sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

NEM MUITO NOVO E NEM VELHO DE MAIS.

 
      Tinha o marido de uma das duas moças 40 anos mais ou menos, enquanto ela, a esposa,  outros 40, para ser preciso. Já o parceiro da outra completaria 58 naqueles dias  ao passo que sua jovem esposa tinha os 27 completados. A quarentona vinha de outro relacionamento, mas como não há bem que sempre dure e muito menos mal que perpetue, acabou acabando. Agora tinha mais liberdade do que nos tempos de porta-bandeira da Imperatriz quando era aplaudida e cobiçada por sua beleza e desenvoltura. Já seu atual marido, titular de um conceituado time de peladas do bairro, não tinha porque voltar à casa ao largar do trabalho se sua mulher, ao fechar o salão em que trabalhava, preferia as amigas ao silêncio da moradia.  Até porque, o marido não deixaria de discutir a estratégia do próximo jogo por conta de sua adorável mulher. Antes do casamento o sexo entre eles era um charme, um meio de demonstrar poder e força, mas agora é cada um no seu quadrado. Ele por saber que a mulher não se encontra em casa, troca o dia pela madrugada e com os amigos estica as noites até onde acha que pode, com ou sem futebol. O homem do segundo grupo não tinha ambições que não fosse estar com a parceira, enquanto ela, habilidosa, o levava agregado ao peito numa coleira a fazer o que lhe desse na telha. Sexo era um caso à parte. No princípio exalado por todos os cantos; no banheiro ao transar sobre a pia; na sala sobre o sofá ou no quarto, quando algumas vezes a mulher se deixava acariciar com uma pena de pavão que o companheiro, vagarosamente, passava ao longo do corpo amarrado pelos pulsos e pelos tornozelos com uma faixa de velcro preso a cabeceira e aos pés da cama em posição de X. O prazer que aquilo lhes proporcionava era arrebatador e muitas vezes bastante barulhento.   Todos os dias o casal inventava uma maneira nova de ter prazer, mas na ausência de novas ideias um papai e mamãe já estava de bom tamanho. Hoje, por incrível que pareça, o casal dá uma por mês. Já o outro, sem obrigação de sexo entre os dois, vive num mar de rosas.  Não fosse a rachadura nos calcanhares, que muitas vezes o tiraram de uma partida, a vida daquele homem seria de dar inveja. Certa vez, nem eram duas da tarde de um dia de semana, a mulher deu com o Esqueleto (Apelido que o marido recebera dos amigos por sua semelhança com o algoz do namorado de Shi-Ra, heroína de desenhos infantis), dormindo como veio ao mundo na cama dela; peladão, peladão.  Um metro e noventa de crioulo atravessado na cama e não fosse uma das enteadas, na época com 16 anos, ter recolhido a roupa que a pessoa espalhou pela casa e nele vestido uma cueca e a mulher teria remoído as lembranças do antigo casamento. Se tinha uma coisa que a mãe não tolerava e os filhos sabiam, era roupa largada por cima das coisas.
Mesmo assim eles vivem em um mar que há tempos já foi de flores.  Hoje o sujeito se veste e se perfuma como se fosse demarcar território longe de casa e ninguém o critica, até porque a mulher já o fez e ouviu dele poucas e boas. Até de bater na cara o elemento ameaçou. E, para não dizer que falei de rosas e esqueci-me das flores, o sujeito cativou muito bem os enteados, mas à mocinha cativou muito mais e o fez de certa maneira que dava a impressão de ser a filha e não a mãe a sua mulher, tal o cuidado e o carinho com que trata e é tratada pelo convidado, agora dono da casa.