sábado, 26 de novembro de 2016

JOGO PERDIDO.

     Ela tinha certeza que homem daquele tipo seria a metade da sua laranja.  A postura, o porte atlético desse tipo de gente nada mais é que o resumo da ópera somado a virilidade natural naquela idade, e sua vida, talvez, não fizesse sentido se não buscasse por essas lembranças.   Ela dizia que continuava solteira porque nasceu para amar, respeitar e pertencer a um homem apenas e que o tipo descrito acima seria o sujeito oculto de sua oração. A moça também deixou entender que não sonhava se casar com uma pessoa igual a ele, pois bastaria saber que ele existia para que a chama da esperança permanecesse acesa em seu peito, e no entanto, não só esse cara existia como se tornou peça crucial no tabuleiro do seu jogo.  Esse cara que cortava caminho através dos seus sonhos estava ali na sua frente e logo faria parte da sua vida. A princípio ela não sabia que poderia encontrá-lo, mas sabia que se acontecesse jamais seria notada e muito menos saberia dos desejos dela. O destino, safado, sempre nos armando uma esparrela e foi numa das melhores festas que já tinha ido que vivenciou o maior de todos os milagres.  Uma pessoa, que mais tarde ficou sabendo ser amiga de suas amigas, trouxe até a sua presença alguém que tinha mais de príncipe do que de real.  Mal sabia ela que dias depois ele se tornaria um divisor de águas em sua vida.  No momento em que se viram sozinhos imperou a inibição, mas nada como uma taça de vinho para corar a face, soltar a língua, os cabelos e os pensamentos e a vontade de rir por qualquer motivo e por fim as estrelas faiscando nos olhos de cada um.  Tal fato deu a ela a certeza de que Deus existia e que sonhar valia à pena. - Todos os meus sonhos, se é que eu os tinha sonhado, se concretizaram e a prova disso é esse deus adormecido ao meu lado nesta cama - disse a mulher numa linda camisola de seda pura.  Esse homem tem tudo o que a mais exigente das mulheres jamais sonharia, inclusive eu, que me acho espertinha - concluiu.  O tempo passou e com ele o fogo foi se apagando.  Passou a chegar  tarde à casa depois dos chopinhos com os amigos e nos finais de semana tinha sempre o que fazer com seus clientes ou com seus amigos.  Passou a frequentar a casa da mãe com mais assiduidade, coisa que não era do seu costume, e para não ficar pior, arrumou as malas e voltou para o Flat onde morou antes de conhecê-la, deixando para trás a mulher cujo maior pecado foi sonhar com a vida que viveu sem se dar conta que estava acordada.