terça-feira, 13 de março de 2018

FÉRIAS NA CASA DO VOVÔ.

 
   Hoje me levantei lembrando as férias de verão que eu passava na casa do meu avô nos idos tempos de menino.  Havia na propriedade uma boa cachoeira onde meus primos se divertiam nos domingos e feriados. Enquanto os meninos ajudavam os pais na lavoura as filhas se esbaldavam naquelas corredeiras. E o faziam às escondidas.  Minha avó sabia, mas como todos  trabalhavam desde pequenos, ninguém tinha tempo para bisbilhotar a filha dos outros. Certa noite eu a ouvi falar sobre o procedimentos das meninas. Disse que faziam coisas feias entre elas na represa, mas eu acho que vovô não ouviu ou não teria virado para o outro lado da cama. Ouvindo aquilo eu, de orelha em pé, quer dizer, também com as orelhas de pé, não dormi mais.  Pela manhã, bem cedo, arranjei um jeito de me esconder perto da cachoeiro onde as mocinhas, peladas, como vovó dizia, iam se banhar.  Minha avó não mencionou esses detalhes ou meu avô interditaria o local das brincadeiras. As meninas tinham idade pouca coisa a mais além da minha, mas o suficiente para me deixarem louco, como já estava.  Escolhi um lugar de onde pudesse vê-las sem despertar atenção e foi certa disso que a filha de um colono se deixou beijar na boca e em cada um dos seios. Umas riam de nervoso enquanto outras se acariciavam cheias de desejo e de tesão. Sobre uma pedra a moreninha, também nua, se tocava ao passo que eu me acabava com a febre do rato. (Moleque da minha idade levava muito tempo vendo revista proibidas no banheiro de onde as figuras pareciam saltar do papel pra cima da gente).  Mas ali, pelo menos, era ao vivo e muito próximo do meu nariz.  Não tinha como duvidar do que viam meus olhos por isso a febre do rato... 
As férias de julho, para que se tenha uma ideia, já não tinham a mesma graça. O lugar ficava muito frio nessa época e por lá, com certeza, as meninas não davam as caras.  Entremente, bastava o verão pintar no calendário que as pernas eram raspadas e os fios mais insinuantes aparados para que o sol as lambesse. 
Meu Deus, que saudade eu tinha dos meus avós!  Será que eu os amava tanto assim ou seriam os meus hormônios?   
Todos os anos eu crescia e envelhecia um pouco mais enquanto as garotas, certamente, ficavam mais ousadas e mais bonitas. Talvez hoje já tenham se casado e até tenham filhos. Pode ser também que as filhas frequentem as águas onde suas mães se divertiam e nas férias a febre do rato tentava me matar.  Minha mãe, entretanto, ingrata e sem noção,  tanto fez que os velhos vieram morar conosco no Rio.  Da fazenda não tive mais notícias desde quando vovô me pegou olhando as garotas no momento em que minhas mãos batiam como se morressem de frio e talvez nem ele do fato se lembre mais.

34 comentários:

  1. Reporta-me a minha infancia e adolescência. Papai tinha
    propriedade na mata, no interior da Bahia. Lembro-me que quando banhava-me na cachoeira,sempre tinha uns meninos como tu, que gostavas de "espreitar".Tenha uma linda semana! Um abraço!

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    1. Bom, se eu tivesse aquela
      idade te diria que tu
      provocavas os pobres moleques,
      pois não?

      No meu caso as gurias não viam
      o seu "predador". (risos)

      Beijos, meu anjo. Beijos.


      .

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  2. Bom dia. Maravilhoso e saudoso texto. Adorei :))

    Hoje:- Âmago em transparências
    .
    Bjos
    Votos de uma boa Terça - Feira.

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    1. Larissa, quando aqui
      tu vens eu arrepio da
      cabeça aos tornozelos...

      Pena que quase não falas.

      Beijos,


      .

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  3. Ricordi del passato che suscitano sempre una grande emozione interiore.
    Un saluto,silvia

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  4. Sei molto gentile con le tue
    parole, Sílvia.
    Un bacio e una buona giornata.

    Silvioafonso


    .

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  5. Ô mininu saudoso gente!
    Lembra a canção?:
    " Recordar é viver"
    https://www.youtube.com/watch?v=_LJgxEpOrvg

    Bjins e Abraço
    CatiahoAlc.

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    1. Lembro nada, tia.
      Não é da minha época
      (risos)
      Te adoro, moça. Obri-
      gado pela combinação
      de letras que falam a
      favor da gente.

      Beijos.

      silvioafonso



      .

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  6. Olá Silvio!
    Sabes que estive um bom tempinho ausente do mundo dos blogs. Agora estou voltando aos poucos e venho para uma visitinha.
    Gostei muito da imagem do teu blog, aquela que parece um mural. É o teu rosto, certo? Adoro murais, arte de rua.
    Esta história que contou aqui é daquelas que jamais esquecemos. Porque fazem parte da nossa infância e ainda, contém preciosidades da nossa vida: os avós. Agora adultos, perdemos um pouco a atenção para os detalhes da vida, aqueles que nos prendem e nem percebemos o tempo passar. Os minutinhos parecem uma eternidade e quando revisitamos estes locais vividos na infância, por vezes, ficam diferentes. Não entendemos muito o motivo, mas acho que o que fica faltando é a magia da infância. E agora adultos, com outros olhos, perdemos muito dessa magia. A inocência infantil é mágica!
    Um abraço e tu és sempre bem-vindo no meu Fare la Scarpetta.

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    1. Garota, que colocação maravilhosa
      você fez aqui, no meu pedaço.
      De fato, as lembranças de criança
      não morrem na cabeça do adulto nem
      se ele as quisesse matar.

