segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

ERA O QUE ENCHIA OS OLHOS DELA...

      O primeiro encontro fui uma negação. O cara tinha a cara que agradava a ela, mas o resto não passava de um blefe. Nada aconteceu como ele havia prometido. Muitos amassos, vários beijos, olho no olho e palavras sem sentido. Tudo o que ela precisava no momento, mas o essencial tardou e não chegou. Transaram como as virgens transam enquanto ele, com a voracidade própria dos animais, atirou-se sedento à fonte enquanto ela morria com a boca seca. Não queria um cara grosso na maneira de tratar, mas na cama não queria alguém que lhe desse colo, já que em casa colo era o que não faltava. Ela queria mais, queria o que as outras não tinham por medo ou covardia, talvez por receio de pedir.  Nada de papai e mamãe ou coisa parecida. Ela queria mais, como eu havia dito. Queria um macho que lhe rasgasse as roupas, chupasse os seus mamilos e que a possuísse de todas as maneiras, principalmente da maneira mais vulgar como quando lhe vão às costas, agarram os seus cabelos e a levam, pervertidamente, às raias da loucura. Namorar a moça pouco ou nada namorou, uma vez que pretendia se entregar, não a qualquer um que a cobiçasse, mas à alguém forte o suficiente para torná-la a maior das vagabundas, desde que o segredo fosse combinado. Desde mocinha esse era o seu desejo, mas o medo de ser chamada de piranha, de devassa ou prostituta, tirava-lhe a coragem de propor ao possível parceiro esse desejo. Finalmente deu um pé no rabo do preconceito e se jogou nos braços da felicidade. 
- Abaixo a ditadura machista! Abaixo a igreja e a criação que tinha, pois a partir daquele instante a jaula da loba estará aberta a todo e qualquer tipo de sorte!, gritou com seus botões. Mandou o tabu, a igreja e a inveja das amigas às favas e deu para o primeiro cafajeste que demonstrou gostar do que ela e as amigas tanto desejam, mesmo que neguem.
A lua ia alta num céu escuro arroxeado  num descampado onde tudo aconteceu. Em suas costas o calor de um peito largo e poderoso. Nos seus cabelos a mão que a dominava. Na cintura um braço musculoso a serpenteava e no centro, bem no centro do que ela guardava como seu bem mais precioso para oferecer, um cajado pulsante que desbrava, entorpece, domina. 
O sol fazia tempo varria as folhas caídas ao redor, mas não se atrevia bulir com quem tinha nos lábios a doçura do sonho realizado.