo para ser gentis com ninguém, mas esse jovem, olha... 
Três dias depois lá estava ele com a mesma cordialidade. Na semana seguinte essa pessoa resolveu passar suas compras por ele só para ver se o tratamento era de acordo com o freguês, até porque, ninguém é cordial o tempo todo.  Mas ele estava enganado. Foi atendido como todo mundo, senão melhor.  Só na hora que recebeu o dinheiro é que, de propósito ou não,  segurou-lhe o dedo, o que o preocupara, de certa maneira. Por que teria feito aquilo se o dinheiro já estava em sua mão e por que ficou me olhando daquele jeito se tenho idade  para ser seu pai? – Resmungou.  Nada ele teria para comprar naquele final de tarde, mas certamente não dormiria se não tirasse aquilo a limpo. Por isso voltou ao mercado, mas, como havia cumprido o horário, já tinha ido embora.  No outro dia, antes de abrir,  ele já estava na porta. Comprou qualquer coisa e seguiu para o caixa que o tratou como sempre e ainda por cima ganhou uma olhada que atravessou sua alma como um punhal.  Talvez se voltasse a segurar-lhe o dedo...  Mas frustou-se. Então resolveu perguntar-lhe se estava tudo bem, ao que respondeu que nada poderia estar melhor com a sua presença. Os dois sorriram.  Ele, entretanto,  só se deu conta que ainda estava com o sorriso nos seus lábios  na porta de casa.  Preocupado decidiu trocar de mercado. Ficou duas semanas sem dar as caras até que achou que podia voltar, mas não deu. Sua mãe, que se recuperava de uma cirurgia, voltara ao hospital e ele queria vê-la. Viajou duas horas e meia e ao sair do carro ouviu chamarem o seu nome. Talvez fosse um parente ou um conhecido que tivesse ido visitar sua mãe, mas não era. Era o caixa que ao vê-lo quis saber o que estava acontecendo.  Os dois foram até a enfermaria de onde voltaram para um café. 
- Estou numa pousada aqui perto.  Amanhã cedo tenho uma entrevista de trabalho e não quero atrasar.  Caso precise de alguma coisa, até de alguém para conversar, por favor, me procure  disse o caixa escrevendo um número num pedaço de papel que ele amassou e jogou no lixo quando se despediram.
– Eu não tenho e nunca tive dúvidas quanto ao que sou, ao que gosto e ao que desejo, e não seria  um cara bonitinho, educado e que, só por me causar arrepios, ia arranjar sarna para mim e não para ele se coçar, mesmo com as unhas grandes como as que eu tenho – soluçou ao lado de sua mãe.

18 comentários:

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    1. Thanks for the visit.
      Come back more often.
      A hug.


      .

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  2. O cara jogava no outro team??
    Parece...

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    1. Talvez em dois, né,
      não, Pedrão?

      Um abraço, amigo.

      .

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  3. Bom dia Silvioafonso. Parabéns pelo texto. Adorei! :))

    Hoje:- Fim de tarde, de amor contagiante .

    Bjos
    Votos de uma óptima Terça-Feira.

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    1. Beijos, Larissa.
      É festa para o meu
      blog a sua presença.

      .

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  4. Na Vida muitas vezes
    o melhor mesmo é dar a volta
    e volver!;
    entretanto fugir nem sempre
    quer dizer a nossa verdade.
    Nenhum rio foge do fluxo
    original para sempre...
    A composição da foto ficou
    show, bem como a título.
    Bjins Palhaço Poeta.
    CatiahoAlc.

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    1. Vou aproveitar para
      desejar ao casal uma
      boa viagem de volta.
      Um beijo e, apareçam
      lá em casa para umas
      palavras e boa bebida.


      .

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  5. Suas histórias ... de possibilidade real ... são sempre envoltas em perspicácia e humor o que as torna de agradável leitura!
    Bj e gosto do olhar

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    1. Já ando meio sem assunto,
      pois, se não contei toda
      a minha vida, aqui, já não
      deve faltar tanto.

      Beijos e obrigado pelas pa-
      lavras, sempre carinhosas.

      .

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  6. Texto maravilhoso e encantador!
    Feliz dia, abraços!

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    1. Lúcia, quanto carinho
      você me dá, criança.

      Beijos e beijos.


      .

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  7. Respostas
    1. Tens toda razão, minha
      querida e linda amiga,
      Maria Emília. Toda a ra-
      zão...

      Beijos e beijos, muitos.

      .

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  8. Olá amigo Silvio, prmeiro quero agradecer o carinho deixado no blog da Lucia, obrigada mesmo!
    Quanto ao texto, envolvente do início ao fim, como sempre vc é de uma maestria ímpar, todos que li até hoje são bem estruturados alguns HILÁRIOS!
    UM BJÃO NO SEU CORAÇÃO QUERIDO!

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    1. Eu precisava ter escrito isso
      para que vc viesse me dizer
      tais palavras, carinhosas, co-
      mo sempre.

      Beijos, criança. Beijos.

      .

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  9. "tia" -rs, nem pense uma coisa dessas. esse "minino" é homem da cabeça aos pés e as calças dele k o digam desde garoto. À mínima, elas alargam pra frente. Nada grave, minha senhora!

    Abraços e bom fim de semana.

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    1. Céu, meu amor. Você voltou...
      Pronto, estou feliz. Não pre-
      cisa mais o Brasil ser campeão
      para isso.

      Beijos.


      .

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