terça-feira, 2 de maio de 2017

A FÉ NÃO COSTUMA FAIÁ.

  

   Eu costumo dizer que médico não tem, necessariamente, que examinar o paciente tocando no corpo dele, sorrindo de suas histórias ou conversando como se ninguém mais o aguardassem na sala de espera. Médico, como eu vinha dizendo, não está ali para agradá-lo, mas para melhorar o seu sofrimento ou, se possível, curá-lo da enfermidade.  Não adianta tratar o doente como se fosse seu amigo e deixá-lo do mesmo jeito que chegou, mas, se o profissional tiver como amenizar o sofrimento de quem busca os seus serviços e ainda por cima for atencioso e gentil, palmas para ele.  Por outro lado o paciente precisa ter fé em quem vai examiná-lo.  Ter fé nos que o cercam em seu leito e ter fé, principalmente no criador, porque, quando o doente acredita em Deus e nos profissionais a sua volta ele encontra conforto à uma possível melhora ou à hora derradeira.  Havemos de acreditar em quem cuida da gente,  em quem torce por nós e principalmente naquele que, sendo noite ou sendo dia, faça sol ou faça chuva, nos tem sob o seu manto sagrado.  Com fé o doente melhora se o médico não acertar com a medicação. Melhora com a enfermeira tomando o seu pulso, com o zelador nos pés da cama escondendo uma lágrima e até contraria o tempo de vida anotado no prontuário aos pés da cama. E quando tudo passar. Quando o sol apontar os últimos raios dourados do outro lado do mar e a dor der um basta ao sofrimento, mesmo assim o senhor haverá de estar por perto para fechar, pela última vez, os olhos do seu filho.