sexta-feira, 14 de outubro de 2016

IRMÃO CAMARADA.

     

     Liguei uma, duas, três vezes em horários diferentes e ele não me atendeu.  A gente tem divergência de pensamentos como todo mundo tem, concordo, mas nem por isso o mais vibrante harpejo pretende mudar no outro a forma de entender o som, mas sim, de se afinarem como instrumento da mesma banda.  Por isso eu liguei tantas vezes, muitas, diversas e ele não se tocou e muito menos retornou a ligação ou este desabafo não seria pertinente.  Antes de tomar tal decisão eu aguardei sentado ao pé do celular na expectativa de poder ouvir aquela voz empostada e a contundência da  sua gargalhada.  
        Com o passar do tempo e com o medo nefando de perder o melhor dos melhores amigos que já conquistei, decidi digitar outra vez os mesmos algarismos daquele telefone, e o fiz uma, duas, diversas e diversas vezes, mas ele, como havia feito em oportunidades anteriores, não quis ou não teve como me atender.   Certamente esqueceu o aparelho no carro e este numa rua distante, mas tão longe da gente que talvez precisasse de anos para chegar até lá onde o celular se encontra e nele conferir o número de vezes que dele eu me lembrei.  Eu não queria perdê-lo, meu amigo, esta jamais foi minha intenção ao dizer aquilo que falei, pois o que de fato eu pretendia era encurtar os elos da corrente que nos mantém ligados um no outro, como irmãos siameses que você, seu safado, querendo ou não querendo, jamais deixará de ser meu...