terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

FORA DE SALA.

     Recebi um SMS  de uma pessoa dizendo-se ex-colega de colégio querendo se encontrar comigo. Eu, como qualquer mortal, liguei para saber quem era e do que se tratava. Mesmo a pessoa dizendo que tinha inveja da minha memória eu não me lembrava dela, até porque o tempo levara com ele, além da minha invejável memória, também a calma e a minha paciência. Por isso fui até grosseiro quando a ameacei de interromper a ligação se não me dissesse quem era. Só que ela não concordou e quase estourou os meus tímpanos dizendo;
 - Você não vai desligar essa coisa na minha cara, tá bem? Eu sei que você é ocupado,  mas não posso deixar de dizer que estou lhe fazendo um favor, porque, pelo que eu sei, fui a única da nossa sala que você não pegou porque as outras, ah, as outras já eram piriguetes mesmo antes de surgir esse termo.
- Agora quem ficou curioso fui eu. Afinal de conta, quem é que está falando? Perguntei meio sem graça.
-  Dorinha. Respondeu ela sorrindo.
- Dorinha, Dorinha. Quem seria Dorinha, meu Deus, que  eu não me lembro? - Resmunguei já não tão curioso.
- Eu sou a garota que todos cantavam na sala enquanto você me olhava com o rabo do olho. Naquela época era eu e o resto da turma zoando  as aulas da professora Dalila, lembra?  Inclusive você marcou de se encontrar comigo no recreio, mas como rasguei o bilhete que seu colega enfiou no meu caderno antes de lê-lo, a gente acabou não se vendo. Disso você se recorda, ou vai dizer que estou mentindo? Você até ficou puto e nunca mais olhou na minha cara - concluiu.
- Ué, se não leu o bilhete como sabia que era um encontro o que eu queria com você? - Perguntei curioso.
- Ah, sei lá. Você sabe como adolescente é. Só que hoje as coisas são diferentes e se você ainda quiser se encontrar comigo nem precisa mandar colega nenhum botar nada no meu caderno.  A gente marca e sai como você sempre desejou.  Ah, outra coisa. Eu nunca saí com ninguém da nossa turma.  Eu fazia aquele salseiro todo, mas era virgem e só o deixei de ser quando fiquei noiva, mas o safado sumiu depois de ter usado e abusado da bobinha que eu era.
- Eu sei que da nossa turma você não saiu com ninguém, mas do resto da escola não sobrou um que não a tivesse passado na cara - falei brincando.
- Antes que você leve a conversa para o lado da zoação eu vou desenhar o que você não quis entender: Hoje, às 20h estarei no portão da escola onde estudamos, e agora dou aula. Estarei lá com uma professora que trabalha comigo, a sua espera.  A gente leva a pessoa em casa e depois toma uns chopes na Cabana da Serra, na estrada Grajaú-Jacarepaguá onde  a gente se viu certa vez. Você estava com um amigo e eu com o professor de matemática que não sabia onde enfiar a cara quando você chegou - concluiu.
- Ah, tá.  Ele não sabia onde enfiar a cara, mas eu sabia onde a tinha enfiado ou ia enfiá-la quando saíssem dali. A propósito; por que suas notas não eram as melhores da sala se os professores saiam com você, coisa que nenhum aluno conseguiu pelo que está me contando?  
- Então estamos combinados - disse mudando de assunto. Ás 20h estaremos no lugar marcado a sua espera, e, por favor, não vai deixar furo ou conto para todo mundo que você é bicha.
- Isso  faz 10 anos que teria acontecido...

16 comentários:

  1. Bom dia. Parabéns pelo texto que, adorei ler! :))

    Hoje:- Serenata em telepatia
    .
    Bjos
    Feliz Terça-Feira

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    1. Larissa, essas mentiras
      deixam o meu ego bastante
      vaidoso.

      Adoro você, garota.

      .

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  2. Gosto desse tipo de mulheres de armas.
    Bom resto de semana.

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  3. As que você se refere parecem
    com as personagens dos livros
    de Harold Robbins de cuja obra
    sempre fui fã. Li tudo.

    Um abração, Pedro e bom dia.

    .

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  4. Hola amigo, vengo para agradecerte tu visita a mi blog y te sigo encantada.
    Saludos

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    1. Eu também gosto e gosto
      muito da sua presença.
      Um grande abraço e bom
      fim de semana.

      .

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  5. Como sempre, o mestre é um excelente contador de histórias, bastante envolvente..muito bom...abração..

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    1. Amigo tem esse defeito; nunca
      fala a verdade. E o pior é que
      eu adoro esse tipo de gente.

      Um grande abrço, Touché e, touché
      pra vc também.

      silvioafonso


      .

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  6. Deverias escrever,leva jeito! Um abraço!

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    1. Eu levo jeito para algumas
      outras coisas, mas não me atrevo.
      Nem para ouvir certas elogios eu
      me vejo preparado, e quando alguém
      diz algo de bom a meu respeito eu
      desabo, como hoje aconteceu.

      Um beijo e obrigado. Não um obrigado
      simplesmente, mas um obrigado desse
      tamanho, oh!

      silvioafonso


      .

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  7. kkk É isso aii te colocou na parede. kkkk Aiii gosto muito do humor dos seus textos.
    Beijos,
    Monólogo de Julieta

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    1. Com certeza, Paloma e eu,
      é claro, fiquei cheio de
      dedos, mas como sou obediente,
      obedeci e pronto. (risos)

      Beijos, amiga. Beijos.

      silvioafonso




      .

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  8. Uauuuuu que mulher decidida e prepotente! Mas, amei o texto!
    Beijos carinhosos!

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    1. Mulher como essa,
      com cabelo na venta,
      poucas. O resto é
      igual. Minha mãe,
      minhas irmãs e amigas
      também não são diferentes...

      Beijos.


      .

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  9. kkkk as vezes eu não sei se é para
    rir... ou dizer que lindo! kkk;
    ou dar opinião; ou até mesmo contar outro caso...

    Uma coisa é certo...
    Quantas palavras! neste cérebro!...

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    1. Adoro ouvir casos iguais
      a este. Vai, conta.

      Beijos,

      .

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