quarta-feira, 11 de outubro de 2017

SABOR DE NÃO SEI O QUÊ.

      
     Carlinhos não tinha preferência por cor, brinquedos ou pelo gênero das pessoas. Na casa das primas onde era deixado quando os pais saíam para o trabalho, Carlinhos passou a maior parte da sua infância . Brinquedos eram os que tinha na casa com os quais brincavam ele, suas primas e certas coleguinhas da escola. Algumas vezes Carlinhos foi ao portão para olhar os moleques jogar bola, mas não se viu tentado a juntar-se a eles. Pular amarelinha, rodar bambolê, pular corda e brincar de boneca com as coleguinhas era do que mais gostava e fazia. Seus pais se engrandeciam com as atitudes do filho, até porque, respeitava as meninas a ponto de brincar com seus brinquedos ao passo que outros meninos preferiam se passar por mocinho ou bandido, jogar bola e lutar entre si. Todos o amavam por ser uma criança comportada e estudiosa e por isso talvez não desse margem aos pais para castigá-lo ou tratá-lo de forma grosseira.
        Carlinhos cresceu estudando e brincando, e aos 23 anos já era doutor. Suas amizades eram as mesmas, muitas meninas e muito poucos rapazes. Estes, no entanto, não perdiam a oportunidade de criticá-lo pela forma de como se vestia e falava. Mesmo assim não abriam mão de sua amizade até porque era ao lado dele que se encontravam as mais lindas garotas do pedaço, e as chances de um desses rapazes se arranjar com uma delas não eram impossíveis. E foi na casa de uma dessas meninas que Carlinhos tomou o seu primeiro porre. Era uma festa de música lenta e pouco vinho, mas não pouco que não deixasse alguns deles fora de si e Carlinhos era uma dessas pessoas. Na manhã do dia seguinte o jovem rapaz acordou sem noção do que tinha acontecido além do gosto amargo que tinha na boca. Não fossem suas três melhores amigas esfregando os seios nus em sua cara enquanto uma tinha nos dentes a cueca que antes ele vestia e nosso herói jamais acreditaria que há pouco tempo ainda era um menino honrado e respeitador que nunca diferenciou o branco do preto, o bonito do aceitável e o homem da mulher e agora, entretanto, fica sabendo que passara toda a noite entre adoráveis criaturas com quem deve ter feito o impossível e o não permitido e mesmo assim acredita que o gosto que tinha na boca já tenha mudado.

14 comentários:

  1. Caro Palhaço Poeta,
    De verdade?
    Pois ai vai:
    Como gente e menina que fui
    Todas impressões que não as religiosas são as genuínas e
    verdadeiras.
    Esse Espelho que você tão
    despretenciosamente
    nos mostra;
    esmurra nossa parte
    fugidia covarde ao mesmo
    tempo que cutuca e acende
    a nossa fantástica e emotiva memória literária.
    Pronto.
    É o que penso sem
    filtro que chamamos
    nas artes cênicas de
    1a impressão de um texto.
    BJins
    CatiahoAlc.

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  2. Sensualidade e algum mistério!? ... gostei de ler!

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    1. Tive medo de que não
      gostasse. Um beijo e
      obrigado pelas palavras.


      .

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  3. Olá tudo bem? Quanto tempo. Fique feliz de te encontrar lá no meu espaço. Belo texto. Coitado, um rapaz educado, e agora que fará da qui para frente?
    Abraços e felicidades.

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    1. Foi um prazer. Logo logo
      voltarei por lá.
      Bjs.




      .

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  4. Muchas gracias por tu amable visita.
    Un placer llegar hasta aquí.

    Un abrazo

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  5. Fico feliz em saber que adora! ;D

    Ótima segunda!

    Beijo! ^^

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    1. Vc não faz juízo do quanto
      feliz fiquei em vê-la por
      aqui.
      Um beijo e obrigado.



      .

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  6. Acontece a todos. Você é um narrador, com histórias muito interessantes, que fazem parte do que se passa no dia-a-dia.
    Gostei de o ler.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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  7. Un placer estar en tu precioso rincón.

    Besos.

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