terça-feira, 5 de setembro de 2017

DESCULPE O DESABAFO, MAS POR SER CONSIDERADO UM MACHÃO NÃO TINHA COM QUEM CHORAR...

    
   Convivi com João Ubaldo Ribeiro de quem penso ter sido um bom amigo e com quem tomei algumas dezenas de chopes no Leblon onde ele morava e assim que eu soube de sua morte chorei mais do que talvez chorasse por um parente. Um dia esse mesmo João me falou que a minha escrita era confusa aparentemente, mas, quem sabe, talvez fosse uma nova maneira de se falar dos dias que estavam surgindo. A gente estava sentado num bar na esquina das ruas Dias Ferreira, onde ele morava, com a General Urquiza, no Leblon.
Também chorei com a morte do Paulo Silvino, pessoa com quem eu não convivi, mas conhecia uma vez que seu pai, Silvino Neto, vivia na diretoria do Banco, onde eu trabalhava, em busca de recursos para a sua obra e com quem conversava nas vezes em que ele por lá aparecia.
Luiz melodia,  por sua vez,  era um garoto que tocava escaleta, um tipo de flauta com teclas de piano, em frente a casa onde eu morava. Ele dizia que no futuro seria cantor e a gente, moleque que era, ria da cara dele, talvez por inveja dos dotes que tinha. Quando sozinhos a gente falava desse futuro que só veio pra ele, e da gente que dele fazia troça, recebia os aplausos e os gritos de bravo!, de bis, e de quero mais.  Sua morte também foi a minha.
Luiz Gonzada eu conheci quando o Governador de Minas,  que também era diretor do Banco onde eu trabalhava, me apresentou a ele graças a humildade do velho Magalhães Pinto. Uma vez o Gonzagão, que almoçaria com a gente no segundo andar da Travessa Ouvidor com a Av. Rio Branco, me chamou para perto de onde estava sentado e cantou uma de suas músicas, que já não me lembro qual foi, batucando na mesa de dez metros que ficava num espaço onde os diretores almoçavam e ele, como se eu entendesse de música, me perguntou o que eu tinha achado.  Na época eu era secretário de Theóphilo de Azeredo Santos, que por sua vez era casado com uma das filhas do Velho Magalhães e por isso eu também me sentava naquela mesa.  Foi lá que eu aprendi como se comportar em uma mesa de refeição e olha que eu era um menino, 20 anos de idade, e só ingressara no banco por causa de um despretensioso concurso. O que eu queria de fato era trabalhar no jornal onde aos 15 anos tomava gosto pela coisa e onde eu fiquei até os 18. Depois fui para o exército, mas voltei ao dar baixa para o convívio das letras. Pouca gente conhece a minha história e só a estou contando  porque estou triste com as perdas decorrentes, e como se não bastasse, chega ao meu conhecimento a morte de Rogéria com quem nunca falei, mesmo tendo amigos que não se continham na sua presença e agora, coitados, se escondem na saudade para comigo chorar essa mazela.

6 comentários:

  1. Palhaço Poeta,
    Como fã confessa Sua e
    de Rogéria
    Eu reles Mulher Poeta
    digo que Vc é marco de uma
    Época Única
    Da qua Vc Palhaço Poeta, Rogéria, Outros e até mesmo Eu fazemos parte
    da HISTORIA do nosso PAÍS e até mesmo da historia mundial...
    Obrigada por compartilhar esse momento ímpar.
    Bjins
    Catiaho Alc.

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  2. Querido Palhaço Poeta,
    Estamos todos na mesma fila,
    querendo ou não.
    Como diz o Al
    "O amanhã chegará, quer
    queiramos nós
    ou não."
    Todavia vamos em frente
    deixando nosso legado.
    O mesmo Al me ensinou e faço
    pratica de
    que o "anonimato" não nos
    favorece em nada, apenas
    favorece aos que se perturbam
    com a nosso modo bem
    sucedido de viver.
    Em fim,
    Bjins
    CatiahoAlc.

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    1. Que fofo você tem sido, minha doce
      e querida amiga. No meu peito, por
      mais que eu lutasse contra, ainda
      resiste a saudade, porém secos já se
      encontram os meus olhos, só as
      lembranças teimam na choradeira...
      Um beijo e obrigado.

      silvioafonso

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  3. Olá Silvio, temos algo em comum qto ao conhecimento dos famosos, tive a feliz dita de, na condição de Técnica de Enfermagem, prestar cuidados ao nosso poetinha: Vinícius lá na asa de Saúde S. José no Humaitá, ao Chico Buarque, José Wilker e o conterrâneo Paulo Pontes, todos no Hospital Samaritano, e cada noticia da partida deles, eu também senti um aperto no peito.Adorei seu relato.
    Agradecida pela visita aos meu blog's.

    Tenha um ótimo dia!
    Bjs no core!

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    1. Eu ia à Rua Bambina pela São Clemente para chegar ao Hospital Samaritano, onde visitava os amigos que lá se tratavam e, quem sabe, não tropecei com você pelos corredores? Caso se lembre de um jovem alto, posso dizer, magro e simpático, este era eu, seu amigo.
      Um beijo e obrigado pela visita.
      silvioafonso



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