sexta-feira, 21 de outubro de 2016

OBRIGADO AMIGO.
"Clique aqui em baixo".
https://youtu.be/Nm5N4iFLU0g

     
      Eu jamais pude dar a você  uma prova da grandeza da minha amizade  a não ser quando por cinco anos eu fui seu fiador.  Fato que você nunca deixou de mencionar num bate papo entre a gente.  Você, no entanto, quantas vezes se sacrificou deixando a zona de conforto da sua casa para ver esse cara que num gesto de extrema valentia trocou a certeza de vários anos vividos com uma mulher que a ele deu filhos e a própria vida por outra que, até deu certo, mesmo nada conspirando a favor. Talvez o amigo não se lembre, mas nos idos de 2011 quando a chuva castigou quem tinha bens e era feliz, assim como aqueles que não tinham nada além de um canto para dormir, um sujeito corajoso, talvez sofrendo mais do que os que perderam suas casas, seus bens e suas famílias, subiu até o pé da serra onde uma de muitas barreiras bloqueava a estrada e a vida dos que se tornaram estatística a partir dali. Esse cara, impedido de cumprir seu intento, avisou pelo celular que estava ali para me ajudar, para secar uma possível lágrima que por ventura eu chorasse e para me dar a mão naquela hora de sofrimento.    Você, Marcelão, talvez segurando o pranto, queria porque queria me entregar, sem ter como, os mantimentos que trazia consigo assim como me emprestar algum dinheiro, mesmo estando eu amparado pela sorte como garanti a você que estava. Hoje, depois de deixar a mulher que divide comigo o teto dela, voltei ouvindo o rádio do carro.  Nele tocava, por incrível que possa parecer, u’a música que me reportou aqueles dias.  Zeca Pagodinho que havia sofrido na carne o que você, Macelão, sofreu por Nova Friburgo, arregaçara as mangas e fora à luta.  Puxou água de dentro das casas de quem não conhecia,  suspendeu móveis e utensílios para lugares mais altos e mais seguros das casas e deu comida e bebida a quem perdeu sua cozinha, seu fogão e a torneira de água limpa durante alguns dias.  Passada a turbulência o sujeito sentou-se num canto escondido e para não chorar, se é que não chorou quando todos choravam, pegou um pedaço de papel e uma caneta e compôs a oração que eu me arrisco dizer que é nossa, do Zeca, do povo de xerém, do Marcelão e minha, que seco na cara a teimosa lágrima que teima fugir ao meu controle, e o faço na certeza de sua generosa e tamanha amizade.  Que bom ter você por perto, Marcelo, mesmo que distante.  Obrigado, muito obrigado meu amigo.