quinta-feira, 22 de março de 2018

A PRIMA DA MINHA MÃE.

    
    Quando meus avós vieram morar conosco trouxeram uma moça com quem, tempos depois, meu tio se casaria. Rosa era filha única do irmão do meu avô e só deixava a vida tranquila do interior porque minha mãe prometia ajudá-la no que fosse preciso. Inclusive já tinha para ela algumas roupas, um lugar na mesa de jantar e uma cama  no quarto junto com meus avós.  Pena que o espaço fosse tão pequeno para tanta gente, principalmente no tocante ao banheiro onde muitas vezes sofri esperando na fila.  Certa vez, estando eu apertado, corri à casinha, mas tinha gente.  Bati.
- Quem está aí? Perguntei entrelaçando as pernas para não sujar as calças.
- Sou eu, a Rosa. Um segundo que já estou saindo  - Disse fechando a água. Abriu a porta e correu com uma toalha a cobrir-lhe o corpo. No aperto nem me dei conta da roupa que a prima vestia, ou melhor, que não vestia.  Enquanto me aliviava avistei a calcinha que a prima esquecera na correria. Não me contendo tomei a peça nas mãos, esvaziei os pulmões e aspirei, com toda a força do mundo, o perfume contido nela. Meu Deus, por que eu fiz uma coisa dessas? Talvez vocês não acreditem, mas o cheiro das partes pudendas da prima era forte, mas tão forte que nem pude acreditar que fosse cheiro de virgem. Mas era. Não o cheiro, mas ela. Na noite do "em fim sós", todos saímos para titio "fazer o trabalho de casa". Todos, menos eu. Arranjei um jeito de espioná-los ou, pelo menos, ouvir os gritos da Rosa sendo estraçalhada pelo pitbull que o irmão da minha mãe dizia que era.  Mas que nada. Meu tio me cansou, e acredito que também tenha cansado a mulher com aquele barulho, tipo cachorro bebendo água, sabe?  Como eu era criança não tinha como saber que aquele barulhinho fazia parte da "abertura dos trabalhos". E que trabalho danado que levava tanto tempo para ser executado!  E eu pensando que era só os dois ficar pelado que o meu tio fazia aquilo nela e pronto, mas não...
Talvez fosse por isso que Rosa chorava se contorcendo.  Eu não vi, mas podia imaginar que os gritinhos que dava talvez fossem de frustração por pensar que seria atropelada por um caminhão e no entanto só se ouvia cachorro bebendo água.  Eu, como disse, fiquei cansado de esperar a cama ranger, a Rosa gritar e ele bater na bunda dela como eu lia nas revistas que mamãe rasgava quando encontrava debaixo do meu colchão.  Mas que nada. Titio só pensava em lamber e lamber o que gente, se nada minha prima tinha pra ser lambido? Ah, meu Deus, será que estou falando besteira? Acho que não porque  besteira dessa natureza eu pensava e pensava muito quando criança. Quantas noites eu ficava pensando essas coisas e quantas vezes mamãe gritava para eu  parar de bater a cama na parede porque ela queria dormir, quantas? Naquele tempo eu só pensava besteira, confesso, mas  hoje, me perdoem, mas acho que penso ainda.

18 comentários:

  1. Este é um verdadeiro post XXX :)))
    Aquele abraço

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    1. Tem coisa que a gente
      precisa ter coragem pa-
      ra contar, né, não, Pedro?

      Um abração.


      .

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  2. Buongiorno Silvio, è un piacere soffermarsi sulle tue pagine
    Un saluto,silvia

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    1. Grazie, amore mio.
      Buongiorno e anche
      un bacio.


      .

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  3. Jesuisis do céu!
    Eu evito jurar, mas lendo hoje aqui
    eu juro que as cenas passaram por
    minha mente e eu não paro
    de gargalhar!
    Coisas de ontem e hoje
    fantasticamente rememorados
    por nós leitores, porque
    o sujeito mesmo eu penso
    relembra mas não ousa reviver
    em cheiros.(rsrsrs)
    Bjins entre gargalhadas
    E abraço de Ô Dó daquele minino!
    CatiahoAlc.

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    1. Vc ri porque não foi com
      você. Lembra do ditado;
      "Por fora bela viola"?
      Então...

      Beijos.



      .

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  4. É que parece ser difícil esquecer ... =》...bj

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    1. Não achei difícil não,
      Gracinha, mas, sim, im-
      possível.
      (verdade pura).

      Beijos.

      .

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  5. Que guri malandrinho. Muito legal teu post.
    Abraços e tenha uma ótima sexta-feira. Obrigada pelo comentário. Nem queira conversar comigo, começo a falar e não paro mais. Tu irias te arrepender. Alfredo não dá tempo de eu falar, quanto tenho um ouvinte, aproveito.Quando junta a família vira uma guerra, todos falam aos mesmo tempo. É uma loucura.

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    1. Você escreve tão fácil que parece
      que a ouço falando ao meu lado.
      Beijos e, pode falar que sou bom
      ouvido.



      .

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  6. Muito malandrinho, as besteiras realmente são dificeis de sair da cabeça hehehe
    Um grande abraço.

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    1. Pô, Larissa. Pensei que
      fosse me passar uma des-
      compostura e no entanto...

      Ah, deixa prá lá.

      Beijos e bom find.

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  8. bonjour et toujours une belle écriture CHER SILVIO

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    1. Amandine, querida.
      Um beijo pra você
      e bom fim de semana.

      .

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  9. Silvio, a história da Rosa, a prima da tua mãe, é hilariante.
    Gosto da tua prosa escorreita, desenfreada, desbocada, corajosa.
    Sem besteiras a vida não tinha qualquer piada.
    Estás perdoado!
    Beijo e bom fim-de-semana.

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    1. Teresa, eu mal acabei de ler
      teu comentário corri para cá.
      Ninguém ou quase ninguém fala
      comigo como tu falas e esse
      negócio de dizeres que eu falo
      sem ofender os bons costumes é
      coisa de quem gosta da gente.
      Afinal de contas eu falo do jeito
      que sei enquanto demonstras a
      grande amiga que és. Adoro quando
      tu abres o coração e falas o que
      te dá na telha. Por isso, com
      todo o respeito e grito a todos
      os meus amigos; "Teresa, te amo!"

      Beijos.

      silvioafonso

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