quarta-feira, 29 de março de 2017

HOJE É SEXTA-FEIRA.


     Essa madrugada foi de arrepiar com um louco esmurrando à minha porta - eu tinha acabado de chegar do bar onde nas sextas-feiras tomo um chope com os amigos. Normalmente eu volto de carona, mas desta vez fui obrigado a sair às escondidas tal era o meu cansaço. O dia tinha sido puxado, por isso a indelicadeza do meu gesto. Assim que cheguei à casa fui direto paro o banheiro.  Tomei um banho quente e me atirei na cama na intenção de levantar para almoçar caso alguém me convidasse. O primeiro pontapé na minha porta eu o senti como se fosse na minha bunda. Dei um salto, gritei quatro palavrões e entes que eu perguntasse o nome do meliante uma voz de mulher ou de criança voltou a chamar meu nome. Assim que a senhora adentrou o pedaço arrisquei uma olhada para o lado de fora na garantia dela estar sozinha. Certo disso perguntei o que queria e foi aí que eu me dei conta que estava nu como é do meu costume quando vou dormir. Pedindo esculpas eu puxei a toalha da mesa e cobri o que pude das minhas vergonhas. 
- Você pode me dar um copo d'água? - Pediu-me fingindo não ter visto o que esteve diante dos seus olhos. - Claro que sim. Vá à cozinha e sirva-se enquanto eu me visto.
Assim que saiu da minha frente foi que eu pude perceber a bela mulher que ela era. 40 anos, bem calçada e bem vestida, mas não tinha nada nas mãos, nem mesmo uma carteira onde guardasse os documentos. Será que tinha deixado com alguém que esperava por ela lá fora? E se não for isso o que essa mulher poderia querer de um cara como eu? - Resmunguei comigo mesmo. Esperei uns cinco minutos e nada da mulher voltar da cozinha, por isso decidi por procurá-la. A porta do banheiro, por estar encostada, me deixou perceber que usava o meu sabonete e a duchinha higiênica. Meu Deus, o que essa garota estaria pretendendo na minha casa àquela hora? 
Mais cinco minutos e ela voltou mais bonita. Cabelos penteados, lábios pintados e a maquiagem retocada. Fora o que ela tinha lavado e eu não sabia o que era. O vestido havia encurtado como se ela o tivesse enrolado na altura da cintura.  O decote agora deixava transparecer a curvatura dos seios, o que antes não se podia perceber. Tentei apagar os maus pensamentos que me vinham através dos meus olhos quando ela me pediu para dormir na minha casa aquele resto de noite. 
- Eu só quero um lugar seguro onde eu possa descansar um pouco. Amanhã quando você acordar eu já terei ido embora. - Disse-me com voz de menina.
- Aqui? Sozinha comigo? Você nem me conhece, garota. E eu muito menos conheço você. - Falei surpreso com o que ela teria dito.
Acordei com o celular vibrando e nele a mensagem de um amigo do Espirito Santo me dizendo que estava a caminho para almoçar comigo. Olhei para o lado e vi, com os olhos que a terra há de comer, a mesma mulher que antes esmurrou a minha porta completamente nua na minha cama com uma das coxas sobre a minha barriga me prendendo embaixo dela. Deixei o celular onde estava e voltei a dormir.
Não almocei com ninguém naquele dia, mas jantamos nós quatro. Eu, a mulher que esmurra porta e o casal de amigos para quem nada contei.