sábado, 6 de maio de 2017

VISITA AO INFERNO.

    Não tinha um dia que a sogra não fosse várias vezes à sua casa. A qualquer momento, até cansada de uma longa viagem, ela ia perturbar a paz dos que sem a velhota iam melhor. As visitas constantes perturbavam o pobre do genro que para não ouvir os queixumes da esposa acabava engolindo os sapos de sempre. Quando alguém os visitava era a sogra quem dava as caras. Segredos não eram trocados naquelas dependências porque de orelha em pé a pessoa aparecia na maior cara de pau. Se alguém quisesse se esconder daquela criatura bastava ir a sua casa, lugar onde pouco ficava. Longos anos de angústia e sofrimento o rapaz passou com a presença indesejável que até de namorar a própria esposa da maneira que pretendia era impossível. A intimidade do casal era de certa maneira interrompida por quem batia na porta querendo falar sobre coisas que nem a ela interessava. Em um dos sábados quando se preparava para sentar-se à mesa com a família para o almoço, o capeta, em forma de mulher, apareceu. Felizmente foi vista antes de concluir o primeiro lance de escada. 
- A gente está almoçando, disse o genro fechando a cara. Quando terminarmos eu te chamo, completou sem olhar para baixo. A velha fingindo não ter ouvido continuou subindo até que foi impedida de fazer o que pretendia.
- Eu já falei que estamos almoçando e tão logo terminemos eu te chamo. Grunhiu enfurecido. Aí fechou o tempo. A velha começou a gritar e chorando dizia que a filha era dela. Que a neta era dela e que a casa  onde a gente morava também era dela. O genro que não queria que a família soubesse que estava acontecendo fez tudo para abafar o caso.  Disse saber que  não era dono de nada, mas que isso não vinha ao caso, mas que ela os deixasse almoçar em paz jurando chamá-la quando terminassem. Nesse momento a mulher e a filha, tomaram partido da coisa. Largaram seus pratos e foram abraçar a velha que chorosa se viu carregada para dentro, como ela queria, onde abraçadas choraram a "injustiça" do rapaz. Mais tarde a esposa, educada e compreensiva, entendeu os motivos da briga, só lamentou que fosse com a sua mãe, enquanto a filha, por quem daria a vida, há 15 dias não olhar para a sua cara. Enquanto a sogra não escancarou as portas do inferno não se deu por feliz. Isso nos garante que o diabo existe e o genro garante que mora na casa ao lado. Durante o tempo que a filha não fala com ele o diabo continua fazendo a ronda. Pelo visto a perturbação voltará a ser como antes, só a mocinha continuará fugindo do pai como o diabo apavorado foge da cruz.