quinta-feira, 31 de março de 2016

JAMAIS SE ENTREGUE...

   Esfregues os olhos, curta a natureza como se entendesses seus mistérios.  Sorrias,  ofereças um abraço, demonstres estar em paz com a vida e com o que nela existe.  Faças pergunta, puxes assunto, e se não tiveres a quem dirigir a palavra fales com o primeiro animal que cruzar o teu caminho porque, se ele não te entender ninguém jamais te entenderá.  Fales com as plantas ou sozinho sobre o que os  teus olhos veem.  Dês bom-dia ao dia antes que escureça para depois te empertigares com a passagem das estrelas Tentes lembrar o nome de alguém que um dia  te pediu ajuda, mas que, por falta de tempo ou por ingenuidade, tu não o atendestes. Tentas te lembrar do dia, que não foram poucos, tu chorastes e das poucas vezes que sorristes. Faças um exame de consciência e vês se te lembras de um momento, no passado quando alguém, mesmo sem se dar conta do que fazia, te tirou do marasmo, do ócio, quem sabe, do vício.  E se o fez foi sem outra intenção senão a de oferecer a ti um trabalho, um abrigo, e depois de ter te dado a mão,  também te ofereceu mais um abraço, mais um sorriso e o nome do qual tu tanto te orgulhas.  Portanto, meu caro, rias das piadas que te contarem, rias dos motivos que a vida te deu para chorar e dos que tu não percebestes que eram tão engraçados. Não te escondas, nem mesmo quando o medo te pregar uma peça. Enfrentas os teus fantasmas e chores se não der para segurar, já que o choro tem nas lágrimas o poder do acalanto.  Eu sei que o pranto que te incha teus  olhos e umedece tua face é o mesmo que põe dúvida naquele que te vê chorando.  Vivas a vida da forma que quiseres, souberes e puderes.  Dances a língua em torno da taça. Lambas os próprios lábios adormecidos pelo sabor gelado do creme da fruta madura, e, antes que a língua perca a sensibilidade junto a essa guloseima, lambas as gotas da borda ou as perderás para o vento.  Na dúvida de saberes do que eu trato, lambas de vagar a vida, pelo meio, pelas beiradas, por cima e por baixo, mas se, nem com isso te deres conta do que eu trato, deites a cabeça no próprio ombro e te refastele nas sobras escoadas para o fundo da casquinha que certamente te propiciarão o melhor bocado.  
Sintas, pois, o frescor das manhãs com os cabelos ao prazer da língua do vento, vivas  sem pressa, lambas as sobras adocicadas das madrugadas, já que o tempo com sua voracidade provoca tontura girando como gira o mundo. Tires folga por um dia ou por duas, três vezes por semana. Pegue os velhos e os meninos e vás à praia, corras na areia ou subas à serra para orvalhar tua alma.  Só não te deixes ficar aonde o individualismo for lei, a indiferença for a ordem do dia e o preconceito, na tua alma, construir  sua morada.

sábado, 26 de março de 2016

SOMOS NÓS OS RESPONSÁVEIS?

     Na mesma hora que condeno os políticos que do povo roubam o pão e a esperança eu enalteço os professores que, muitas vezes, pagam do próprio bolso a merenda que o governo sonega aos desnutridos alunos da rede pública de ensino, como também dão a eles os cadernos que os pais desempregados não têm como comprar.  E o fazem sem revolta, mágoa ou rancor.  O país não vai bem desde há séculos. Quando o povo tem emprego, o real não vale nada. Quando o real vale alguma coisa a exportação desvaloriza o produto. Parece que falta peça nesse quebra-cabeça. Os brasileiros fizeram das tripas coração para se tornar autossuficiente na exploração do petróleo e quando o temos em alta escala o produto já não vale nada ou quase nada e tudo pela excesso de oferta e também pela recusa dos países da OPEP que se recusam reduzir o teto de produção independe do preço no mercado internacional.
   Hoje não temos emprego, não temos saúde, não temos dinheiro e muito menos paciência para esperar que o tempo resolva os problemas criados pelos irresponsáveis que não foram para onde estão com suas próprias pernas, já que nós os levamos em nossos braços. Portanto, nem reclamar do mal feito a gente pode, e se pudesse, eu acho que não devería.

terça-feira, 22 de março de 2016

NADA É TÃO RUIM QUE NÃO POSSA PIORAR.

