segunda-feira, 16 de abril de 2018

NO ANDAR DE CIMA.


    Toda noite é a mesma coisa. O vizinho do andar de cima fica até altas horas com os amigos que vão à sua casa fazer não se sabe o quê. Só ouvimos gargalhada, palavrão e barulho de garrafa entre outros. Os vizinhos dizem que já estão acostumados com a sacanagem dos finais de noite.    E a gente esperando o dia amanhecer para poder dormir. 
Na semana passada quase aconteceu uma desgraça. Não fossem os gritos das mulheres alguma coisa ruim teria acontecido.  As vozes, entrecortadas, deixavam perceber que alguma coisa grave estava para acontecer caso um deles, que não sabemos quem, não as ouvisse. Alguns dizem que se tratava de roleta russa enquanto outros afirmavam que podia ser algo pior, se é que existe algo pior do que brincar com a morte em detrimento da vida. Tem gente que depois de velha vira criança levando coleguinhas pra brincar na casa dele.  
No dia seguinte fiz questão de ficar olhando para ver o estrago que a festinha fez em cada um.
Dois homens, um de 15 anos e um coroa na casa dos 65 saíram primeiro. Atrás vieram uma senhora baixinha e forte e duas garotas beirando os 17 e 18 anos. Todos demonstrando que a noite fora bem aproveitada. Uma pergunta, no entanto, não calava; o que um velho e um garoto faziam com três mulheres num apartamento onde a bebida e os palavrões rolavam soltos? Talvez o velho e a gordinha tivessem a experiência que certamente faltava nas  moças e no rapaz, mas não seria suficiente para deixá-los do jeito que ficavam. Gritinhos de mulher e risos de homem as instigando fazer alguma coisa não era raro. Todos bebiam e fumavam, só não sabemos se era o que a lei permitia ou que condenava. Falavam coisas como tirar camisa, quem sabe camisinha? E por que tirar e não botar? Falavam de alguém estar com a boca suja, quem sabe o nariz? Esse tipo de viagem os igualava no tocante a idade e na irresponsabilidade.
Ontem, para o nosso desespero, o número de pessoa ficou maior.  O rapaz chegou com um cara que era a sua cara e tinha o dobro de sua idade, enquanto uma das meninas levou a mãe ou  não se teria ouvido alguém chamar a outra de mamãe quando pediu para usar não se ouviu bem o que. As vozes dos homens eram diferentes uma das outras enquanto as das mulheres tinham o mesmo tom.
Pouco antes do amanhecer alguém tentava colocar um sapato menor do que cabia no pé de uma das moças por isso a ouvi pedindo que não empurrasse com força porque ela não era como fulana, eu não entendi o nome, para aguentar aquele tipo de coisa. As outras riam da covardia de quem se assujeitava aquele tipo de brincadeira. Pelo que pude acreditar, o velho ou o pai do rapaz também reclamou da brutalidade com que o calçavam. E pelo visto, o sapato era um ou dois números menor. 
No outro dia lá estava eu e as minhas olheiras querendo descobrir de quem era o sapato e quem o tentara calçar em quem, se é que era de sapato que se tratava.
Felizmente eu não estava na festa, porque, calçando 44, como eu calço, meu sapato não machucaria o pé de ninguém. Principalmente das mocinhas, mas se fosse o contrário eu nem na brincadeira entrava.

18 comentários:

  1. Sodoma e Gomorra??? :))))
    Aquele abraço, boa semana

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    1. Infelizmente, meu caro,
      é o que temos para hoje.
      Um abração e uma segun-
      da-feira bem preguiçosa
      para você.

      Um abraço.

      silvioafonso



      .

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  2. Bom dia. Sem dúvida que essas cenas são muito desagradáveis. E quando se mora num apartamento em que no andar de cima se fazem orgias sexuais? Sei do que falo.
    .
    * Saudade! Do quê? De quem? Não sei, confesso *
    .
    Uma semana feliz.

