segunda-feira, 13 de novembro de 2017

VALEU, NEIDE APARECIDA.

      O humor troca o riso pelo silêncio da perda. A graça ficou presa nas palmas que não demos, da mesma maneira que o palhaço resmunga um amor que se foi na intenção de voltar no futuro e não o fez para tristeza daquele que pinta na cara dos outros a graça que seu próprio sorriso não vê. Mais uma vez o mundo perde a importância quando permite que a morte nos tire dos lábios o risco do riso. Mais uma vez essa terra deixa de girar por alguma coisa que ultimamente vem acontecendo dentro e fora de um tablado onde o pano há muito não vem caindo, talvez por estar perdendo o tempo do improviso. Eu não conheci o sorriso franco, meigo e doce que ora nos deixa como em represália aos momentos sofridos que a vida vinha lhe dando a partir de 2010 quando descobriu-se que havia nas suas entranhas, não um óvulo que nos desse uma nova mulher, mas um inimigo transvestido de morte atirando em tudo o que via dentro dela. Hoje aqui na serra o dia está frio como as mãos de quem esqueceu o seu par de luvas. Está desprotegido como a criança que chora na beira da sepultura o pai protetor que se foi sem garantir se voltava, e triste como se alguém muito querido tivesse partido nas primeiras horas do dia, mas que na verdade, nem um passo esse alguém teria dado além da nossa saudade. Eu não sei se essa coisa que vem nos levando para lugares desconhecidos e não sabidos nos reservará um espaço onde se possa adubar a vida ou distribuir para os que ficam a colheita da despedida que nem sempre nos é permitido fazer. Enquanto não chegar a minha vez e a vez das pessoas que eu amo eu continuarei assinando o mesmo protesto, mas não sem chorar o pranto dos íntimos no fechamento da campa.


10 comentários:

  1. Uma belíssima homenagem!
    Uma personagem que despertou meu sorriso inúmeras vezes!!!
    bj

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  2. O importante, Gracinha, não
    seria o texto em si, mas no
    que ele fez com a sua lembrança.
    Beijos, meu anjo e obrigado
    por dizer o que eu gostaria de
    ouvir.


    .

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  3. Um texto muito belo e uma muito sentida homenagem.
    Uma boa semana,
    Um beijo

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    1. Obrigado meu anjo, pelas
      palavras sempre bonitas
      e carinhosas.

      Um beijo.


      .

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  4. Oi Silvio,
    Texto fantástico...
    Nem sempre nos despedimos
    de quem amamos
    e a vida é tão efêmera...
    Quanta saudade sentimos daqueles que
    partiram antes de nós, não é mesmo?!
    Bjs!

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    1. Fico feliz com suas palavras
      e graças a Deus vc sabe disso.
      Um beijo e obrigado.


      .

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  5. Me encantó visitar tu blog..
    letras que atrapan por interesantes.
    Recibe mi saludo desde Argentina

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    1. Me gustó mucho su visita.
      Muchas gracias mi amiga.
      Un beso de este brasileño
      para usted.

      .

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  6. Saudade
    é o que nos resta
    enquanto fãs...
    Grata por ser minha voz
    nesse momento.
    Não só minha mas também a
    voz de muitos.
    Bjins
    CatiahoAlc.

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    1. A dor nos cala diante da morte.
      Até porque, o pranto nos corta
      a voz enquanto as palavras são
      carregadas no colo de uma imensa
      saudade...

      Beijos, Catiaho, e obrigado.


      .

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