quarta-feira, 15 de março de 2017

BILLY ERA O SEU NOME.

   Enquanto os amigos vestiam jaqueta de couro, calça jeans apertada, botinha sem meia e sempre que possível, levava um violão com eles, o cara a quem presto as minhas homenagens não estava nem aí para os que imitavam os artistas ou quisessem se parecer com James Dean, Elvis Presley e outros astros de sua época.

Billy Eckstine, mulato magro, voz grave e doce, no entanto, apresentava-se com fiel desenvoltura nos palcos do jazz das cidades americanas. Este cantor acabou por virar a cabeça do meu homenageado, não como um mocinho das telas de cinema ou galã na vida real, mas por saber que qualquer astro ou músico adorava dividir o palco com ele, e isto chamou a atenção do jovem a quem me refiro que por sua vez, não negava dublar os artistas do rock nas pequenas rádios do Rio. Billy Eckstine, no entanto, despertou de tal forma a atenção do rapaz que o jovem rapaz acabou trocando o seu nome pelo do jazzista.
Hoje, muitos e muitos anos depois, eu tenho a doce lembrança daquele tempo. Não que eu o tivesse vivido, mas por ter tomado conhecimento da façanha como os adolescentes a atravessaram. Época em que Billy Eckstine cantava para o povo de todo o mundo, inclusive para um jovem loirinho que, inspirado por sua melodia, até seu nome o rapaz foi capaz de trocar.