sexta-feira, 28 de julho de 2017

QUEM SERIA O DONO DELA?

   Eu não pedi pra nascer, mas se tivesse pedido, quem me garante que pediria para nascer humano? Talvez preferisse ser outro animal ou quem sabe eu quisesse ser a própria natureza mesmo errando ao colocar o nariz da gente em cima da boca, os testículos no meio das pernas e os seios da mulher na frente do peito; talvez um na frente e outro atrás fosse de bom alvitre. Mas nada como a natureza tem seus encantos. Nela existem rios com margens para a privacidade, leitos para esparramar suas preguiças, nascentes como berço e uma foz imensa para se entregar de corpo inteiro. E tem um mar para desaguar o que antes alimentou a fauna e a flora enquanto caminhava como também carrega consigo o poder da mudança. Em milhões ou bilhões de anos mudou as montanhas e os oceanos de lugar. Criou continentes, vales, precipícios, chuvas e ventos, e até se deu ao luxo de apagar do mapa o que achou ter errado. Com uma palavra é capaz de mudar o humor de uma pessoa para o bem ou para o mal, como também é capaz de salgar a lágrima de sua alegria e a da sua tristeza. Eu, portanto, queria muito ser essa tal natureza, mas pelo que vejo a natureza já tem dono ou o dono talvez seja sua própria criação.  Dessa maneira vou seguindo a minha trajetória enquanto invejo a vida que levam os outros animais.

terça-feira, 18 de julho de 2017

POR QUE SE FOI?

   Chorou como choram os bebês no berço sentindo a falta da mãe. Chorou até se desidratar, como os monges na semana santa choram o sofrimento de Cristo. Chorou para não se esquecer que chorando lava-se a alma e tudo que não for puro existente nela. E foi assim o seu fim de semana como também os demais dias que se passaram. Certamente os inimigos se perguntariam se a tal choradeira seria consequência de um estado terminal dando motivos a tão sonhada festa em homenagem a sua morte, ou teriam de aturar por mais uns tempos esses sorrisos de felicidade e até quando já que a eles incomodava tanto? Mas ele, sinceramente, não pregaria uma peça dessa nos que o querem jazido em cova rasa, até porque, atingiria, de certo modo, os que tanto gosta e pretende mantê-los consigo por vários anos. De qualquer formam foram tristes os dias que passaram sem a presença dela. Com ela ele era uma pessoa, mas sem ela nem sabia no que tinha se tornado. Talvez nem humano ele se considerasse mais. E com este pensamento deixaria de se definhar como vinha acontecendo, já que ela, com certeza, era tudo que um ser poderia esperar de bom da natureza pois a sua imagem era linda como o alvorecer, adorável como uma tarde de domingo e irradiante como as festas da primavera. Que pena que vai durar mais tempo sem ela do que ela durou com ele e que pena que ela não tenha ficado para ver a mudança que causou em cada um dos que, de uma certa maneira, ela provou que amava.
A estas horas certamente já deve estar distante, talvez num lugar onde entendam a linguagem dos anjos com a qual tentava se comunicar com os amigos que fez ou ainda esteja por aí a sua espreita. A ele deve ter sobrado forças para dizer que haverá uma enorme festa para os que em breve descobrirão que não é preciso saber falar ou ouvir tão bem para fazê-los felizes como ela, de certa maneira, fez com os que deixou para trás.
-Vá na paz, mas não exija dos que triste ficaram que a esqueçam, porque somos humanos e o esquecimento não faz parte dos nossos melhores sentimentos.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

SOU FILHA DO CARA...