      Um belo texto se tornou a sua fala.

      Um beijo e pipocas com leite conden-
      sado para você.

      silvioafonso


      .

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  7. Há momentos da nossa infancia que nao esquecemos!
    Muito bom!
    Beijos,
    Monólogo de Julieta

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    1. Eu acho que vivi mais
      momentos alegres que
      tristes, mesmo que as
      tristezas que tive valessem
      o dobro da metade das minhas
      alegrias. Sorrir, no entanto
      eu jamais deixei de fazê-lo,
      mesmo que fosse de mim.

      Beijos, gata. Digo, Grato.


      .

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  8. Há lá mais doce memória que a memória da infância ?
    Não há não!
    Beijinhos

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    1. Se eu quisesse pensar na minha
      perderei o futuro revivendo o
      passado. Aliás, passado eu não
      tenho, haja vista que ainda
      vivo aqueles dias, mas de maneira
      diferente, claro.

      Beijos, moça. Beijos.



      .

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  9. A cachoeira já era um provocação. Que ambiente!
    Também gostei da tua escrita. Parabéns.

    Beijo.

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    1. Uma cachoeira escondida
      entre as pedras, a vegetação
      e os hormônio aflorando à
      pela da mocidade.
      Quem consegue deter a força
      da natureza?

      Beijos, Teresa. Beijos.



      .

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  10. Apanhado em flagrante delito?? :)))
    Deve ter dado um gozo imenso.
    Aquele abraço

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    1. Por que vc tocou nesse
      assunto, cara? E agora,
      o que eu faço enquanto
      tomam providências?

      Você é um fofo, meu amigo.
      Um grande abraço e obrigado
      pelo carinho.

      silvioafonso

      .

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  11. again a true story ? It is a pleasure coming here

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    1. The pleasure is mine,
      my angel.
      Thank you and a kiss.

      .

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  12. Que delicia voltar a infância nas suas memórias

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    1. Adorei a sua vinda, Carol.
      Obrigado pelas palavras.
      Um beijo por isso.

      .

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  13. Respostas
    1. A gente, mais velha, tem
      essas bobagens e o pior é
      que ficamos falando do pas-
      sado como se fosse uma lin-
      da história de amor.

      Pobre de quem nos escuta...

      Beijos, Sami e obrigado
      pelas palavras.

      .

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  14. LINDA HISTORIA!!!
    LOS RECUERDOS SIEMPRE SE GUARDAN Y NO SON NI PARECIDOS EN MUCHAS OCASIONES.
    SALUDITOS

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    1. Mais que bonito o seu
      comentário, Alicia.
      Obrigado e um beijo.


      .

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  15. https://poemasdaminhalma.blogspot.pt/
    Olá mais uma vez vim, li o seu texto, achei interessante... simples e bonito.
    Saiba que é um prazer ler as suas histórias e tê-lo na minha página.
    Beijo
    Luisa Fernandes

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    1. Você é uma fofura, Luísa.
      Amanhã, sexta-feira tem
      mais...

      beijos,

      .

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  16. talvez, tenha razão, sílvio afonso. já nos conhecemos, entre aspas, há uns seis-sete anos e evito comentar os seus posts. você é um escritor de gabarito, e embora, tenha vivido muito e muitas - rs, penso, também, que sua imaginação é mto fértil, mas para se ser um bom romancista, há k ter vivido ou estar vivendo as situações, mesmo, ou as saber urdir. o sílvio tem essas duas facetas.

    antes de continuar, deixe k lhe diga, que fui operada a mão esquerda, por contratura de dupuytren e dedo em nexo, dia 06 desse mês, mas minha mão não estava tremendo de frio, e se em Portugal, na europa toda, aliás, tem feito frio, e só estou escrevendo com a mão dta. daí k não possa fazer letra maiúscula, nem alg. sinais de pontuação.

    as suas histórias, que leio com alguma frequência, são mto interessantes e são quase sempre escritas na primeira pessoa, o k dá mais elam ao assunto. essa, uma recordação do tempo de garoto em que, escondidamente, via as meninas brincarem, entre aspas, peladas, umas com as outras. Piaget, ou freud, talvez soubessem explicar esse comportamento, mas nós tb conseguimos ter uma ideia de tudo o que se passava no início da puberdade.

    compreendo, mto bem, o motivo de tanta lembrança sua depois dos 40, mas deixe que lhe diga k as meninas não eram, de todo, ingénuas. quem não gosta de provocar o próprio ambiente-cenário ... pode ser k nele, exista algo ou alguém.

    evitei, repare que estou usando o pretérito perfeito do verbo evitar, no modo indicativo, comentar seus posts, durante uns tempos, por os achar despudorados, vulgares, mas, em contrapartida mto bem escritos, semântica e morfologicamente.

    hoje, aqui estou, sem arrependimento, lhe dizendo que nesse aspeto você está mais soft - a idade traz sabedoria e alguma quietude - e daí minha visita e comentário.

    penso postar dia 21, dia mundial da poesia. hoje, aí, é dia nacional da poesia, li num blog.

    grata por sua visita e bem estruturado comentário.

    um cordial abraço.

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  17. Lindas recordações....da uma saudade...

    http://cantaalegremente.blogspot.com.br

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  18. Merci d'être passé sur mon blog, je regrette de ne pas parler les langues latines à part le français ! Amicalement

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  19. Essas férias são inesquecíveis, não é?

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  20. Lembranças inesquecíveis que fazem parte do cotidiano de todos nós. Quem nunca tomou banho de rio, cachoeira ou açude nua em companhia de primas e coleguinhas? Quais dos meninos não ficavam a espreitar esses banhos, loucos para se juntarem as garotas?
    Abraços!

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