    Na semana passada eu vi o povo, de muitos estados, bater panela pelas ruas da cidade. Hoje, novamente, me deparo com um quadro parecido,  mas desta vez já não é o que torce por mudanças como dias atrás, mas para que permaneçam as coisas  do jeito que estão, talvez por achar que sairia mais barato ou que os privilégios, que acha que tem, não fossem tirados dele. No Rio de Janeiro o número de pessoas não tinha a metade do anterior e em São Paulo só uma parte da Av. Paulista tinha gente gritando palavras de ordem. Antes eram os desempregados marchando em prol de um País mais justo, melhor, e que inspirasse confiança em quem nele investe. Um país que tivesse para cada família um teto de acordo com o número de filhos. Um pais que tivesse trabalho para os que não se cansam com o que fazem e que dele possam tirar o seu sustento.  Hoje, no entanto, quem toma as cidades, as praças e as ruas são os que acham que não se deve mexer em nada, porque como está, tá bom, mas  se piorar, quem sabe não fica melhor?  Vendo esse quadro eu, que vivi a minha vida inteira caminhando por uma estrada que tem como margem direita o bem e a ordem, e pelo esquerdo, a falcatrua, a roubalheira, a mentira e a falta de Deus, sou obrigado a depositar minhas armas, a levantar sobre a minha cabeça os meus braços, com os quais ajudei a erguer a pátria que tanto amo e deixar que a minoria faça de mim e dos meus iguais aquilo que desejam.  Infelizmente eu sou honesto suficiente para não aceitar este tipo de jogo, mas não sou tão insensível que não possa perceber que mais uma vez o Brasil está sendo tirado da gente. A primeira em 1.500, quando nos entregaram para plantá-lo e agora, quando é chegado o momento da colheita.

quinta-feira, 17 de março de 2016

UMA COISA LEVA À OUTRA.

     
        Assim como os políticos honrados desfiliam-se dos partidos ao descobrirem que a legenda já não serve mais para o país, também os aproveitadores, mesmo contra vontade, também o fazem na esperança de confundir o eleitorado, coitado, nem sempre bem informado.  Abandonar o navio à própria sorte nos dá a certeza da sobrevivência, enquanto os ratos, só o abandonam quando acham que nada mais há para ser comido.  O Brasil talvez esteja fazendo água, mas quem sabe não a usemos para lavar as partes sujas que deixaram na embarcação, mas, se Deus quiser, vazará por pouco tempo. Em breve este mesmo navio apontará no horizonte sem mácula, com nova tripulação para nos salvar.    
         Um dia eu vi um faxineiro recebendo propina para ficar calado com a qual pagou seu chefe que por sua vez precisava do dinheiro para subornar o seu superior que tinha uma dívida com o sub gerente que morria de medo de não poder pagar a divida que fez com o gerente por ele ficar calado, e assim aquele dinheiro correu a firma que por sua vez o levou a outra que deu continuidade ao processo por ter assumido uma dívida que tentava pagar aos poucos com uma terceira que também tinha o rabo preso com quem jamais abriu o bico por medo de perder o que não era seu.

sábado, 12 de março de 2016

O MAR DO LEBLON

           A vista que o Mirante do Leblon  me permite ter da 
praia é algo inenarrável, como diz  Luciano Hulk aos sábados, no Caldeirão. Assim que você começa a subir a Niemeyer, um pouco acima do Sheraton Hotel, se consegue ter da praia a melhor imagem que nenhuma outra tem para nos mostrar.  Nessas horas é que a gente sente a beleza do Rio enfeitiçar a alma e o sorriso dos cariocas e também dos que se atrevem por suas bandas. Muitas vezes, por estar em horário de serviço,  precisei me segurar para não dar um mergulho naquelas águas que de tão azuis me lembram os olhos de Maria. É quando eu opto por uma água de coco no deque do quiosque na subida da Niemeyer onde as garotas, do corpo dourado pelo sol, jogam futevôlei com os garanhões do pedaço.
Gente, como é bonita a vista daqui de cima!
Juro que jamais tinha visto um céu tão azul e areias tão brancas em parte nenhuma por onde eu tenha andado, e olha que esses meus pés já caminharam, tanto ou mais que os reis magos o fizeram para ver Jesus.   

