sábado, 5 de novembro de 2016

EU VI.

                                                                   
      No maracanã, onde vi o meu time empatar com um time paulista,  também vi uma das partes da torcida brigar sem que houvesse motivo.  Vi beijo de namorados que se diziam apaixonados, ladrão roubando quem achava que só o juiz fosse capaz de fazê-lo em publico e um menino torcendo pelo clube que o pai escolheu para ele.  Vi gritos de gol, de raiva e desespero.  Vi meu filho envolto na bandeira do mais querido e o filho dos outros achando que a do seu clube era muito mais bonita. Vi torcidas colorindo arquibancadas e no verde do gramado aqueles que recebem para nos fazerem mais felizes.  Vi um vendedor de picolé errando o troco, só não atentei se era a seu favor ou contra. Vi os fogos espocarem no gol que tardava, mas saiu, e a torcida em peso se levantar.  A metade vibrava com o gol perfeito enquanto a outra ofendia a mãe do apitador. Na vizinhança ouvi gritos de festa e de tristeza enquanto o Faustão tinha parte do programa reduzido.   Vi alguém, que não tinha sido convidado, entrar minha casa adentro e, do nada,  me dar um abraço e uma parte do seu sorriso como se fossemos velhos conhecidos.  Vi um político religioso ir para a cadeia enquanto o outro, da mesma igreja, tomar posse na prefeitura.  Vi, enfim, tanta beleza e felicidade assim como vi coisas que me entristeceram, como a vida florindo no topo da planta enquanto meu pai, sem tempo, deixava-se ficar em minha tênue lembrança. Enfim eu vi e ouvi coisas que dos surdos e dos cegos, talvez não passassem despercebidas, mas a causa, talvez, tivesse doído mais em mim, do que o efeito que elas produziram.