terça-feira, 17 de outubro de 2017

SAUDADES QUE EU TENHO...


    No interior do estado festejavam o dia de ação de graças.  Não havia
 em nenhum calendário da era medieval aos tempos atuais um dia mais adequado ao encontro daqueles dois.  Talvez por anseio ao que pudesse acontecer ela tivesse chegado ao encontro um pouco mais cedo e em meio aos que se achavam no labirinto das barraquinhas alguém procurava por quem conhecera através das redes sociais.  Ela, como se fora criança, correu ao seu encontro e na ponta dos pés o beijou na face. A jovem parecia estar vivendo no mundo das maravilhas enquanto ele curtia a festa como se fora a melhor e a mais bonita.  Todos os bons ventos sopravam a seu favor, principalmente ao descobrir  que se tratava da mulher de sua vida.   Um beijo roubado   era o presságio do que a esperava. Depois, de mãos dadas, buscaram um lugar onde pudessem conversar. Ele falava enquanto ela o escaneava e nem os detalhes mais ocultos escapavam à curiosidade, se  me faço entender.

O cara pensou discutir a diferença de idade existente entre eles, mas achou melhor não mexer no que estava quieto, pois o que de fato importava era o respeito e o companheirismo entre eles. Dali seguiram à casa da moça onde os parentes os aguardavam. Ninguém confrontou as idades, mas para que não cometessem nenhum desatino a garota fez questão de dizer que o encontro era amistoso e que não esperassem nada de sério entre eles.  Tanto sabia do que estava dizendo que em tempo algum a interromperam ou a contrariaram naquilo que dizia. Depois vieram outros encontros  e por entender que um era a metade da laranja do outro resolveram juntar suas bandas.  A cama era seu ponto de encontro.  Sempre que um chegava a casa jogava-se nos braços do outro buscando o prazer que a química  provocava. 
No decorrer do período uma cirurgia se fez necessária e durante a convalescença do rapaz o sexo ficou fora de questão ou pelo menos deveria, como a ele disse o médico e a parceira não levou a sério.  A temperatura subia a cada encontro causando riscos a saúde dele, mas no afã do momento não se importavam com as consequências. 
      Hoje a frequência não é a mesma. Ambos, amadurecidos,  melhoraram em tudo e em todos os sentidos.  Afinaram as ideias, investiram no que é necessário e viajam aos lugares mais distantes e mais bonitos. Vivem como num conto de fadas trocando abraços e beijos num respeito de causar inveja, mas, nada além disso.  Eu acredito que já não fazem amor com a mesma pegada, embora o sentimento por parte dele continue num crescente quase avassalador, ao passo que ela já não vê tanta graça no que faz. Em vários momentos ele pensou  que o amor dela tivesse acabado, ou que se arrependera de tê-lo conquistado.  Ele, desesperançado, já não acredita que pulse em suas veias o mesmo desejo que tinha por ele, assim como não se vê provocado por um olhar malicioso, um cruzar de pernas pretensioso que os levava à cama naqueles momentos. 
          Enfim, vamos deixar que o tempo os ilumine, porque só ele tem o poder da mudança.   Se tiver de mudar para melhorar, que mude, caso contrário, que mudem os dois ou se acovardem sem reclamar...
       

2 comentários:

  1. Como sua editora já
    há um tempinho;
    acredito ser esse um
    de seus clássicos.
    Abraços e Bjins
    meu e do Al,
    caro Palhaço Poeta.
    CatiahoAlc.

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    Respostas
    1. Desculpa, eu pensei que
      tivesse respondido ao seu
      comentário sempre bonito
      e pertinente.

      Um beijo.


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