terça-feira, 20 de junho de 2017

COISA DE CRIANÇA...

   

   Na umidade entre as pernas da mocinha achava que tinha a mão, a boca, o órgão  despretensioso do menino, e tudo graças a generosidade do lençol que permitia aos olhos gulosos do rapazinho, vasculhar os dois mais lindos montes daquela paisagem.  De sua boca, fortuitos lábios de um sonhador em crescimento roubam beijos de gente grande para depois sumir no anonimato de suas remotas lembranças. Foi  diferente, estranho, surpreendente. Foi como um sonho, uma droga, para deixá-la naquele estado.  Um pesadelo talvez, mas quem nos garante que a causa tivesse mais importância do que o efeito nela provocado? Não continuassem os espasmos a contorcer-lhe o corpo tal qual uma serpente à beira da morte se contorce e eu garantiria que os múltiplos espasmos – ou seriam orgasmos?, estariam vibrantes como os sinos em dia de missa.  Sonho ou pesadelo, verdade ou fantasia? Não importa se promessas não são negadas ou quebradas. Se desejos proibidos, pecado capital, incesto de mãe desejosa de  filho amado, é verdade.  Enfim, nada de concreto teria acontecido de maneira que a lembrança não pudesse esquecer, desde que, assim o pretendesse. Eis que,  ao som do alarme de um celular a mocinha salta do leito deixando ao vento um par de pernas nuas e os seios pontiagudos mirando a cara espantada de quem, envergonhado, a desejava, enquanto ela dormia.

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