sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

UMA TARDE NO METRÔ.

 
     Já estava a ponto de explodir com a pessoa que ao celular gesticulava num espaço tão pequeno como alguém tentando se salvar em uma grande correnteza.  Com dedo firme tocou as costas da mocinha que afastou o celular para atendê-la.   - Pois não - respondeu com a brejeirice dos seus 18  anos. Márcia, quase teve um troço ao ser lambida por um par de olhos azuis turquesa. - Estou falando muito alto? - Quis saber a jovem. - Bem, é que, quer dizer...  Você não está falando muito alto, mas é que... Ah, deixa pra lá. É que eu achei que a sua bolsa estava aberta -  mentiu para a garota. - Obrigada - respondeu fechando o zíper enquanto observava a mulher que, agora calma, não tirou os olhos dela.
-A partir daquele momento Márcia não teve mais sossego. Aquela jovem alta, magra, pelos dourados pelo sol da praia, boca vermelha irradiando a jovialidade da sua idade, fora o verde azulado daqueles olhos nos quais ela demoradamente se banhou, tocavam alto um sino na sua cabeça. - Meu Deus, acho que estou enlouquecendo - sussurrou baixinho.  Antes eram os esbarrões dentro do trem que me incomodavam, agora é o medo de não tornar a vê-la.  Se eu não a encontrar em poucos dias, acho que terei um troço - resmungou mordendo o travesseiro. Cinco dias se passaram e  Márcia, desesperada, corria aos lugares onde acreditava que a pudesse ver, mas nada. Na sexta-feira seguinte, praticamente desiludida, Márcia deixou a gare onde há dias se encontraram e, pela última vez achou que pisava aquela plataforma. Márcia deixou passar uma senhora com uma criança no colo. Atrás subiu um homem de casaco longo até os pés acompanhado de uma adolescente de vestido acima dos joelhos segurando um celular. As pernas da jovem que cortou a sua frente tinham pelos dourados pelo sol, o que, de certa forma, acendeu um clarão em sua memória e Márcia, puxando o casaco do homem chegou junto aquela criatura e viu ali, diante dos seus olhos, a felicidade que achava que perdera.  As duas se olharam como se fossem amigas de há muito tempo. Largaram mão do que estavam segurando se abraçaram tão forte e não menos demoradamente que fez com que o homem, com um sorriso alegre nos lábios se afastasse delas e fosse embora.  - É meu pai - disse a pequena.  Ele sabe de mim e de você.  Há dias  não falo em outra coisa senão na utopia de poder voltar a vê-la - concluiu a mocinha sem sair de dentro dos braços dela.

17 comentários:

  1. Olá Sílvio! Muito obrigada pela visita lá na maisonducholat! Seja sempre bem vindo! Ah..estas paixões! Bom fim de semana!

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    1. Paixão conquista, arrebata.
      Paixão é fogo ardendo dentro
      e fora da gente...

      Beijos, Patrícia. Beijos.


      ç

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  2. Texto leve e permeado de sutilezas
    peculiares a sua escrita.
    Me trouxe a mente a personagem
    central do belo Brisa&Furacão.
    Bjins
    CatiahoAlc.

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    1. Brisa & Furacão foi um facão
      abrindo picada por onde
      passariam mocinhos e vilões.

      Beijos pela lembrança.

      .

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    1. Adoro aqueles que mentem
      para ver o amigo feliz.
      Adoro.

      Gracinha, te amo...

      Beijos, amiga.

      .

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  4. Beleza, sutileza e paixão pura vejo exalando nesse texto.
    Beijos e um dia feliz!

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    1. Parece que eu escrevi
      o que vc ditou, quer dizer,
      eu escrevi o que vc queria
      ler.

      Beijos, te amo...

      .

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  5. Belíssima crônica. Foi bom lê-lo.
    Bom fim de semana.

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  6. Muito obrigada pela visita ao meu cantinho.
    Já tinha passado por aqui, mas sem tempo para comentar.
    Que linda paixão, gosto quando tudo acaba bem.
    Parabéns pela escrita clara e certeira.
    Abraço

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    1. Que bom que arrumaste
      tempo. É um prazer redobrado
      te ver por aqui.

      Beijos e brigadim.

      .

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  7. Celular no metro.
    Algo que não vê no Japão.
    Não falam ao telefone em transportes públicos para não incomodar terceiros.
    Só recebem e mandam mensagens.
    Aquele abraço, boa semana

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    1. Aí a minha crônica não teria
      como existir, né não, Pedro?
      Obrigado por me permitir contar
      sempre com sua presença.

      Um abração, amigo.

      .

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  8. Um texto muito bom e cheio de delicadeza. Há amores assim... que não se querem perder...
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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