Este é o nosso Rio, a nossa cidade.  Lugar onde nascem, crescem e vão à praia as mulheres mais deslumbrantes dessa terra. 

quarta-feira, 9 de março de 2016

MEUS FILMES NA TV.

Eu juro que estava quieto no meu canto quando essa bela alma me apareceu. 
Em outros tempos eu desabalaria na direção contrária, mas hoje, que sou burro velho, já não fujo mais, ou não sentiria a vida através do lado mais nítido do prisma. É graças a essas e a outras descoberta que tenho o privilégio de ver ao meu lado a mais doce e singela figura com quem divido a poltrona para as sessões na Netflix. E assim a gente tem comido alguns quilos de pipoca e esvaziado as garrafas de guaraná que empilhamos lá fora.
Grey's Anatomy, Demolidor, The Walking Dead, Sherlock, How To Get Away With Murder,  Friends e Teen Wolf. Essas são as séries com as quais a gente vara as noites e as madrugadas comendo pipoca nos intervalos entre um beijo e  outro e quando o clima esquenta para além da nossa resistência a gente arranja uma pausa e corre para a cama onde se tem escrito cada capítulo do nosso próprio seriado. 
Portanto, galera, vamos para a cama!
 Vá com seu par, não me importa se você vai com homem ou com mulher se o que importa de verdade é a continuação dos capítulo que a gente segue na TV.

domingo, 6 de março de 2016

A SEGUNDA MÃE.

A criança nasce, cresce, namora e se casa. Tem uma filha que namora um rapaz e 
mais tarde se casa com ele, mas, para que o gajo fosse aceito na família precisaria abrir mão do que ele mais  gostava e do que mais detestava em detrimento de uma certa felicidade.  Um dia essa criança, nascida  no princípio dessa história, se tornou sogra desse incauto rapaz e como desgraça pouca é bobagem a velha fez um bolo para comemorar mais um ano de vida e consequentemente menos um na vida dele. O jovem que já não é mais tão jovem assim não tinha escolha. Está certo que ele gostaria de poder mandar uma mensagem de felicidades à mãe de sua mulher se ela tivesse viajado para lugar distante e não sabido no dia em que ele se casou, mas, coitado, para agradar a sua mulher o infeliz  estará, agora, bem junto da mesa torcendo para que a chuva de perdigoto apague as velhinhas na primeira passagem ou um pedaço de bolo babado a ele lhe será oferecido.  
Está certo que entre a tristeza de ser lembrado com um pedaço de bolo cuspido e a alegria de ouvir o padre rezar u'a missa na intenção de  sua alma, ele, em nome da mulher e dos seus filhos, prefere o sabor do bolo que, certamente, jamais conhecerá.

terça-feira, 1 de março de 2016

OLHA O VERÃO AÍ, GENTE!

    Os primeiros raios de sol do verão batem na janela do meu quarto como se pedisse para entrar. Eu me levanto e abro as cortinas dando aos visitantes o meu abraço de bom-dia. O quarto parece uma festa com a claridade despertando as lembranças esquecidas. Uma ducha fria para acordar a gente, café sem leite, pão com manteiga engolido de repente e lá vamos nós. Barraca no sovaco, protetor solar na bolsa de palha, esteira e canga para forrar a areia e deixar colorir os corpos torneados da mulherada. Prancha, muitas, dentro e fora d'água.   Ondas fortes quebrando na pedra espumando por sobre os que queima na areia. Criança correndo, mulheres empinando o que fica melhor empinado. Um ramo de palma branca beijada e devolvida ao fiel que à Iemanjá, rainha do mar tinha ofertado. Mate gelado espumante,  com ou sem limão. Sanduíche natural, misto de queijo com carne ou queijo com frango em papel prateado para proteção - apregoa o ambulante vendedor. Ondas regurgitam da prancha o navegador que sem tirar os olhos do mundo d'água que vê pela frente, rema em sua direção. Louras e morenas da pele bronzeada, perfumada, do corpo torneado como obra de escultor. Muito seio em pouco peito. Pouca polpa em muita bunda. Muitos olhos secando a flor que estufa a peça estreita na parte da frente um pouco  abaixo do umbigo.
De fevereiro a janeiro, de dezembro a novembro é sol o dia inteiro. Este é o verão do Rio, instante em que o pobre com o rico se confunde e operário na areia parece turista.