quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

DE PAPO PRO AR.

      
    Desci a rua da ladeira de onde eu moro para ir à feira. Pretendia comprar verduras, frutas e legumes, mas com aquela lua cozinhando minha moleira, metade do prazer que eu tinha foi-se da minha companhia. Comer direito, no entanto, sempre foi o meu desejo, mas essa preguiça exacerbando a minha paciência não era coisa de Deus, muito menos do ano que se arrastava para compor o calendário. Um quilo de banana, um de laranja, meio de tomates, duas cenouras cor de cenoura, uma beterraba, um pé de alface enfolharado e pronto, estava garantido o almoço do final de semana. Agora era voltar para a casa e descansar o resto da tarde, mas só de  pensar que os meus pés doeram na descida da ladeira da minha rua, imagina subi-la com bolsas e sacolas, sem contar com o calor que nos racha aqui na serra.  Ah, não quero nem pensar em coisas desse tipo.  O importante é voltar à casa, fazer a comida, arrumar o prato do jeito que mamãe fazia, encher o bucho e me apachorrar sobre os lençóis brancos da minha cama. Dormir depois do almoço não é um hobby meu, mas quem resiste a uma boa cochilada depois do almoço se até o vento para de bolinar as folhas nesses momentos?  A sesta refaz o sono da noite mal dormida, melhora a digestão e devolve o brilho que os jovens têm na pele e disso ninguém pensou em reclamar.  Agora eu, que há muito já não sou  criança, tirando essa onda no alto onde tenho morado esses últimos anos, só posso agradecer a quem me proporcionou tal possibilidade.  Cochilar com a barriga cheia num lugar arejado, limpo e de certa forma gostoso, como é a casa da gente, não tem preço, mas se tivesse eu pagaria com o maior prazer, já que não estou num leito de hospital, feliz da vida, por saber que das três às cinco meus amigos vêm me visitar. Feliz Ano Novo, gente. E lembre-se que a saúde, os amigos e a nossa casa são o melhor presente que se pode receber.