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    1. Gil, meu amigo. Me conta isso
      ai, cara. Fale do jeito que achar
      que convém e eu o farei rir com
      o meu texto com base no que disser...

      Um abração.

      .

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  3. Mas que orgias, meu Amigo! O pior é que não respeitam quem quer sossegar e dormir...
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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    1. Eu tenho um amigo de
      há muito que mora onde
      ninguém respeita o direito
      dos outros. O vizinho da
      direita, quando quer usar
      o celular, vai fazê-lo na
      frente da porta dele para
      não incomodar a esposa. O
      de cima vive arrastando a
      bicama na hora de dormir e
      também no dia seguinte, quan-
      do acorda.

      De fato é um inferno a vida
      desse sujeito que faz questão
      de não produzir barulho.

      Acho que esse povo é o mesmo
      que reclama da política brasi-
      leira, sabia, Graça?

      Beijos.

      .

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  4. A falta de respeito pela vizinhança é inaceitável e incompreensível!
    Dentro de casa na intimidade cada um faz o que quer e nada contra isso sem que tenha o direito de perturbar além paredes!bj

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    1. Tenho um amigo que disse
      já ter passado por isso,
      mas quando questionei quan-
      to aos detalhes ele botou
      o galho dentro, quer dizer,
      preferiu não comentar o fato.

      Acho que todos, de uma forma
      ou de outra já passamos
      por algo parecido, não é
      mesmo, Gracinha?

      Beijos.

      .

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  5. Há uns 4 anos tive aqui uns vizinhos de cor que todas as noites de Sexta-Feira faziam farra. Juntavam-se dez doze jovens lá e era Kizomba até de madrugada. Várias vezes o gerente do condomínio chamou a polícia. Felizmente só cá estiveram 6 meses.
    Há uns dois anos veio outro casal que cada vez que fazia amor, punha o prédio todo num alvoroço. Também não estiveram muito tempo e desde aí está lá um casal que só se dá por eles quando nos cruzamos na escada.
    Abraço

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    1. Eu acho, Elvira, que podemos
      gritar a nossa felicidade da
      mesma maneira que gritamos a
      nossa dor, mas há de se ter
      um critério, né mesmo?

      Gritar todas as noites é fal-
      tar com respeito ao próximo.

      Beijos, amiga. Beijos.


      .

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  6. oh Silvio só faltam os bombos e os foguetes das festas !
    pelo menos esses serão só umas quatro ou cinco vezes por ano para os santinhos mais próximos fazerem o seu passeio anual pelo centro das cidades!
    agora os humanos que diariamente não respeitam a pouco consistência das paredes dos edifícios, isso não é coisa que se faça :(
    espero que esta noite seja calma e com o devido descanso :)
    Angela

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    1. Eu tive uma garota com quem
      vivi alguns anos que botava
      a boca, não no que você está
      pensando, mas botava a boca
      no mundo na hora do prazer
      que tinha comigo. Eu, como
      todo o homem, ficava feliz
      com aquilo, mesmo sabendo que
      incomodava e até excitava os
      que nos ouviam.
      Enfim...

      Beijos, Ângela. Beijos.

      .

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  7. Uns vizinhos barulhentos e dessa qualidade,
    ninguém merece! Que sofrimento!
    Gosto dos seus textos, por isso aderi ao seu blogue.
    Uma boa semana, SAfonso.
    Beijos.
    ~~~

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    1. Estou cercado por
      mal-educados, meu
      anjo.

      Beijos, Majo.

      .

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  8. A volte i nostri vicini di casa ci esasperano con rumori assordanti....
    Un saluto,silvia

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    1. Non ho dormito di notte.
      Un saluto,

      silvioafonso

      .

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  9. Bom dia. textos sempre interessantes. Adorei :))

    Hoje:- {Poetizando e Encantando} Se chegares, amar-me-ás eternamente.

    Bjos
    Votos de uma Óptima Terça-Feira.

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