quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

QUANDO NÃO TENHO ASSUNTO.

    As minhas histórias, assim como as suas e as de quem tem autoestima elevada ou simplesmente se respeita do jeito que é, têm conotação especial, tal qual a que damos às fotos antes de publicá-las. A gente fala dos filhos sem regatear nos adjetivos.  Fala dos livros que lemos como se fossem best sellers, quando na verdade não passam de regulares ou  nem da capa na estante da livraria nos lembramos. Assim como o nosso carro também não é velho, é seminovo.  A gente não pertence a terceira idade, mas sim, a idade da sabedoria.  Tudo o que é nosso é bonito, bom e nos custou os olhos da cara, mesmo que o tivéssemos ganhado por caridade. Assim tem acontecido comigo.  Quando não tenho assunto, mas resolvo tirar alguns minutos para desenferrujar o teclado, desando a falar de qualquer coisa, inclusive da minha família, da nossa cadelinha Babi e do lugar onde resido, mas em momento nenhum eu reclamo da minha saúde, até porque não vou dar esse mole para os meus inimigos. Também não digo que Babi late sem que tenha motivo, assim como não aponto ninguém lá de casa por não dar a atenção que os meus amigos merecem. Definitivamente não falo sobre coisa ruim. Talvez porque nem tudo que eu diga mereça crédito ou seja relevante, até porque eu não teria peito de arranhar a imagem da cadelinha que amo, das pessoas que convivem comigo, dos políticos que eu elegi e dos amigões que me visitam de vez em quando. Se eu tenho alguma coisa para contar não será sobre o que não presta ou sobre o partido que nos aperta o cinto e muito menos sobre o político que, como diz à boca pequena, insiste em comer o dinheiro do povo.  Se eu tiver que falar ou escrever sobre alguma coisa será sobre as minhas verdades e caso eu não as tenha eu as invento, crio, só para dizer ao mundo que eu sou o melhor dos caras que conheço, o mais inteligente do meu grupo, o mais bonito dos homens de meia-idade e também, um mentiroso contumaz.