sexta-feira, 29 de setembro de 2017

DAS RUAS AO SUCESSO

     Em 1948 nascia na Flórida um cara que mais tarde reviveria o estilo do ídolo James Brown, um monstro do Funk e do sound mundial. Charles Bradley, que há dois textos venho falando a respeito, demonstrava claramente nas suas apresentações a influência adquerida  ao ídolo Brown morto não faz tanto tempo. As músicas de Charles Bradley fazem parte da trilha sonora do seriado americano Suits, que assistimos em minha casa até o meado desse ano, e dos seus personagens, principalmente do fabuloso advogado "Harvey Specter", que tem entre os de sua coleção no fabuloso escritório o álbum de Bradley como um dos preferidos. Eu gostaria de lembrar a quem viu ou vê a série que esse brilhante advogado é o mentor de Mick Ross, seu parceiro e amigo, o  segundo na foto.
  Somente aos 8 anos o cantor conheceu a mãe com quem foi levado a morar no Brooklin, em Nova York. Antes vivia na casa da avó até aquela idade. Aos 14 anos a irmã o levou ao Apollo Theater, para, pela primeira vez assistir o show de James Brown que a partir daquele momento mudaria a cabeça do menino. Na adolescência Bradley fugiu de casa para morar nas ruas, chegando a dormir nos vagões do metrô durante alguns poucos anos. Depois acertou ao se inscrever num programa gratuito de educação e estímulo vocacional que o governo americano dava de graça. Esse mesmo programa o levou ao ponto mais oriental dos Estados Unidos onde trabalhou como cozinheiro. Lá ele foi comparado a James Brawn por sua aparência. Perguntado se sabia cantar, negou, por medo. Depois de superado esse medo fez alguns shows com uma banda formada por pessoas amigas até o dia da convocação à Guerra do Vietnã, quando a banda acabou. Bradley cozinhou por mais 10 anos quando, pegando carona, cruzou o estado para morar em Seathe, Canadá e depois no Alaska, antes de morar na Califórnia onde teve alguns empregos temporários e fez alguns shows num espaço aproximado de 20 anos. Depois sua mãe pediu-lhe que voltasse a morar em sua companhia na cidade onde se apresentou como sósia de James Brown e depois, claro, o sucesso que teve até ontem, quando nos deixou ao som das músicas que não só em Suits, mas na vida que nos resta continuará nos embalando.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

UM HOMEM DE TODAS AS RAÇAS

     Jemes Brown foi o grande mestre senão o pai do funk music de onde surgiram Elvis Presley e mais recentemente, Michael Jackson que fez uma festa ao passar por aqui. Com a morte de Brown o som music ficou órfão, mas ia se consolando com as apresentações de Charles Bradley que, como poucos, sabia incorporar o precursor da música negra americana com sua dança arrojada e seu canto rouco agressivo. Tudo já quase ia bem quando, para nossa felicidade e principalmente a minha, soubemos que o negão se apresentaria no Rock in Rio desse ano. Os dias iam passando, os shows acontecendo e Lady Gaga não dava as caras. Assim como o pai do ritmo que antes envolvia os mais pobre negros novaiorquinos e os brasileiros da periferia de todas as raças, eis que Charles Bradley também não chegou a tempo de se fazer conhecido do seu público brasileiro. Novamente a maldade da foice da morte nos ceifa o prazer que teríamos em vir o negão suado, de corpo sarado rodando nos calcanhares no alto do palco mundo como Tony Tornado em 1970 nos fez chorar e cantar com ele.
Agora é esperar caso a morte não nos pregue outra peça para rever Jemes Brown incorporado em outra pessoa, não importa de que cor e de qual nacionalidade ela seja, desde que nos faça dançar e esquecer das agruras da vida antes da morte.

domingo, 24 de setembro de 2017

DE NOVO?

    Eu não sabia que escrevendo sobre um “sarro” eventual, entre um rapaz e uma mocinha no metrô do Rio causasse tamanho reboliço. Eram muitos, talvez uns dez ou mais emails nervosos que lotavam  minha caixa de correspondência depois da publicação. Cada um mais zangado que outro e aos que pensam que só mulheres desabafavam, enganaram-se, já que os homens esbravejavam muito mais. Talvez porque tenhamos, nós, os homens, o mesmo cérebro das amebas, segundo afirmação das feministas. Por isso é que eu, assim meio sem jeito, decidi contar-lhes que ontem, a amiga de minha filha, também adolescente, decidiu contar para ela, que por sua vez nos confidenciou em casa que essa sua amiga, no amontoado de estudantes que lotavam o último ônibus que as buscava na escola, sentiu-se, aparentemente, importunada por uma colega que, de pé a sua frente, enfiava uma perna lisinha e macia por entre as coxas dela, e, segundo relatou à minha filha, sentia no contato daquela perna entre as suas um prazer tão grande que, comparado ao prazer que os meninos com quem ficou lhe davam, era muitas vezes mais gostoso. Aí eu me pergunto; quem está certo e quem estaria errado assediando ou se deixando assediar num momento onde tudo é proibido ou é pecado, se o nosso dinheiro não dá para pagar quase nada do que é lícito e permitido?

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

SUANDO A CAMISA.

