sábado, 4 de fevereiro de 2017

SABOR DE VERDADE.

    Na umidade dentre as pernas a mão, a boca, o órgão despretensioso do menino de primeira vez. No decote um par de olhos, gulosos, escalando os montes protegidos nas brancas rendas, e na boca descuidada, fortuitos lábios roubam dos dela beijos de gente grande para depois sumirem no anonimato de suas lembranças. Foi um momento diferente, estranho, divino. Talvez não passasse de um sonho ou alucinógeno nela injetado para estirá-la na letargia. Um pesadelo talvez, mas quem nos garante que a causa tivesse mais importância do que o efeito nela produzido? Não continuassem, os espasmos, contorcendo seu corpo tal qual a serpente ferida de morte, e eu garantiria que os múltiplos espasmos – ou seriam orgasmos?, ainda vibrasse como os sinos em dia de missa. Sonho ou pesadelo, verdade ou fantasia? Não importa se promessas não foram negadas ou quebradas. Se desejos proibidos, pecado capital, incesto de mãe amorosa com filho querido, não aconteceram na realidade. Enfim, nada de concreto teria acontecido de maneira que a lembrança não pudesse esquecer, desde que se quisesse esquecer um momento inusitado como tal. Eis que, ao som do alarme de um celular a mocinha salta do leito deixando ao vento um par de pernas nuas e os seios pontiagudos mirando a cara espantada de quem, sem notar, ainda sente o sabor do beijo que deu. Ou recebeu?