quarta-feira, 30 de novembro de 2016

CHEGOU O DIA.

Fazia tempo não via o filho que deixou com a vó numa casa de praia a jogar miolo de pão às gaivotas e se o fez foi por haver descoberto, ainda a tempo, que a vida não é  só criar os filhos  na beira do precipício a espera de que voem se você não se jogar la do alto  planando por sobre as matas e as ribanceiras.  O exemplo precisava ser dado para que no futuro todos, quem sabe em bando, voassem na mesma direção. O tempo passou só esta lembrança não saía de sua cabeça e foi assim que o sujeito arrumou e enfiou no carro tudo aquilo que achava que pudesse precisar, além da mulher que ainda faz a sua cabeça e desceu morro abaixo rumo ao litoral.  A viagem corria tranquila, só as novas casas e as mudanças feitas pelo prefeito no bairro confundiram um pouco a pessoa que há muito deixara de ser criança, e não fosse o GPS que a esposa fez questão de levar com eles e o casal não teria chegado ao destino que traçou.  E assim foram fazendo o que a voz robotizada de uma mulher lhes ordenava; - dobre a esquerda.  A trezentos metros vire a direita.  Siga em frente.  Na terceira quebrada de rua se viram numa favela cercados por um bando de gente mal encarada, mas para a felicidade de todos uma voz fina de criança gritou para quem quisesse ouvir; - Gente, é o meu avô! Esse aí é o meu avô! Meu pai me falou que um dia ele viria visitar a gente e ele veio...  Felizes os três caminharam por entre barracos até uma casa que antes, só ela, chegava tão próxima das marolas daquela praia.