         

   Meu nome é Rebecca. Sou filha de um cara que diz que o verdadeiro amigo não é aquele que nos fala a verdade, mas é aquele que fala o que a gente precisa ouvir.
  Certa vez meu pai chegou à casa com alguém que tatuaria o seu nome em nossos dias, em nosso tempo e em nossas vidas. No princípio achamos que trazer Babi para o nosso convívio fosse um erro, mas errado foi o julgamento que fizemos dele, de papai, pois não precisou muito para que  entendêssemos que o verdadeiro amigo, contrariando o que papai diz, não é aquele que nos fala o que acha que precisamos ouvir, mas aquele que cala e nos ouve. Aquele que nos olha e nos vê. Aquele que não puxa a cadeira para se sentar a nossa frente, mas que se deita aos nossos pés para mostrar a sua gratidão por se sentir amado. Dois anos e sete meses Babi ficou com a gente, na casa dela. Sim, porque a casa que antes nos pertencia, mudou de dono com sua chegada. Nada mais a gente fez sem a sua presença. As viagens, os hotéis e os restaurantes só interessavam se atendessem as suas necessidades ou trocávamos de rota. Comíamos onde ela se sentisse bem e dormíamos onde ela pudesse dormir com a gente.  Não mudamos a vida dela por nossa causa, mas mudamos a nossa por causa dela. E nem nos demos conta dessa mudança.  Pensávamos que a vida é que tinha se transformado como as coisas se transformam com o tempo. Mas, infelizmente,  só agora é que notamos que a nossa vida já não mais nos pertencia senão a ela. Babi tornou-se a dona de tudo e de todos. Trocou de quarto, trocou de comida e de tudo aquilo que a tornasse mais bonita e mais viva aos olhos dos outros. Há dois dias Babi resolveu nos pregar uma peça e o fez sem nos dar chance de questioná-la. Era cedo, bem cedo quando Babi arrumou as coisas que trouxera consigo há dois anos e sete meses e as meteu dentro das nossas lembranças e, partiu. Foi embora. Mudou-se para um  lugar muito longe e desconhecido. Se ela não fosse aquela que conhecemos, certamente não nos teria deixado, além da saudade, também esse espaço que nos separa.  Ninguém, nem mesmo papai poderia pensar que fosse possível uma conquista como a que ela conseguiu convivendo com a gente, ou a gente convivendo com ela, não sei.
Como tudo aqui em casa fica sem sentido com a sua ausência, só nos resta entender o  ciclo da vida e rezar parque ela tenha feito uma boa escolha.  Portanto, meu amor, vá na paz.  Vai e desculpe se a gente não foi nem um terço do que você foi para todos nós. Desculpe, eu lhe peço de novo, por chorar pela falta que você já nos faz.


sábado, 1 de julho de 2017

POR QUE CORRUPTO?

    A corrupção não é privilégio do ser humano ou não seriamos fruto de um homem e uma mulher que, por corrupção da natureza, se apaixonam a ponto de perder o siso já que o homem vê na mulher, que o enfeitiça, o que de mais delicioso, bonito e gostoso alguém espera que a natureza lhe dê ao passo que ele, aos olhos de sua amada, não é menos que a dádiva que Deus guardou para ela até que aos poucos o tempo prove ter enganado a ambos, e ao tomarem conhecimento da esparrela que caíram o homem volta à dureza do machismo e a mulher à subserviência do seu legado. 
Ninguém, pelo menos que os estudos me garantam, é feliz no casamento, a não ser que estejam juntos a pouco tempo ou um deles se curve diante daquele que bate no peito dizendo que é a exceção da regra. 
Por isso alguns homens são trocados por quem não possui nem um terço das suas qualidades. O mesmo acontece com a mulher. Tem homem que escolhe a melhor do mundo com quem se casa e depois de alguns meses corre às ruas em busca de quem o satisfaça na cama, mesmo que em casa ele tenha o que de melhor e mais belo exista no planeta. Na hora de acusar aqueles que achamos que estão errados nos esquecemos da arapuca que a natureza nos tem metido ou as desculpas para esse tipo de erro não seriam necessárias. Eu adoraria ser a exceção da regra, mas para isso seria preciso encontrar uma exceção tão grande que coubessem os meus parentes e os melhores dos meus amigos.