segunda-feira, 10 de julho de 2017

SOU FILHA DO CARA...

         

   Meu nome é Rebecca. Sou filha de um cara que diz que o verdadeiro amigo não é aquele que nos fala a verdade, mas é aquele que fala o que a gente precisa ouvir.
  Certa vez meu pai chegou à casa com alguém que tatuaria o seu nome em nossos dias, em nosso tempo e em nossas vidas. No princípio achamos que trazer Babi para o nosso convívio fosse um erro, mas errado foi o julgamento que fizemos dele, de papai, pois não precisou muito para que  entendêssemos que o verdadeiro amigo, contrariando o que papai diz, não é aquele que nos fala o que acha que precisamos ouvir, mas aquele que cala e nos ouve. Aquele que nos olha e nos vê. Aquele que não puxa a cadeira para se sentar a nossa frente, mas que se deita aos nossos pés para mostrar a sua gratidão por se sentir amado. Dois anos e sete meses Babi ficou com a gente, na casa dela. Sim, porque a casa que antes nos pertencia, mudou de dono com sua chegada. Nada mais a gente fez sem a sua presença. As viagens, os hotéis e os restaurantes só interessavam se atendessem as suas necessidades ou trocávamos de rota. Comíamos onde ela se sentisse bem e dormíamos onde ela pudesse dormir com a gente.  Não mudamos a vida dela por nossa causa, mas mudamos a nossa por causa dela. E nem nos demos conta dessa mudança.  Pensávamos que a vida é que tinha se transformado como as coisas se transformam com o tempo. Mas, infelizmente,  só agora é que notamos que a nossa vida já não mais nos pertencia senão a ela. Babi tornou-se a dona de tudo e de todos. Trocou de quarto, trocou de comida e de tudo aquilo que a tornasse mais bonita e mais viva aos olhos dos outros. Há dois dias Babi resolveu nos pregar uma peça e o fez sem nos dar chance de questioná-la. Era cedo, bem cedo quando Babi arrumou as coisas que trouxera consigo há dois anos e sete meses e as meteu dentro das nossas lembranças e, partiu. Foi embora. Mudou-se para um  lugar muito longe e desconhecido. Se ela não fosse aquela que conhecemos, certamente não nos teria deixado, além da saudade, também esse espaço que nos separa.  Ninguém, nem mesmo papai poderia pensar que fosse possível uma conquista como a que ela conseguiu convivendo com a gente, ou a gente convivendo com ela, não sei.
Como tudo aqui em casa fica sem sentido com a sua ausência, só nos resta entender o  ciclo da vida e rezar parque ela tenha feito uma boa escolha.  Portanto, meu amor, vá na paz.  Vai e desculpe se a gente não foi nem um terço do que você foi para todos nós. Desculpe, eu lhe peço de novo, por chorar pela falta que você já nos faz.


4 comentários:

  1. A Babi a fazer falta numa casa onde marcou o tempo e a vida... Que pena!
    Uma boa semana.
    Beijos.

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    1. Caso um funcionário meu justificasse
      a falta ao trabalho por conta do
      falecimento de um cachorro eu, que faltei
      ao meu, quem sabe, o demitisse. Mas em
      se tratando de Babi... Meu Deus,
      que falta essa cadelinha, que aos olhos de
      quem a conheceu,foi melhor que a gente, nos faz
      nesse momento.
      As demais pessoa não fazem ideia do que o povo
      aqui em casa está sentindo.
      - Graça Pires. Um beijo e obrigado pela força.



      .

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  2. Sem palavras...
    Ela foi a unica que m
    conseguiu me fazer baixar
    a guarda ao permitir
    e aceitar meu humilde afago.
    Sinto muito
    a dor que os assola, mas
    sei que as lembranças serão permanentes...
    Beijo e abraço apertado: Meu e do Al
    em Vocês queridos Amigosafilhados Amados.
    CatiahoAlc.

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    1. Madrinha, essa pedra há muito
      era cantada; se Babi morrer, o
      que certamente aconteceria um
      dia, muitos aqui de casa morreriam
      um pouco com ela. Não deu outra...

      Um beijo e obrigado, sempre.


      .

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