segunda-feira, 14 de novembro de 2016

NO ESCURINHO...

                              

      Eu queria muito ver o filme de Giuseppe Tornatore; cinema paradiso, mas não iria se não fosse acompanhado de uma pessoa que me passasse a impressão de estarmos apaixonados. Assim foi com quem me cedeu parte da sua vida dividindo comigo o teto onde moramos. Num dia previamente combinado lá fomos nós rumo ao cinema no shopping de nossa cidade. Escolhemos duas poltronas na fileira do meio de onde se podia ver melhor a tela. Enquanto esperava a gente comia pipoca, olhava os casais se aconchegando e o apagar das luzes que parecia demorar mais do que o habitual. A pipoca ainda estalava nos dentes do pessoal a nossas costas quando a tela se iluminou.  Era a propaganda dos patrocinadores e por fim, Josh Groban, como as águas mansas de um lago em noite enluarada, me embalou o corpo e a alma com sua bela e tocante melodia. O ruído característico da máquina desenrolando a fita na cabine do operador era um motivo único a me levar creditar que eu assistia um filme projetado numa tela simplesmente, e não uma graça, ou uma obra do criador. Era o que eu, de verdade, gostaria de acreditar mesmo diante daquela belezura de cenário e o sabor doce e gostosa da trilha que tanto me encantava. Até os mais duros dos machões ali presente tentariam esconder a teimosa lágrima que certamente riscaria as suas faces na escuridão da sala. Acontece que choramos todos ou quase todos ali sentados.  A gente fica desse tamanho, oh! Diante a imagem daquele menino que, apaixonado pelo cinema, transcendia a outra dimensão. Foi apaixonante. Foi divino. Foi um presente com o qual Giuseppe Tornatore e Josh Groban nos presentearam naquele dia.