segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

GAROTO DE FERRO

      
  Quando Russo era menino vivia provocando os próprio orgasmos às escondidas. Como faz a maioria das crianças.  Dezoito era a média diária dos 13 aos 25 anos.  Tudo o estimulava, desde as pernas mal cruzadas, por distração de uma menina às transparências que a claridade provocava nos vestidos das que passavam. Mulher, conheceu muito cedo, mas quando mais as tinha, mais as queria ter. Magricela, talvez por seus excessos, Russinho, mesmo assim era feliz. Até os 60 anos conservou o mesmo corpo e aos 75 ainda era viril.  Negar fogo, dizia nunca ter negado, e se alguém fugia às possibilidades do acasalamento era a companheira enquanto ele, sorrindo com a arma em riste, escutava as desculpas da oponente.  Um dos seus filhos era magro como o pai, enquanto o mais novo tinha carinha de bolacha e peitinhos de menina.  Os amiguinhos do seu filho viviam a sacaneá-lo, mas ele não estava nem aí para o que diziam.  Certa vez o irmão da mãe do pequeno, que já tinha 14 anos, pediu-lhe que parasse de se masturbar, já que, segundo o tio, masturbação criava peito nos meninos.  Russo, o pai do adolescente, entretanto, interviu a favor do filho e, pondo um braço sobre os ombros do garoto, disse alto e bom som que ninguém tinha se masturbado mais do que ele durante a juventude e nem por isso engordou, criou bunda ou peito de mulher.  O tio, meio envergonhado, recolheu-se a sua santa ignorância e com o seu “vasto conhecimento” quanto ao que a masturbação pudesse provocar numa criança,  partiu porta afora para nunca mais voltar.  Voltar a falar do que sabe e do que conhece, já que, a meu ver, nada além do próprio nome o sujeito acha que conhece.