    Entrou e não encontrou onde pudesse se sentar, mas para ficar de pé podia escolher o lugar que quisesse. Então optou pela parte de trás onde ficaria à vontade nas redes sociais do celular. Entretido não percebeu o quanto de gente entrara naquele trem, mas o suficiente para uma garota, que não tendo onde se acomodar, se postar de frente à sua perna apertando, de leve, a vulva na sua coxa. Talvez não tivesse o propósito de fazê-lo, mesmo assim excitou-o a ponto de deixá-lo do jeito que ficou. Fingindo acessar o Whatzap como vinha fazendo, voltou para ela seus radares na intenção de saber se era ou não voluntarioso o contato de suas coxas na dele, da sua barriga no seu quadril e depois de um determinado momento, a dele na dela. Ninguém, além dos movimentos da locomotiva, os tirava daquela posição e só depois de concordar quando ela comentou sobre o calor que fazia ali dentro que o pobre rapaz relaxou e pela primeira vez na vida obteve um orgasmo em público e daquela dimensão, talvez com a permissão de quem também nunca tivesse gozado de tal experiência como ela naquele momento. 

- Nessas horas eu me lembro de um velho bordão que dizia; se a vida te dá um limão, que tal fazer dele um refresco?

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

SÓ O AMOR PARA EXPLICAR.

 
    Por isso ou por aquilo já vi gente trair no casamento, porém nunca pensei que alguém fosse capaz de ajuntar as tralhas, botar a família e o cachorro debaixo do braço e correr para junto de quem acha que ama só por pensar que tem por ela um amor tão puro que chegas às raias da inocência. Sim, porque só agora me dou conta de que esse tipo de amor é possível, mesmo já tendo largado tudo para atender o chamado de quem eu tanto gostava sendo que para a pessoa eu não passasse de um mero pagador de contas, principalmente dos almoços e dos chopes que bebíamos. Quando eu procurava por ela, nunca estava disponível, mas se fosse ela quem precisasse de mim lá estava eu abanando o meu rabo. 
O amor que eu sentia por essa pessoa, e acho que ainda sinto, era e é verdadeiro, sem cobrança, desinteressado, uma vez que dela eu só carecia da companhia para assuntos banais e como somos héteros e bem resolvidos com as nossas mulheres, sexo não tinha chance entre a gente.
 Hoje, algum tempo mais tarde, me vejo abraçando aqueles que largaram o conforto das casas, o aconchego dos amigos do bairro, a fidelidade da igreja dos domingos e vem, de mala e cuia, rever o amigo que calado sofria por sabê-los distantes. 
Amar é isso. É não se importar com idade, com o estado físico aparente e com o sexo que tenha a pessoa que o seu coração escolheu para amar, e quando esse amor é recíproco, aí a gente vira criança. Bate palminha, dá pulinho, corre para os braços da pessoa amada e beija-lhe a sua face ou, se você tiver a sorte que eu tenho, se deleita com a gargalhada que ensurdece a inveja e o preconceito, e aos íntimos, garante a sensação exata da felicidade.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

DESCULPE O DESABAFO, MAS POR SER CONSIDERADO UM MACHÃO NÃO TINHA COM QUEM CHORAR...

    
   Convivi com João Ubaldo Ribeiro de quem penso ter sido um bom amigo e com quem tomei algumas dezenas de chopes no Leblon onde ele morava e assim que eu soube de sua morte chorei mais do que talvez chorasse por um parente. Um dia esse mesmo João me falou que a minha escrita era confusa aparentemente, mas, quem sabe, talvez fosse uma nova maneira de se falar dos dias que estavam surgindo. A gente estava sentado num bar na esquina das ruas Dias Ferreira, onde ele morava, com a General Urquiza, no Leblon.
Também chorei com a morte do Paulo Silvino, pessoa com quem eu não convivi, mas conhecia uma vez que seu pai, Silvino Neto, vivia na diretoria do Banco, onde eu trabalhava, em busca de recursos para a sua obra e com quem conversava nas vezes em que ele por lá aparecia.
Luiz melodia,  por sua vez,  era um garoto que tocava escaleta, um tipo de flauta com teclas de piano, em frente a casa onde eu morava. Ele dizia que no futuro seria cantor e a gente, moleque que era, ria da cara dele, talvez por inveja dos dotes que tinha. Quando sozinhos a gente falava desse futuro que só veio pra ele, e da gente que dele fazia troça, recebia os aplausos e os gritos de bravo!, de bis, e de quero mais.  Sua morte também foi a minha.
Luiz Gonzada eu conheci quando o Governador de Minas,  que também era diretor do Banco onde eu trabalhava, me apresentou a ele graças a humildade do velho Magalhães Pinto. Uma vez o Gonzagão, que almoçaria com a gente no segundo andar da Travessa Ouvidor com a Av. Rio Branco, me chamou para perto de onde estava sentado e cantou uma de suas músicas, que já não me lembro qual foi, batucando na mesa de dez metros que ficava num espaço onde os diretores almoçavam e ele, como se eu entendesse de música, me perguntou o que eu tinha achado.  Na época eu era secretário de Theóphilo de Azeredo Santos, que por sua vez era casado com uma das filhas do Velho Magalhães e por isso eu também me sentava naquela mesa.  Foi lá que eu aprendi como se comportar em uma mesa de refeição e olha que eu era um menino, 20 anos de idade, e só ingressara no banco por causa de um despretensioso concurso. O que eu queria de fato era trabalhar no jornal onde aos 15 anos tomava gosto pela coisa e onde eu fiquei até os 18. Depois fui para o exército, mas voltei ao dar baixa para o convívio das letras. Pouca gente conhece a minha história e só a estou contando  porque estou triste com as perdas decorrentes, e como se não bastasse, chega ao meu conhecimento a morte de Rogéria com quem nunca falei, mesmo tendo amigos que não se continham na sua presença e agora, coitados, se escondem na saudade para comigo chorar essa mazela.