terça-feira, 18 de outubro de 2016

LUTANDO CONTRA O DESTINO.
silvioafonso

      Talvez Maria não tivesse a intenção de ser a melhor mãe do mundo, até porque, os filhos das mulheres que conhecemos tinham, pelo menos, uma qualidade, enquanto os dela, nada que fizessem, por melhor que fosse, tinha para ela algum valor.  Maria era boa pessoa, boa esposa, cumpria a tempo e a hora com os seus afazeres e achava que agindo assim despertaria nos filhos a ambição de lutar pelo que fosse real.  Como mãe não era diferente de nenhuma outra, mas se um filho ou uma filha precisasse de ajuda para decidir que rumo dar à  sua vida, não devia contar com ela a não ser que fosse para saber como se cuida de uma casa, de um marido e dos filhos, se os tivesse. Aí ela se sentia à vontade para dar os seus pitacos. Um dos filhos dessa senhora, por exemplo, queria estudar para escrever a programação da rádio da cidade, mas para ela ninguém enchia a barriga se alimentando de letras ou ouvindo as baboseiras da emissora.  As meninas, por sua vez, queriam ser engenheira, farmacêutica, advogada ou professora, mas a mãe fazia cara feia e não discutia o caso.  Para ela filha mulher tinha de aprender a cozinhar, lavar e passar, assim como tomar e dar conta do marido e de sua casa no futuro. Com o passar do tempo, tudo mudou, mas só Maria continuava a mesma.  Uma das filhas se casou, como era do desejo de sua mãe, mas não deixou de estudar.   Fez o fundamental, o curso médio e não contente por ter se formado em pedagogia, fez pós-graduação e mestrado na matéria. Hoje dá aulas em duas faculdades da cidade. A outra fez como a primeira.  Casou-se e teve filhos, mas estudou até seu nome constar entre os graduados de medicina. Com as outras duas não foi diferente.  Uma é advogada, procuradora da república, enquanto a mais nova, formada pela Puc em psicologia, tem livros traduzidos para seis idiomas, como era sonho dela.   O rapaz continua fazendo o que sempre desejou, escreve a pauta da rádio local e auxiliar em algumas séries da TV.  Maria está a beira da morte, mas, pelo que consta, não é feliz.   Sabe que depois dos filhos desobedecerem suas ordens, só os terá em casa no mesmo dia e na mesma hora se ela vier a falecer.